Boom na pecuária: Confinamento de bovinos cresce cerca de 16% em apenas um ano

Com 9,25 milhões de cabeças confinadas em 2025, atividade avança em meio à pressão por eficiência, tecnologia e sustentabilidade, consolidando novo ciclo de intensificação da pecuária no Brasil

O confinamento de bovinos vive um dos momentos mais expressivos de sua história recente no Brasil. Em meio a um cenário de alta produção de carne, recorde de exportações e forte pressão por eficiência, o sistema intensivo de terminação registrou um salto relevante em 2025. Dados do Censo de Confinamento da DSM, apontam que o país alcançou 9,25 milhões de cabeças confinadas, um crescimento de aproximadamente 16% em relação a 2024, consolidando um novo patamar para a atividade.

O número reforça a consolidação do confinamento de bovinos como ferramenta estratégica dentro do ciclo pecuário, especialmente em um período marcado por margens mais apertadas no boi gordo e maior valorização do bezerro.

Novo recorde histórico no confinamento de bovinos

O levantamento mostra que os 9,25 milhões de bovinos terminados em sistema intensivo em 2025 estão distribuídos em 2.445 propriedades, presentes em 1.095 municípios brasileiros .

Além do avanço anual de 16%, o histórico demonstra crescimento consistente ao longo da última década. Segundo dados apresentados no Censo 2025, o confinamento de bovinos vem ampliando sua participação ano após ano, acompanhando a profissionalização da pecuária e a adoção de tecnologias nutricionais e de gestão .

A evolução do número de cabeças confinadas confirma que o Brasil está cada vez mais dependente de sistemas intensivos para garantir previsibilidade de oferta e eficiência produtiva.

Concentração regional: quem lidera o ranking

Cinco estados concentram 72% do total de animais terminados em confinamento no país , evidenciando forte concentração da atividade nas principais regiões produtoras.

Ranking dos principais estados:

  • Mato Grosso – 2,2 milhões de cabeças (crescimento de 29,6%)
  • São Paulo – 1,4 milhão de cabeças (alta de 7,7%)
  • Goiás – 1,4 milhão de cabeças (avanço de 13,6%)
  • Mato Grosso do Sul – 900 mil cabeças
  • Minas Gerais – 800 mil cabeças

O protagonismo do Centro-Oeste permanece evidente, mas o Sudeste também mantém forte presença, principalmente pelo papel estratégico de São Paulo como polo industrial e logístico.

Boitel ganha força e amplia participação

O modelo de boitel — sistema em que o produtor terceiriza a terminação — também segue em expansão. Em 2025, ele respondeu por 1,75 milhão de cabeças, representando 19% do total confinado no Brasil, com leve crescimento em relação ao ano anterior .

Esse movimento sinaliza maior profissionalização da atividade, permitindo que pecuaristas foquem na cria e recria enquanto estruturas especializadas assumem a fase final de engorda.

Ciclo pecuário e pressão de mercado

O avanço do confinamento ocorre em um contexto peculiar do ciclo pecuário. Em 2025, o mercado enfrentou alta oferta de animais para abate, forte participação de fêmeas nos abates — chegando a 48% até o terceiro trimestre — e recordes de exportação, mas sem impulso suficiente para sustentar preços elevados da arroba.

Paralelamente, o bezerro mostrou valorização, indicando possível transição de ciclo, enquanto o confinamento passou a ser ferramenta estratégica para capturar eficiência e reduzir riscos.

Tecnologia, IA e gestão como motores do crescimento no confinamento de bovinos

O salto de 16% não pode ser explicado apenas pelo aumento de oferta. O crescimento está diretamente ligado à adoção de tecnologia, inteligência artificial e ferramentas de gestão.

O uso de plataformas digitais, softwares de monitoramento e soluções nutricionais específicas tem permitido maior previsibilidade de ganho de peso, melhor eficiência alimentar, redução de desperdícios e monitoramento em tempo real dos indicadores zootécnicos.

Segundo o Censo 2025, o avanço da intensificação produtiva está associado à combinação entre dados, nutrição de precisão e sustentabilidade, pilares cada vez mais exigidos pelo mercado .

Sustentabilidade entra definitivamente na conta

Outro fator relevante é a pressão por rastreabilidade e redução de emissões. Ferramentas voltadas à mensuração de pegada de carbono e redução de metano vêm ganhando espaço dentro da estratégia das propriedades.

O confinamento, quando bem manejado, permite melhor controle de dieta, menor tempo até o abate, potencial redução de emissões por quilo de carne produzida e maior padronização de carcaça.

Esse conjunto fortalece a posição do Brasil no mercado internacional, principalmente diante das exigências de Europa e Ásia.

O que esperar do confinamento de bovinos para 2026?

Com o país já ultrapassando a marca de 9 milhões de cabeças confinadas, o setor sinaliza que o crescimento pode continuar, mas com ajustes.

A tendência é que grandes confinamentos ampliem participação, a tecnologia seja diferencial competitivo, a gestão de custos determine a rentabilidade e o confinamento de bovinos siga como peça-chave na transição do ciclo pecuário.

O dado de 2025 confirma que o Brasil está cada vez mais estruturado para operar em escala e com eficiência. O confinamento deixou de ser alternativa e se consolidou como estratégia central da pecuária moderna.

Números-chave do Confinamento de Bovinos em 2025:

  • 9,25 milhões de cabeças confinadas
  • 16% de crescimento em um ano
  • 2.445 propriedades
  • 1.095 municípios
  • 72% concentrados em cinco estados
  • 1,75 milhão de cabeças em sistema de boitel (19%)

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