Churrasco de codorna? Entenda por que a iguaria virou a nova febre entre os mestres churrasqueiros

Rica em proteínas, mais acessível e com preparo rápido, a carne da ave conquista as grelhas brasileiras e impulsiona a coturnicultura de corte no agronegócio nacional

Quando pensamos em confraternizações de fim de semana no Brasil, a imagem da picanha e da costela assando na brasa é quase automática. No entanto, uma nova tendência está mudando o cardápio e diversificando a proteína servida nas casas e nos restaurantes especializados.

O churrasco de codorna deixou de ser uma exclusividade da alta gastronomia para se tornar a mais nova febre entre os mestres churrasqueiros do país. Além de oferecer um sabor diferenciado, essa alternativa tem movimentado de forma expressiva o setor produtivo agropecuário.

Por que o churrasco de codorna está ganhando tanto espaço?

A busca por carnes nobres e diferentes, aliada à necessidade de alternativas com bom custo-benefício em relação aos cortes bovinos tradicionais, abriu portas para novas opções de mercado. Fazer um churrasco de codorna atrai quem deseja surpreender o paladar com uma carne de textura extremamente macia e sabor marcante, mas as vantagens vão muito além do gosto.

Do ponto de vista nutricional, a codorna dá um verdadeiro show na grelha. De acordo com pesquisas do setor agropecuário e dados de entidades de extensão rural como a Emater, a carne de codorna é uma opção superior em micronutrientes se comparada ao frango tradicional. Ela possui maiores concentrações de Ferro, Fósforo, Zinco e Cobre, além de ser uma excelente fonte de vitamina B6 e proteína magra. Essa pegada focada na saúde, alinhada à alta gastronomia, é um dos grandes motores que impulsionam o consumo da ave.

O impacto da coturnicultura de corte no agronegócio

Para que a iguaria chegue à brasa com qualidade, o campo precisou se adaptar. A coturnicultura (criação de codornas) é tradicionalmente forte no Brasil pela produção de ovos — um mercado que ultrapassa anualmente a marca de 3 bilhões de unidades geradas no país, conforme dados do IBGE. Contudo, a vertente voltada exclusivamente para o abate vem ganhando protagonismo e viabilidade financeira.

Para a produção de carne, destaca-se a criação da codorna europeia, uma linhagem robusta que rende, em média, de 250 a 300 gramas por animal, possuindo uma carne classificada como nobre. Por exigir um baixo custo de implantação, ocupar pouco espaço físico nas propriedades e apresentar um ciclo de reprodução e maturidade muito rápidos, a criação comercial dessas aves tornou-se altamente rentável e promissora, sendo um braço forte de diversificação de renda, especialmente para a agricultura familiar.

Segredos para o churrasco de codorna perfeito

Se você está pensando em inovar e aderir a essa febre no seu próximo encontro, é fundamental entender que o churrasco de codorna exige técnicas de manejo diferentes do gado ou do suíno. Por ser uma ave com baixíssimo percentual de gordura intramuscular, a carne pode ressecar facilmente se for negligenciada no fogo.

Para garantir a suculência, os especialistas da brasa recomendam três pilares básicos antes de acender o carvão: a escolha de marinadas intensas (com vinho branco, azeite e ervas), o controle rigoroso da temperatura (calor médio) e um tempo curto de grelha para evitar a perda de líquidos da carne.

Como preparar o legítimo churrasco de codorna

Dominar o preparo dessa ave na brasa é mais simples do que parece, desde que se respeite a delicadeza da carne. Abaixo, confira o guia definitivo para extrair o máximo de sabor e suculência:

  1. Abertura e limpeza (Corte Borboleta): Com o auxílio de uma tesoura de cozinha, faça um corte ao longo do osso do dorso da ave (as costas). Abra a codorna e pressione levemente o peito contra a tábua para que ela fique totalmente plana. Esse formato garante que toda a peça asse por igual.
  2. A Marinada: Em um recipiente profundo, coloque as aves e cubra-as com uma mistura de vinho branco seco, um fio generoso de azeite de oliva, dentes de alho amassados, sal, pimenta-do-reino e ervas frescas como tomilho, alecrim e sálvia. Deixe descansar na geladeira por, no mínimo, 2 horas para absorver bem os sabores.
  3. Preparando o braseiro: Acenda o carvão e aguarde até formar aquele braseiro uniforme coberto por uma camada fina de cinzas (calor médio-forte, onde você consiga aguentar a mão na altura da grelha por cerca de 5 a 6 segundos). Evite labaredas diretas para não queimar a pele.
  4. O lado certo na grelha: Disponha as codornas na grelha inicialmente com os ossos virados para baixo (o lado de dentro da ave). Deixe assar nessa posição por cerca de 12 a 15 minutos. Isso ajuda a cozinhar a carne por dentro sem secar o peito.
  5. A Finalização dourada: Vire as aves com o peito e a pele para baixo. Deixe dourar por mais 5 a 8 minutos, vigiando de perto. A pele deve ficar crocante e com um tom dourado escuro bem apetitoso. Retire da churrasqueira, deixe descansar por 2 minutos para os sucos se redistribuírem e sirva imediatamente.

A diversificação na dieta do brasileiro é uma realidade mercadológica forte. Com o consumidor buscando experiências gastronômicas de qualidade e o agronegócio entregando eficiência na cadeia produtiva, o espaço cativo da codorna nas grelhas de domingo parece estar mais do que garantido.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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