Este cenário é reflexo da escassez de oferta de animais prontos para o abate e da forte demanda, tanto interna quanto externa, por carne bovina. Boi gordo ultrapassa os R$ 300/@ e semana promete novo recorde.
O mercado físico do boi gordo vive um momento de alta valorização, com a arroba do boi gordo ultrapassando a marca dos R$ 300 em algumas regiões do país, conforme apontam as principais consultorias que acompanham as praças pecuárias diariamente. Este cenário é reflexo da escassez de oferta de animais prontos para o abate e da forte demanda, tanto interna quanto externa, por carne bovina. A seguir, detalhamos os principais fatores que estão impulsionando esse movimento de alta, suas implicações e as expectativas para o futuro.
Ilustrando o cenário descrito acima, o Indicador do Boi Gordo Cepea/B3 já acumula uma valorização 6,36% apenas na primeira semana de outubro. Com isso, segundo os dados divulgados pela instituição, os preços encerram a semana cotados a média de R$ 291,80/@ na sexta-feira (04). Veja abaixo o gráfico com o comportamento dos preços ao longo dos últimos doze meses.

Escassez de Oferta e Impacto nas Escalas de Abate
Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, os frigoríficos estão enfrentando dificuldades para avançar com as escalas de abate, que atualmente giram em torno de sete dias úteis em média no país, com estados como São Paulo apresentando escalas ainda mais curtas, de apenas cinco dias. Essa dificuldade em garantir oferta suficiente de gado para abate tem sido um dos principais fatores de pressão sobre os preços.
O período de entressafra, agravado pelo clima seco, diminuiu a qualidade das pastagens, resultando em uma menor oferta de animais prontos para o abate. Esse quadro, somado à demanda aquecida, especialmente para exportações, cria um cenário de valorização da arroba, com negócios pontuais já sendo fechados a R$ 300/@.
Ainda nesse cenário, pecuaristas já informaram negociações acima dessa referência média na última sexta-feira, conforme mostrou os dados divulgados com exclusividade o app da Agrobrazil, onde os próprios pecuaristas registram a negociações efetivadas. A imagem abaixo, enviada pelo app ao Compre Rural, mostra que o pecuarista de Batatais (SP), negociou boiada no valor de R$ 302,50/@ com pagamento a vista e abate programado para o dia 14 de outubro.

Demanda Externa e Exportações Aquecidas
O mercado de exportação tem sido um dos principais motores dessa alta no preço da arroba. O Brasil, como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, vê suas exportações em ritmo acelerado, o que pressiona ainda mais a demanda interna. As negociações voltadas para o mercado externo, especialmente para a China, estão sendo realizadas com valores superiores ao mercado interno, criando um ágio significativo.
De acordo com a Scot Consultoria, o “boi-China” (que segue padrões de exportação) está sendo negociado a R$ 285/@ no mercado paulista, representando um ágio de R$ 8 sobre o valor do boi comum, que foi cotado a R$ 277/@.
Alta Generalizada e Impactos Regionais
Além de São Paulo, outras regiões do país também registram aumento no valor da arroba. A consultoria Agrifatto aponta que oito das 17 praças monitoradas tiveram valorização. Nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, por exemplo, já foram reportados negócios a R$ 300/@ para o boi comum.
Entretanto, a Agrifatto ressalta que, devido ao baixo volume comercializado, esse preço ainda não se consolidou como referência no mercado. A média nacional da arroba, que inclui tanto o boi destinado à exportação quanto o comum, está em R$ 285/@.
Movimento de Alta no Mercado Atacadista
O ambiente de negócios no mercado atacadista de carne bovina também reflete a pressão de alta nos preços. Ao longo da semana, o quarto traseiro teve uma valorização expressiva de 10,26%, passando de R$ 19,50/kg para R$ 21,50/kg. O quarto dianteiro, por sua vez, subiu 8,91%, de R$ 15,15 para R$ 16,50/kg.
Esse aumento nos preços é explicado, em parte, pela entrada de salários na economia, o que incentiva a reposição ao longo da cadeia produtiva. Além disso, a demanda interna segue forte, com o consumo de carne bovina se mantendo em bons níveis, mesmo com a pressão inflacionária sobre os preços.
Perspectivas para o Futuro: Novos Recordes à Vista?
A tendência de alta no mercado do boi gordo parece longe de se estabilizar. Analistas indicam que, no curto prazo, novos recordes de preço podem ser alcançados, sustentados pela combinação de oferta reduzida e demanda elevada. O cenário de entressafra, com pastagens de baixa qualidade, deve continuar limitando a oferta de animais até o final do ano.
Por outro lado, o aumento significativo nos preços da carne bovina pode gerar ganho de competitividade para outras proteínas, como a carne de frango, que é mais acessível ao consumidor. A pressão inflacionária sobre a carne bovina, especialmente em períodos de alta, pode incentivar parte dos consumidores a buscar alternativas mais baratas, equilibrando, em parte, a demanda por carne bovina.
Volatilidade no Mercado Futuro
O mercado futuro de boi gordo, por sua vez, apresentou ajustes negativos no último dia 3 de outubro. O contrato para vencimento em outubro de 2024 fechou a R$ 286,80/@, representando uma queda de 0,74% em relação ao dia anterior. Essa oscilação é comum em períodos de alta volatilidade, como o que o mercado de carne bovina atravessa atualmente.
Conclusão
O mercado de boi gordo no Brasil vive um momento histórico, com preços ultrapassando os R$ 300/@ em algumas regiões. A escassez de oferta, somada à forte demanda interna e externa, especialmente para exportações, pressiona os preços para cima. Embora os produtores estejam se beneficiando com as valorizações, o mercado também enfrenta desafios, como a possível migração de parte dos consumidores para proteínas mais acessíveis. O cenário atual indica que novos recordes de preço estão a caminho, com expectativas de alta no curto prazo.
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