Originária do Oriente Médio, a Cabra de Damasco conquistou criadores pelo mundo por sua resistência, aparência exótica, qualidade genética e curiosas transformações físicas ao longo da vida.
Quando se fala em cabra de Damasco, a maioria das pessoas pensa em seu visual inusitado e até “assustador” na fase adulta. Mas o que muitos não sabem é que essa raça milenar, de origem síria, é uma das mais valorizadas por suas qualidades produtivas e genéticas — capaz de gerar filhotes mais fortes, produzir leite de altíssimo teor nutricional e carne de qualidade superior.
A cabra de Damasco, também conhecida por nomes como Shami, Aleppo, Halep, Baladi, Damascene ou Chami, tem origem nos rebanhos da Síria e de outros países do Oriente Médio, onde é criada há milênios. Durante o século 19 e especialmente na década de 1920, o animal foi introduzido em Chipre, por meio de importações feitas pela família Antoniades e pelos britânicos. A partir de então, passou a ser criada seletivamente para aprimoramento genético, ganhando reconhecimento internacional.
Atualmente, é uma raça prioritária para a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), devido ao seu potencial leiteiro, à resistência em ambientes adversos e ao aproveitamento também para carne.
O que mais chama a atenção na cabra de Damasco é a drástica mudança visual que ela sofre com o passar do tempo. Filhotes nascem com aparência fofa, orelhas muito longas e traços delicados, que cativam à primeira vista. Contudo, à medida que crescem, os animais desenvolvem um nariz proeminente, orelhas dobradas como tubos e um crânio alongado, características que podem causar estranhamento — principalmente para quem não conhece a raça.

Essas alterações são resultado de seleção artificial ao longo dos anos, feitas com o objetivo de destacar essas feições consideradas “peculiares” em competições. Um exemplo disso é o famoso animal Qahr, que venceu o concurso Mazayen al-Maaz em Riade, na Arábia Saudita, em 13 de junho de 2008, levando o título de “Cabra Mais Bonita do Mundo” — mesmo com um visual que muitos consideram o oposto disso.
Apesar do visual exótico, a cabra de Damasco supera muitas raças convencionais em produtividade. Mede cerca de 78 centímetros até o ombro, o que a torna maior do que a média dos caprinos. Entre suas principais virtudes:
- Produção de leite: chega a fornecer até 1,5 litro por dia, com alto teor de gordura e proteína, ideal para fabricação de queijos, iogurtes e outros derivados. Além disso, é indicado para pessoas com intolerância ao leite de vaca, devido à fácil digestibilidade.
- Qualidade genética: seu leite favorece o crescimento mais rápido dos filhotes, o que a torna uma excelente matriz para melhoramento genético de rebanhos.
- Carne nobre: a cabra também apresenta boa conformação corporal e elevado peso, sendo ideal para corte. Por isso, é cruzada em países como a Índia com raças como Boer e Sirohi, gerando animais híbridos com alta capacidade de produção de carne.

Por conta de sua genética apurada, dupla aptidão (leite/carne) e da aparência que a torna icônica em concursos, exemplares da cabra de Damasco podem alcançar cifras impressionantes. Um animal de destaque chegou a ser vendido por mais de US$ 65 mil — o equivalente a mais de R$ 250 mil no câmbio atual.
Sua raridade no Ocidente e seu apelo em países do Golfo Pérsico elevam seu valor a patamares de luxo entre os criadores, especialmente para exposições e reprodução.
Apesar de controversa em sua aparência adulta — sendo inclusive chamada por alguns de “cabra monstro” —, a cabra de Damasco é símbolo de resistência, produtividade e diversidade genética. Julgar apenas pela estética seria ignorar séculos de história e o impacto produtivo que essa raça proporciona.
Do pasto ao pódio, a cabra de Damasco comprova que, no mundo animal, o que está por dentro — e o que se produz — vale muito mais do que a forma externa.
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