O Oriente Médio detém 35% do comércio marítimo global de ureia. Irã e Omã responderam por 18,4% das importações brasileiras do produto em 2025.
São Paulo, 4 – Os preços dos fertilizantes nitrogenados subiram no Brasil na segunda-feira, 2, acompanhando o mercado global após a escalada do conflito no Oriente Médio. Segundo a consultoria Argus, a maior parte dos participantes retirou ofertas de compra e de venda para os portos brasileiros. “Produtores de ureia daquela região avaliam a disponibilidade nos estoques e buscam mais clareza sobre a logística, especialmente considerando a passagem pelo Estreito de Ormuz e o custo do frete marítimo”, disse, em nota, a responsável por precificação de agricultura e fertilizantes da consultoria, Renata Cardarelli.
Segundo a Argus, o Oriente Médio detém 35% do comércio marítimo global de ureia. Irã e Omã responderam por 18,4% das importações brasileiras do produto em 2025. Com as incertezas geopolíticas, os preços da ureia granulada subiram para o intervalo de US$ 500 a US$ 550/t CFR Brasil, contra os US$ 475 a US$ 485/t CFR registrados em 27 de fevereiro. “A faixa diária do sulfato de amônio também subiu para US$ 220 a US$ 230/t CFR, refletindo indicações mais altas na China.”
Em fosfatados, o mercado de MAP 11-52 permaneceu estável em US$ 730 a US$ 740/t CFR Brasil, mas os participantes seguem em compasso de espera.
A Arábia Saudita, que forneceu 24% do MAP importado pelo Brasil em 2025, mantém operações normais em Ras Al-Khair, mas a Argus ressalta que “interrupções no comércio através do estreito afetariam os embarques sauditas, apertando o balanço no mercado global de fosfatados”.
Quanto ao potássio (MOP), os preços não foram afetados de imediato, situando-se entre US$ 370 e US$ 380/t CFR.
De acordo com o responsável por precificação de fertilizantes da Argus, João Petrini, as produtoras ICL (Israel) e APC (Jordânia) operam normalmente. Contudo, o especialista observa que o setor antecipa “custos mais altos de fertilizantes e de frete marítimo, o que aumentará ainda mais as preocupações com a acessibilidade econômica dos preços”.