Com 3,5 milhões de toneladas de carne bovina embarcadas em 2025, biossegurança se torna fator estratégico
A temporada de verão repete e tende a ampliar o padrão de calor extremo observado no último ano no Brasil. Em 2025, as temperaturas ficaram acima da média em grande parte do território nacional, e a estação já registra episódios de calor intenso e maior variabilidade climática. Esses fatores favorecem a proliferação de vírus, bactérias e vetores de doenças que impactam diretamente a criação animal.
Esse cenário representa um desafio crítico para o agronegócio brasileiro, especialmente quando o país depende de sua competitividade sanitária para sustentar as exportações. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), em 2025, as vendas externas de carne bovina bateram recorde, com 3,5 milhões de toneladas embarcadas.
A combinação de estresse térmico nos animais, aumento da carga microbiana em ambientes de produção e o maior risco de contaminação durante transporte e manejo exige uma transição rápida para modelos mais robustos, preventivos e tecnológicos de controle sanitário.
“Eventos climáticos extremos favorecem o avanço de patógenos. As altas temperaturas aceleram a multiplicação microbiana e pressionam todo o sistema produtivo”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta. “Depender apenas de higienização manual já não basta. A tecnologia se tornou prioridade para garantir padronização, rastreabilidade e resposta ágil a ameaças sanitárias.”
As soluções automatizadas de biossegurança já permitem monitorar criticamente etapas como limpeza de veículos, desinfecção de equipamentos, circulação de pessoas, controle de temperatura e fluxo de animais. Cada procedimento passa a gerar dados auditáveis, que facilitam a comprovação de conformidade para parceiros internacionais, especialmente diante das exigências de mercados como União Europeia, China e Oriente Médio.
Entre as inovações que aceleram e padronizam processos críticos está o TADD System (Thermo-assisted Drying and Decontamination), desenvolvido e patenteado pelo Grupo Setta. A tecnologia realiza descontaminação de alta eficiência em 48 minutos, por meio da utilização de ar aquecido, sem agentes químicos, reduzindo custos operacionais e impacto ambiental.
“O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio“, destaca Dias. “Com verões mais quentes e instabilidade climática crescente, a prevenção precisa ser contínua, integrada e cada vez mais tecnológica.”
A combinação entre aquecimento global, eventos climáticos mais frequentes e pressão por padrões sanitários mais rígidos coloca a proteção sanitária no centro da estratégia de sustentabilidade, produtividade e competitividade do setor. Para a pecuária brasileira, além de enfrentar o verão, o desafio está em estruturar sistemas resilientes que garantam segurança ao longo de todo o ano.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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