A exceção é o Rio Grande do Sul, onde os volumes de precipitação devem permanecer abaixo da média histórica, mantendo o cenário de atenção para as lavouras.
São Paulo, 30 – As chuvas previstas para os próximos dias devem elevar a umidade do solo em grande parte das regiões produtoras de soja do Brasil, especialmente na faixa central do País, além de áreas do Sul e do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia),segundo nota divulgada pela EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite. A exceção é o Rio Grande do Sul, onde os volumes de precipitação devem permanecer abaixo da média histórica, mantendo o cenário de atenção para as lavouras.
De acordo com a empresa, os modelos climáticos americano (GFS) e europeu (ECMWF) indicam precipitações acima da climatologia nos próximos dez dias na maior parte da zona produtora de soja. “Nas regiões com previsão de chuvas acima da média, os trabalhos de campo podem ser temporariamente prejudicados, dependendo da intensidade e da frequência das precipitações. Ainda assim, essas chuvas tendem a favorecer as lavouras na fase de enchimento de grãos”, afirmou o analista de cultura da EarthDaily, Felippe Reis.
Nos últimos dez dias, os volumes ficaram acima da média em uma faixa que se estende de Mato Grosso até Minas Gerais, com acumulados variando entre 80 milímetros e 200 milímetros em algumas localidades. Nessas áreas, as precipitações contribuíram para o bom desenvolvimento das lavouras de verão, embora o excesso de umidade possa ter provocado dificuldades pontuais nas operações de colheita da soja e do milho de primeira safra, além de atrasos localizados no plantio do milho safrinha.
A EarthDaily destaca que, até o momento, não houve registro de ondas de calor persistentes em 2026. Considerando dados até 27 de janeiro, as temperaturas médias permaneceram próximas da normalidade na maior parte do País, o que contribui para a redução da evapotranspiração e beneficia a manutenção da umidade, com reflexos positivos para o desenvolvimento das culturas.
A análise indica comportamento desigual entre as regiões. Na comparação entre 15 e 27 de janeiro, houve evolução positiva nas áreas Centro-Norte da zona produtora, enquanto no Centro-Sul foi registrada redução dos níveis hídricos. Nas regiões com incremento, as condições seguem favoráveis, especialmente em localidades de plantio mais tardio, como partes de Goiás e Minas Gerais. Já onde a umidade diminuiu, há potencial de impacto negativo sobre o rendimento caso o déficit persista.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul exibe índices elevados de vigor vegetativo (NDVI) e boa dinâmica. A previsão de aumento da umidade nos próximos dias pode dificultar a colheita, mas tende a beneficiar áreas em enchimento de grãos. Em Goiás, o NDVI atinge os maiores níveis das últimas cinco safras, sinalizando ótimo vigor das plantas. Segundo a empresa, os valores mais baixos observados no início do ciclo estão associados ao atraso no plantio, e não a estresse climático.
Na Região Sul, o Paraná não deve sofrer impactos relevantes da seca registrada nas últimas semanas. Os índices de vegetação seguem em patamar satisfatório e a previsão do ECMWF aponta recuperação nos próximos dias. No Rio Grande do Sul, apesar das lavouras ainda exibirem bom vigor vegetativo, a manutenção de chuvas abaixo da média mantém o cenário de atenção. A expectativa é de alguma recuperação ao longo de fevereiro, embora os níveis devam permanecer inferiores à climatologia.
Em Minas Gerais, as lavouras de verão tendem a registrar produtividade satisfatória. O NDVI mostra evolução consistente e o aumento da umidade previsto nos próximos dias deve sustentar o desenvolvimento das culturas, segundo a EarthDaily.