Com custos de produção saltando até 30% em Minas Gerais, cafeicultores alertam que a pressão logística e a alta dos insumos importados tornam inevitável o reajuste de preços nas prateleiras.
O consumidor brasileiro deve se preparar para encontrar o café mais caro nas gôndolas nos próximos meses. O alerta vem do coração produtivo de Minas Gerais, onde a escalada nos preços de insumos básicos — impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio — começou a asfixiar as margens de lucro dos cafeicultores. Com a alta desenfreada do óleo diesel e dos fertilizantes, o setor afirma que a transferência desses custos para o preço final tornou-se uma questão de sobrevivência econômica.
De acordo com Fernando Barbosa, presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas Gerais, o impacto é sentido de forma imediata no manejo das lavouras. O fenômeno ocorre em um momento crítico, antecedendo a colheita, e revela a fragilidade do setor diante das oscilações do mercado global de commodities e energia.
Crise internacional e a pressão por um café mais caro
A raiz do problema reside na dependência externa. Fertilizantes essenciais para a nutrição do cafezal, como a ureia, possuem cadeias de suprimento diretamente ligadas às zonas de conflito internacional. A instabilidade nas rotas logísticas e a redução da oferta global elevaram os preços de aquisição antes mesmo de os grãos saírem do pé.
“Já adquirimos insumos com aumento. A questão do conflito e das rotas logísticas impacta diretamente o custo da nutrição do café”, destaca Barbosa. Para o especialista, o cenário é paradoxal: embora a safra apresente boa produtividade e grãos de qualidade, o custo operacional neutraliza os ganhos que o produtor teria em um ano de clima favorável.
Custos de produção podem saltar até 30% na safra 2025/26
As projeções estatísticas para o ciclo 2025/26 são alarmantes. Segundo a Associação dos Cafeicultores, a combinação de fertilizantes mais caros e fretes elevados deve gerar uma inflação no campo entre 20% e 30%. Esse percentual representa um peso financeiro que o produtor rural não consegue mais reter dentro da porteira.
O reflexo desse desequilíbrio é um efeito cascata que culmina no café mais caro para o comprador final. “Tudo isso vai chegar ao bolso do consumidor. Não tem como absorver esse custo sozinho”, reforça o presidente da associação, indicando que o repasse é a única saída para manter a viabilidade da safra mineira.
Logística e combustíveis: o gargalo para evitar o café mais caro
Além da nutrição das plantas, a matriz energética da produção é o outro ponto de vulnerabilidade. O setor cafeeiro é profundamente dependente do petróleo. Desde o maquinário utilizado na adubação até as colheitadeiras e os caminhões de escoamento, o diesel é o combustível que movimenta a economia do grão.
A alta do barril de petróleo encarece o frete em ambas as pontas: na entrega dos adubos e na saída da produção para os portos e torrefações. No sudoeste de Minas, onde a colheita ganha força entre junho e setembro, a preocupação é que os preços do diesel continuem em patamares elevados, consolidando a tendência de alta para o varejo. Barbosa lembra que, apesar dos avanços tecnológicos, a eletrificação do campo ainda é uma realidade distante, deixando o setor refém das variações do combustível fóssil.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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