Como não deixar o bezerro sentir o “baque” da desmama

Especialistas revelam que o sucesso na recria não depende de uma “gramínea milagrosa”, mas sim do manejo bromatológico preciso e de estratégias que priorizam a visibilidade na maternidade e o bem-estar animal

A desmama de bezerros é, sem dúvida, um dos momentos mais críticos e desafiadores na pecuária de corte. Este período marca não apenas a separação física da matriz, mas uma transição nutricional e psicológica que pode ditar o desempenho do animal por toda a sua vida produtiva.

Para evitar o temido “baque” — quando o animal perde peso ou estagna o crescimento — a escolha e o manejo da pastagem tornam-se os pilares centrais do sucesso na recria.

Na maternidade, a visibilidade é a prioridade

Antes mesmo de pensar no ganho de peso pós-desmame, o produtor precisa olhar para a maternidade. Segundo Március Graco, agrônomo da Intensifique Consultoria, a escolha da forragem nesta fase deve priorizar a operacionalidade.

Diferente do que muitos pensam, para animais recém-nascidos, o foco não é apenas o valor nutricional da planta, mas o seu porte. Graco recomenda a utilização de pastos decumbentes (de porte menor). O objetivo é estratégico: permitir que o capataz ou o peão visualize o animal com facilidade. “Isso ajuda a não perder esse animal, garantir a cura do umbigo e verificar se ele realmente mamou o colostro”, pontua o especialista.

O mito da “espécie milagrosa” na desmama de bezerros

Quando o assunto migra para a recria, muitos produtores buscam uma “gramínea mágica” que faria o animal ignorar o estresse da separação. No entanto, o consenso técnico aponta para outro caminho. Graco afirma que não existe um pasto específico que seja superior a outro apenas pela sua genética (como Piatã versus Mombaça), mas sim pelo seu estado bromatológico.

Para uma desmama de bezerros eficiente, o segredo reside no manejo. O pasto ideal é aquele que:

  • Oferece alta densidade de proteína e energia.
  • É manejado respeitando as alturas de entrada e saída.
  • Mantém a folha verde predominante sobre o talo, facilitando a preensão e digestão pelo bezerro.

Como o bezerro é a categoria que entrega o maior retorno sobre o investimento, mas também possui exigências nutricionais mais elevadas que bois ou vacas de cria, ele deve sempre ocupar os melhores pastos da fazenda.

Tendências Internacionais: O “Fenceline Weaning” e o Creep Grazing

Olhando para o cenário global, especialmente em potências como Estados Unidos e Austrália, novas técnicas têm sido aplicadas para mitigar o estresse. De acordo com pesquisas da Universidade de Iowa (EUA), o método de “Fenceline Weaning” (desmama lado a lado, separados apenas por uma cerca) reduz drasticamente os níveis de cortisol nos animais em comparação à desmama tradicional.

Além disso, o uso de Creep Grazing — uma variação do conhecido creep feeding, onde o bezerro tem acesso exclusivo a um pasto de altíssima qualidade (como leguminosas ou forragens de inverno) enquanto ainda está com a mãe — tem se mostrado eficaz para adaptar o sistema ruminal antes da separação definitiva. Estudos internacionais indicam que animais adaptados a pastos de alta qualidade antes da desmama sentem menos a transição, mantendo o ritmo de ganho de peso diário (GPD) constante.

Manejo supera a genética

O “pasto perfeito” para a recria não vem em um saco de sementes específico, mas na ponta da bota do produtor que monitora a altura do capim. Proporcionar um ambiente com conforto térmico, água de qualidade e forragem jovem é o caminho mais curto para garantir que o bezerro não apenas sobreviva à desmama, mas prospere nela.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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