Confinamento de bovinos foi um bom negócio em 2025? Margens positivas surpreendem pecuaristas

Estudo mostra que pecuaristas que apostaram no confinamento de bovinos em 2025 tiveram rentabilidade acima da renda fixa; segundo giro do ano foi o mais lucrativo

O confinamento de bovinos voltou ao centro das discussões da pecuária brasileira após os resultados positivos observados em 2025. Mesmo em um cenário marcado por juros elevados, custos de produção pressionados e valorização da reposição, a estratégia de terminar animais em sistema intensivo mostrou-se rentável para muitos produtores.

Levantamentos da Scot Consultoria indicam que o confinamento não apenas cresceu no país no último ano, como também gerou margens superiores às alternativas tradicionais de investimento, superando inclusive aplicações atreladas ao CDI.

Esse desempenho positivo ocorreu principalmente no segundo semestre, quando a combinação entre arroba valorizada, custos alimentares mais controlados e melhor relação de troca favoreceu a atividade.

Crescimento do confinamento de bovinos no Brasil

Dados recentes apontam que o confinamento de bovinos continuou avançando no Brasil em 2025. O movimento reflete uma mudança gradual na estratégia dos pecuaristas, que buscam maior previsibilidade na terminação de animais e melhor gestão de custos e riscos.

A expansão do sistema também foi favorecida pela fartura de grãos utilizados na alimentação animal, como milho e soja, além de maior disponibilidade de coprodutos da indústria, como o DDG (grão seco de destilaria). Esses fatores ajudaram a tornar a dieta dos animais mais competitiva.

Segundo especialistas do setor, quando os pecuaristas utilizam ferramentas como mercado futuro e travas de preço, as margens tendem a se tornar ainda mais interessantes.

O peso dos custos no confinamento

Dentro da estrutura de custos do confinamento, a aquisição da boiada para reposição é o principal fator, podendo representar até 70% do investimento total da operação.

Além disso, os confinamentos normalmente trabalham com dois ciclos principais ao longo do ano:

  • Primeiro giro: entrada dos animais entre abril e maio, com saída entre julho e agosto
  • Segundo giro: entrada entre agosto e outubro, com abate no final da primavera

Em 2025, a rentabilidade desses ciclos apresentou diferenças relevantes, influenciadas pela evolução dos preços da arroba e dos insumos utilizados na alimentação.

Primeiro giro teve lucro moderado

No primeiro giro do confinamento de bovinos, a relação entre custos e receita foi positiva, embora mais moderada.

Uma simulação realizada em São Paulo considerou um boi magro de 375 kg (12,5 arrobas), com permanência de 106 dias no cocho e ganho médio diário de 1,6 kg.

Os resultados indicaram:

  • Custo total por animal: R$ 5.906
  • Preço da arroba na venda: R$ 315
  • Receita total: R$ 6.372
  • Lucro por cabeça: R$ 466
  • Rentabilidade da operação: 7,9%
  • Retorno mensal: 2,6%

Apesar de não ser um resultado extraordinário, o desempenho foi considerado positivo — principalmente quando comparado aos resultados de anos anteriores, que chegaram a registrar prejuízo em algumas regiões.

Segundo giro do confinamento de bovinos foi ainda mais lucrativo

O cenário mudou de forma significativa no segundo giro do confinamento de bovinos.

Entre agosto e outubro, o preço do boi gordo subiu mais rapidamente que o valor da reposição, criando um ambiente mais favorável para os confinadores. Nesse período, a arroba chegou a R$ 322 em São Paulo, elevando a receita da operação.

A simulação para o segundo giro apontou:

  • Custo total por animal: R$ 5.793
  • Receita por cabeça: R$ 6.513
  • Lucro por animal: R$ 720
  • Rentabilidade da operação: 12,4%
  • Retorno mensal: 4,1%

Esse resultado representou quase o dobro da rentabilidade do primeiro giro, consolidando o confinamento como uma das estratégias mais eficientes da pecuária naquele ano.

Rentabilidade superou aplicações financeiras

Outro dado que chamou atenção foi a comparação entre o confinamento e os investimentos financeiros.

Durante 2025, a taxa básica de juros (Selic) oscilou entre 14,25% e 15% ao ano, com aplicações conservadoras pagando aproximadamente 1,18% ao mês.

Mesmo assim, o confinamento apresentou retorno superior:

  • 1º giro: cerca de 2,6% ao mês
  • 2º giro: cerca de 4,1% ao mês

Ou seja, para que um investimento financeiro compensasse o confinamento, seria necessário retorno equivalente a cerca de 144% do CDI, algo pouco comum no mercado tradicional.

Arroba firme e menor oferta de gado sustentam o mercado

O cenário positivo do confinamento também esteve ligado ao comportamento do mercado do boi gordo.

A redução na oferta de animais terminados e a retenção de fêmeas nas fazendas ajudaram a sustentar os preços. Em São Paulo, negócios recentes indicam cotações entre R$ 350 e R$ 355 por arroba, com negociações pontuais chegando a R$ 360.

Esse ambiente de preços firmes ampliou o poder de barganha do pecuarista, especialmente em regiões onde as pastagens se recuperaram com o retorno das chuvas.

O que esperar para 2026

Para 2026, as perspectivas continuam positivas para o confinamento de bovinos, embora alguns pontos de atenção estejam no radar do setor.

Entre os principais fatores monitorados pelos especialistas estão:

  • Alta da reposição, com valorização do bezerro e do boi magro
  • Possível encarecimento do milho, dependendo da produção da safrinha
  • Necessidade de gestão de risco e uso de hedge no mercado futuro

Ainda assim, estimativas indicam que o Brasil pode alcançar até 9,5 milhões de cabeças abatidas em confinamento, o que representaria um novo recorde para o sistema intensivo de produção.

Confinamento segue como ferramenta estratégica

Os dados de 2025 reforçam que o confinamento de bovinos continua sendo uma importante ferramenta de gestão na pecuária moderna, permitindo ao produtor acelerar o ganho de peso dos animais, planejar melhor as vendas e aproveitar momentos favoráveis do mercado.

Mesmo em um ambiente econômico desafiador, marcado por juros altos e custos elevados, quem soube alinhar estratégia produtiva e comercialização conseguiu extrair margens positivas, confirmando o papel cada vez mais relevante da pecuária intensiva no Brasil.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM