Sem avanços nas negociações desde 2025, restrições chinesas pressionam a indústria norte-americana, ameaçam o valor da carcaça e reforçam a urgência pela reabertura de um dos mercados mais estratégicos do mundo
A continuidade das restrições impostas pela China à carne bovina dos Estados Unidos tem gerado apreensão entre representantes da indústria pecuária norte-americana. O tema ganhou destaque durante a Convenção da Indústria de Carne Bovina de 2026 (CattleCon), realizada entre os dias 3 e 5 de fevereiro, em Nashville, Tennessee, onde líderes do setor discutiram os impactos do embargo.
De acordo com a Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF), grande parte da produção americana segue impedida de entrar no mercado chinês desde março de 2025, cenário que limita as oportunidades comerciais e pressiona a cadeia produtiva.
Durante o evento, a vice-presidente de análise econômica da entidade, Erin Borror, explicou que houve poucos avanços nas negociações para restabelecer o fluxo comercial. Segundo ela, o governo chinês ainda não renovou os registros necessários para que unidades de produção e armazenamento refrigerado dos EUA possam exportar carne bovina ao país asiático.
A executiva ressaltou ainda que, mesmo diante da redução dos estoques de gado nos Estados Unidos, recuperar o acesso ao mercado chinês é considerado estratégico para sustentar o valor das carcaças e garantir maior equilíbrio econômico ao setor.
Em busca de uma solução, o presidente da USMEF, Jay Theiler — também ligado à Agri Beef Co. — esteve recentemente em Washington, D.C., ao lado de outros representantes da federação. O grupo se reuniu com autoridades do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e do Escritório do Representante Comercial para reforçar a urgência da retomada das exportações.
Segundo Theiler, o governo norte-americano demonstra estar ciente da relevância do tema e tem se mostrado comprometido em trabalhar pela reabertura do mercado, reconhecendo os reflexos diretos da medida sobre os produtores do país.
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