Boi gordo tem novas altas, supera R$ 337/@ em importantes praças e reforça viés de valorização

Oferta restrita de animais terminados, exportações aquecidas e escalas curtas sustentam o avanço das cotações da arroba do boi gordo e elevam expectativas para o curto prazo

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar movimentos consistentes de valorização nos primeiros dias de fevereiro, com negócios acima das referências tradicionais e preços já superando a marca dos R$ 337 por arroba em algumas regiões estratégicas do país. O cenário é resultado direto da combinação entre oferta limitada de boiadas prontas para abate, dificuldade das indústrias em alongar escalas e uma demanda firme — principalmente no mercado externo.

Segundo análise de mercado, o ambiente atual indica continuidade do viés de alta no curto prazo, reforçando o momento positivo para o pecuarista que conseguiu reter animais e planejar a comercialização.

Oferta curta e exportações impulsionam preços do boi gordo

O mercado voltou a se deparar com preços mais altos, reflexo da restrição na disponibilidade de animais e da dificuldade dos frigoríficos em avançar nas escalas de abate.

Além disso, a demanda segue aquecida — especialmente nas exportações — com desempenho relevante dos embarques brasileiros para destinos como Estados Unidos, Europa e China, fatores que ajudam a sustentar o ritmo de valorização.

Esse contexto é particularmente importante para o ciclo pecuário atual, no qual a recomposição do rebanho e a retenção de fêmeas ainda limitam a oferta estrutural de animais terminados.

Negócios já encostam nos R$ 340/@

Levantamento da consultoria aponta que todas as categorias de abate registraram alta de R$ 3/@ em São Paulo, alcançando (valores brutos, a prazo):

  • Boi gordo: R$ 330/@
  • Boi China: R$ 337/@
  • Vaca gorda: R$ 307/@
  • Novilha terminada: R$ 320/@

Ainda de acordo com os dados, foram observados negócios acima da referência, com compras chegando a R$ 340/@, embora de forma pontual e em volumes menores. O avanço evidencia um mercado comprador mais ativo diante da necessidade de recompor estoques industriais.

Veja as médias da arroba nas principais praças

Os preços do boi gordo seguem firmes em importantes estados pecuários:

  • São Paulo: R$ 335,00 (ante R$ 333,50)
  • Goiás: R$ 319,29 (ante R$ 316,79)
  • Minas Gerais: R$ 320,29 (ante R$ 319,12)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 318,52
  • Mato Grosso: R$ 312,50

A evolução mostra um mercado homogêneo, com reajustes espalhados pelo cinturão produtivo do país.

O mercado físico iniciou fevereiro com preços firmes e tendência de alta, cenário associado à limitação das escalas, que giram entre quatro e cinco dias úteis na média nacional.

Outro ponto relevante é que a oferta de animais terminados deve continuar restrita, especialmente enquanto as pastagens mantiverem boas condições nutricionais em grande parte do Centro-Norte brasileiro. Na prática, isso reduz a pressão de venda e fortalece o poder de negociação do pecuarista.

Atacado resiliente mesmo com consumo doméstico mais fraco

No atacado, os preços da carne bovina permanecem acomodados, mas sustentados pelo baixo nível de estoques nas indústrias, comportamento considerado atípico para um período tradicionalmente marcado por consumo mais frágil.

Outro fator de suporte é que a queda das proteínas concorrentes — como frango e suínos — ainda não foi totalmente repassada ao varejo, mantendo a carne bovina em um ambiente de firmeza.

Referências do atacado:

  • Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg
  • Ponta de agulha: R$ 18,00/kg

Demanda interna melhora e exportação segue como motor

O mercado interno mostra melhora no escoamento neste início de fevereiro, enquanto a exportação continua em bom ritmo — combinação que estreita a margem de negociação abaixo das referências.

Esse equilíbrio entre demanda doméstica e externa ajuda a explicar por que, mesmo com oscilações macroeconômicas, o boi gordo mantém trajetória ascendente.

O dólar comercial encerrou a sessão próximo de R$ 5,25, após oscilar entre R$ 5,21 e R$ 5,26 ao longo do dia — patamar que tende a preservar a competitividade da carne brasileira no mercado internacional.

O que esperar do mercado do boi gordo?

O conjunto de fatores aponta para um cenário de preços sustentados e possibilidade de novos avanços, especialmente se a oferta continuar limitada, as exportações mantiverem ritmo forte e as escalas permanecerem encurtadas. Para o pecuarista, o momento reforça a importância do planejamento de venda e da gestão estratégica da terminação, já que o mercado demonstra capacidade de pagar mais por animais prontos — sobretudo os que atendem padrões de exportação.

Se a atual dinâmica persistir, a arroba acima de R$ 337 pode deixar de ser exceção e se tornar referência em diversas praças, consolidando uma fase mais positiva do ciclo da pecuária de corte brasileira.

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