Brasil possui um rebanho de matrizes superior ao dos Estados Unidos, mas ainda adota práticas que limitam a qualidade da produção de carne e, atualmente, deixa quase 30 milhões de matrizes a mercê de “boi de cabeceira de boiada”.
Um estudo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) revelou que cerca de 30 milhões de vacas-matrizes no Brasil estão expostas a touros sem critério genético adequado. Essa realidade compromete diretamente a produtividade da pecuária nacional, reduzindo a eficiência do rebanho e impactando a rentabilidade dos pecuaristas.
A preocupação foi reforçada por Eduardo Pedroso, diretor executivo de originação da Friboi, durante programa do Giro do Boi, que criticou a falta de investimentos em seleção genética. Segundo ele, o Brasil possui um rebanho de matrizes superior ao dos Estados Unidos, mas ainda adota práticas que limitam a qualidade da produção de carne.
O impacto do “boi de boiada” na produtividade
De acordo com dados da ABCZ e da ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial), aproximadamente 48,9% das fêmeas de corte brasileiras são cobertas por touros sem registro e sem informação genética confiável. Essa prática leva à produção de bezerros de baixo desempenho, afetando diretamente a qualidade da carne e a eficiência produtiva.
Segundo Ricardo Abreu, gerente de Fomento de Programas de Melhoramento Genético da ABCZ, essa realidade ocorre por uma questão cultural e pela falta de planejamento produtivo dos criadores. Muitas propriedades utilizam qualquer macho para cobrir suas matrizes, sem avaliar critérios como ganho de peso, precocidade e eficiência alimentar.
Programas de melhoramento genético como solução
Para mudar esse cenário, iniciativas como o PMGZ Carne, uma parceria entre Friboi e ABCZ, buscam incentivar pecuaristas a utilizarem reprodutores testados geneticamente. O programa acompanha as progênies da recria ao abate, garantindo uma avaliação criteriosa da carcaça.
Outro exemplo é o projeto Valoriza Araguaia, que promove a retenção e a terminação de bezerros de alta qualidade na região do Vale do Araguaia, aumentando o valor do boi pronto para o abate.
Pedroso reforça que quem não investir em melhoramento genético vai perder dinheiro, pois a pecuária brasileira precisa elevar sua competitividade global.
A monta natural e o desafio da seleção de touros
Atualmente, quase 50 milhões de vacas são cobertas por monta natural, necessitando de 1,6 milhão de touros registrados. No entanto, os criadores comercializam apenas cerca de 98 mil touros por ano, criando um déficit na oferta de reprodutores de qualidade.
Para Abreu, o problema não está apenas na falta de touros PO (Puro de Origem), mas também na falta de conhecimento dos pecuaristas sobre a importância da seleção genética. Muitos criadores utilizam touros sem informação genealógica e sem avaliação de desempenho, comprometendo a evolução da pecuária nacional.
O futuro da pecuária depende da seleção genética
Apesar dos avanços em nutrição e tecnologia de terminação, a genética ainda é um dos maiores gargalos da pecuária brasileira. O peso médio à desmama, a idade ao primeiro parto e a eficiência alimentar precisam ser otimizados para que o setor aumente sua produtividade e rentabilidade.
A solução passa pelo incentivo ao uso de inseminação artificial, melhoria no acesso a touros geneticamente superiores e conscientização dos pecuaristas sobre a importância da seleção de reprodutores. Somente assim o Brasil poderá consolidar sua posição como líder global na produção de carne bovina de qualidade.
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