CNI e mais de 400 entidades divulgam manifesto contra mudanças na escala de trabalho

Documento reúne federações estaduais da indústria, associações setoriais, sindicatos e aponta impacto de até R$ 267 bilhões ao ano com redução da jornada.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com as 27 federações estaduais da indústria, 95 associações setoriais e 342 sindicatos industriais, divulgou um manifesto, nesta quinta-feira (9), em que expressa preocupação com as propostas de redução da jornada de trabalho semanal e o fim da escala 6×1 em discussão no Congresso Nacional. 

O documento reforça que, embora o debate seja legítimo, medidas assim podem provocar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais. Estimativas apresentadas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267 bilhões por ano, um aumento de até 7%. 

Manejo inicial correto protege lavouras contra perdas de produtividade

Para a indústria, o impacto é expressivo, o equivalente a cerca de R$ 88 bilhões (11%). Além disso, simulações do IBRE/FGV sugerem que o PIB brasileiro pode cair até 11,3%, além de aumento no desemprego e na informalidade. 

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que mudanças na legislação trabalhista devem se basear em evidências, diálogo técnico e responsabilidade econômica. “Precisamos de dados concretos para avaliar riscos como inflação e perda de empregos. O objetivo deve ser fortalecer a capacidade de empregar e garantir a sustentabilidade econômica no longo prazo, com competitividade, em vez de apenas ampliar custos”, diz. 

As entidades destacam que o Brasil já enfrenta desafios estruturais de competitividade, como o alto custo de produção e a insegurança jurídica. Um dos pontos críticos é a produtividade, que tem apresentado crescimento bastante limitado: a produtividade por trabalhador avançou, em média, apenas 0,2% ao ano, enquanto a produtividade por hora trabalhada cresceu 0,5% ao ano (FGV/IBRE). Esse desempenho se reflete no posicionamento internacional do país, que atualmente ocupa a 100ª posição em produtividade por trabalhador e a 91ª em produtividade por hora, entre 189 países, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O manifesto também critica o ritmo acelerado do debate em um ano eleitoral e sustenta que discussões estruturais dessa relevância não devem ocorrer sob pressões políticas momentâneas. As entidades defendem uma análise aprofundada após as eleições, com a moderação que o tema exige. 

A lista completa das instituições que apoiam o manifesto está disponível em:

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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