Com crescimento de 5,25% e recorde de 2.866 aeronaves em 2025, setor aeroagrícola brasileiro reforça infraestrutura estratégica, impulsiona a liderança de Mato Grosso e marca a estreia de tecnologias autônomas no campo.
O setor aeroagrícola brasileiro encerrou o ano de 2025 com um desempenho que reafirma sua importância vital para a economia nacional. Segundo a Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025, o país atingiu a marca histórica de 2.866 aeronaves tripuladas em operação. Este volume representa um crescimento de 5,25% em relação ao último levantamento, evidenciando que a frota de aviões agrícolas no Brasil mantém uma trajetória de expansão sólida e ininterrupta na última década.
Os dados foram apresentados oficialmente nesta quarta-feira (24), durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, no Rio Grande do Sul. O relatório, elaborado pelo diretor operacional do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), Cláudio Júnior Oliveira, aponta que o setor deixou de ser apenas um suporte para se tornar uma infraestrutura estratégica do agronegócio brasileiro.
Profissionalização e a evolução da frota de aviões agrícolas
O crescimento observado não é apenas numérico, mas qualitativo. Gabriel Colle, diretor-executivo do Sindag, destaca que o setor atravessa uma modernização estrutural. De acordo com o executivo, o avanço da frota de aviões agrícolas reflete uma busca por maior profissionalização das operações e o fortalecimento de serviços especializados.
Atualmente, o Brasil ocupa a posição de vice-líder global no segmento, superado apenas pelos Estados Unidos, que contam com cerca de 3,6 mil aeronaves. Entretanto, o mercado brasileiro já é reconhecido pela General Aviation Manufacturers Association (Gama) como o principal destino internacional para novas aeronaves agrícolas, demonstrando um fôlego de renovação superior aos seus pares.
O mapa da liderança no campo
A distribuição geográfica das aeronaves segue a pujança das commodities nacionais. O estado de Mato Grosso lidera isoladamente, concentrando 803 aeronaves — o que equivale a 27,5% de toda a frota nacional. Na sequência, aparecem o Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320).
Um dado relevante do estudo é a migração de aeronaves do setor privado para as empresas de Serviços Aéreos Especializados (SAE). Entre 2023 e 2025, 119 aviões passaram a operar sob o regime de prestação de serviços, indicando que o produtor rural está priorizando a contratação de especialistas para garantir ganho de escala e conformidade regulatória.
Inovação e tecnologia na frota de aviões agrícolas
No campo tecnológico, a indústria nacional mantém seu protagonismo. A Embraer continua na liderança do mercado interno, impulsionada pelo sucesso do modelo Ipanema, movido a etanol. Contudo, há um crescimento notável de aeronaves turboélice estrangeiras, como as da Air Tractor, que atendem à demanda por maior capacidade de carga e rapidez em áreas extensas de soja, milho e algodão.
O ano de 2025 também marcou um ponto de inflexão para o futuro do setor: o registro do primeiro avião agrícola autônomo regulamentado no país, o Pyka Pelican. Embora ainda represente uma unidade solitária diante da vasta frota de aviões agrícolas tripulada, o Pelican simboliza o início de uma era de convivência entre a inteligência artificial e a perícia dos pilotos brasileiros, consolidando o país como o laboratório global da inovação no campo.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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