Saiba como reverter a degradação e garantir a longevidade do pasto através da reposição estratégica do fósforo, o nutriente vital para o sistema radicular das gramíneas tropicais
A degradação de pastagens é um dos maiores desafios da pecuária brasileira, afetando, segundo a Embrapa, cerca de 60% das áreas produtivas no país. O principal motor dessa queda de vigor é a exaustão de nutrientes, especialmente o fósforo (P). Saber como fazer a correção de fósforo em pastagem de Braquiária formada é a estratégia mais econômica para o produtor que deseja aumentar a lotação de animais e a produção de arrobas por hectare sem os custos proibitivos de uma reforma completa do solo.
Ao contrário do que muitos pensam, a aplicação de fertilizantes em áreas já estabelecidas demanda um critério técnico rigoroso, pois o fósforo possui baixa mobilidade no perfil do solo. Portanto, a eficiência da adubação de cobertura depende diretamente do equilíbrio entre a fonte utilizada, a umidade e o manejo do capim.
A importância da correção de fósforo em pastagem de Braquiária formada
O fósforo é considerado o “combustível” das gramíneas tropicais. Ele é responsável pelo desenvolvimento do sistema radicular, pelo perfilhamento e pelo vigor da rebrota após o pastejo. Em áreas de Braquiária já estabelecidas, a falta desse elemento reduz drasticamente a capacidade da planta de competir com plantas daninhas e de resistir a períodos de seca.
De acordo com estudos da Embrapa Gado de Corte, a correção de fósforo em pastagem de Braquiária formada permite que o sistema radicular explore camadas mais profundas do solo, otimizando também a absorção de água e nitrogênio. Sem o nível adequado de fósforo (geralmente abaixo de 8 a 10 mg/dm³ em solos argilosos), qualquer outro investimento em fertilização será desperdiçado.
O ponto de partida estratégico
Antes de qualquer intervenção, é indispensável a realização de uma amostragem de solo precisa. Para pastagens formadas, recomenda-se a coleta na camada de 0 a 20 cm, dividindo a propriedade em talhões homogêneos por histórico de uso e topografia.
O produtor deve observar o nível de argila do solo, pois solos mais argilosos retêm (“fixam”) mais fósforo, exigindo doses maiores para que o nutriente fique disponível para a planta. A recomendação técnica padrão indica que a adubação de manutenção deve ser feita sempre que os níveis de P estiverem abaixo do nível crítico estabelecido para a espécie de Braquiária cultivada.
Principais fontes para a correção de fósforo em pastagem de Braquiária formada
A escolha do fertilizante é decisiva para o sucesso do manejo. Como o fósforo não se movimenta facilmente na terra, a aplicação em cobertura (sobre a superfície) exige fontes que entreguem o nutriente de forma estratégica:
- Superfosfatos (Simples e Triplo): São fontes solúveis em água, oferecendo liberação rápida para a planta. São ideais para solos que já possuem um histórico de correção.
- Fosfatos Reativos: São rochas moídas de alta reatividade. Embora tenham liberação mais lenta que os superfosfatos, são excelentes para a correção de fósforo em pastagem de Braquiária formada em solos ácidos e com baixo nível inicial, pois garantem um efeito residual prolongado.
- MAP (Fosfato Monoamônico): Além de fósforo, fornece nitrogênio, o que pode ser interessante para impulsionar a rebrota inicial, desde que o solo não esteja com acidez elevada.
Época ideal e manejo da adubação em cobertura
Para garantir que o investimento não seja perdido, a aplicação deve ocorrer preferencialmente no início do período chuvoso. A umidade é essencial para que o grânulo do fertilizante se dissolva e o fósforo entre em contato com as raízes superficiais da Braquiária.
Dicas de ouro para o manejo:
- Rebaixamento do pasto: Antes de aplicar, realize um pastejo intenso para diminuir a massa de folhas secas (colmo e palhada), permitindo que o fertilizante atinja o solo diretamente.
- Distribuição uniforme: Utilize equipamentos regulados para evitar faixas sem adubo, o que gera um crescimento desigual do pasto.
- Atenção ao Calcário: Se o solo estiver muito ácido (pH baixo), a eficiência do fósforo cai drasticamente. A calagem deve anteceder a fosfatagem sempre que possível.
Lucratividade e longevidade
Investir na correção de fósforo em pastagem de Braquiária formada é, antes de tudo, uma decisão financeira. Recuperar um pasto degradado através da adubação de manutenção pode custar até 40% menos do que derrubar a pastagem e plantar uma nova. Com o solo nutrido, a lotação animal pode dobrar, garantindo a sustentabilidade do ciclo pecuário e a proteção do solo contra erosões.
VEJA MAIS:
- Marmoreio verde: É possível produzir carne premium exclusivamente a pasto no Brasil?
- Governo Lula cria Parque Nacional do Albardão e gera forte impasse econômico no Sul
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.