Brasil avança no café conilon com três novas cultivares inéditas registradas pela UFES

Novas cultivares de café conilon desenvolvidas pela universidade trazem diferenciais inéditos, como tolerância ao frio, adaptação regional e redução no teor de cafeína, abrindo novas oportunidades para a cafeicultura nacional.

A pesquisa brasileira em café acaba de alcançar mais um avanço importante. A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) obteve o registro de mais três novas cultivares de café conilon no Ministério da Agricultura, reforçando o protagonismo do Brasil no desenvolvimento genético de uma das culturas mais estratégicas do agronegócio nacional.

As novas variedades — Caxixe, Aimorés e Leve L80 — passam agora a integrar o Registro Nacional de Cultivares (RNC), elevando para 10 o número de cultivares registradas pela instituição, que hoje se consolida como a única universidade brasileira a coordenar registros de cultivares de café no país.

Novas cultivares trazem características inéditas ao setor

Segundo o pesquisador Fábio Luiz Partelli, coordenador dos estudos ligados ao programa de Agricultura Tropical e Melhoramento Genético da Ufes, cada uma das novas cultivares foi desenvolvida para atender desafios específicos da produção brasileira.

A cultivar Caxixe chama atenção por apresentar tolerância ao frio, característica considerada inédita para lavouras cultivadas em regiões de altitude no Espírito Santo. Os testes foram conduzidos a 1.100 metros de altitude, em Venda Nova do Imigrante (ES).

Já a Aimorés foi desenvolvida especialmente para o leste de Minas Gerais, tornando-se a primeira cultivar de café conilon criada especificamente para atender as condições produtivas daquela região.

Café conilon com menos cafeína abre novo nicho de mercado

O destaque mais curioso entre os registros é a cultivar Leve L80, primeira variedade de café conilon registrada com baixo teor de cafeína.

De acordo com a pesquisa, o material apresenta cerca de 1,33 grama de cafeína a cada 100 gramas de grão, aproximadamente 30% abaixo da média observada em outras variedades de conilon.

Na prática, isso pode abrir espaço para um novo nicho dentro do mercado cafeeiro brasileiro, especialmente entre consumidores que buscam bebidas com menor concentração de cafeína, sem abandonar características produtivas do robusta/conilon.

Melhoramento genético ganha peso estratégico no agronegócio

O avanço reforça como o melhoramento genético vem se tornando peça central dentro da cafeicultura brasileira, especialmente diante dos desafios ligados a mudanças climáticas, adaptação regional, produtividade e diferenciação de mercado.

Além dos três registros recém-aprovados, a Ufes informou que outros dois novos pedidos de cultivares devem ser protocolados ainda em 2026, ampliando o trabalho de pesquisa desenvolvido no Espírito Santo e consolidando novas alternativas para os produtores rurais.

Em um cenário cada vez mais competitivo, o desenvolvimento de variedades mais adaptadas pode se tornar um dos fatores decisivos para garantir produtividade, sustentabilidade e maior valor agregado ao café brasileiro.

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