Boi gordo tem nova referência e máxima de R$ 350/@ com pressão dos pecuaristas na oferta

Escassez de animais terminados, exportações aquecidas e dificuldade dos frigoríficos em preencher escalas sustentam movimento de alta no mercado do boi gordo e indicam possibilidade de novos reajustes no curto prazo

O mercado do boi gordo iniciou fevereiro sob forte valorização, consolidando uma nova referência de preços em diversas regiões do país e alcançando negócios que já encostam na máxima de R$ 350 por arroba, conforme mostrou o Compre Rural (veja aqui). O avanço ocorre em um ambiente marcado pela restrição na oferta de animais prontos para abate, ao mesmo tempo em que a demanda — tanto interna quanto externa — permanece aquecida.

Segundo análises do setor, os frigoríficos enfrentam severas dificuldades para compor suas escalas de abate, fator que reforça a tendência de continuidade do movimento de alta no curtíssimo prazo. Além disso, o ritmo acelerado das exportações para grandes compradores internacionais tem exercido papel decisivo na sustentação dos preços.

Oferta curta e pecuarista mais firme nas negociações no mercado do boi gordo

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar negociações acima da média justamente porque a disponibilidade de boiadas gordas segue limitada. Esse cenário dá maior poder de barganha ao produtor, que passa a segurar os animais à espera de valores mais atrativos — movimento típico de fases mais positivas do ciclo pecuário.

Dados da Scot Consultoria mostram que o “boi-China” negociado em São Paulo atingiu R$ 340/@, abrindo um ágio de R$ 8/@ sobre o animal destinado ao mercado doméstico, cotado em R$ 332/@.

Para analistas, o mercado deve seguir firme ao longo de fevereiro, com potencial para novos ajustes positivos.

Pastagens favorecem retenção e reduzem pressão de venda

Outro fator determinante para o aperto na oferta é o clima. As boas condições das pastagens após períodos de chuvas têm permitido ao pecuarista manter o gado no campo por mais tempo, cadenciando a comercialização.

Ao mesmo tempo, o alto preço da reposição — especialmente do bezerro — tem desestimulado o abate de fêmeas, contribuindo para um mercado mais enxuto e dificultando a vida dos frigoríficos que precisam preencher rapidamente suas programações. Dados do setor também indicam que o abate sob inspeção federal e a participação das fêmeas diminuíram em janeiro, ajudando a sustentar as cotações.

Frigoríficos elevam preços para garantir boiada

Com menor disponibilidade de animais terminados — sobretudo no Centro-Norte — as indústrias têm sido forçadas a elevar os preços de balcão e intensificar negociações diretas para assegurar o abastecimento. A expectativa é de uma demanda doméstica mais aquecida na primeira quinzena do mês, impulsionada pela entrada dos salários na economia, enquanto as exportações devem repetir o bom desempenho recente.

No cenário global, os preços da carne bovina estão em patamares elevados, o que mantém o Brasil competitivo como fornecedor em preço e volume.

Médias da arroba já sobem nas principais praças

Levantamento recente mostra avanço consistente nas cotações do boi gordo:

  • São Paulo: R$ 339,42 (ante R$ 337,83)
  • Goiás: R$ 322,75
  • Minas Gerais: R$ 322,35
  • Mato Grosso do Sul: R$ 322,50
  • Mato Grosso: R$ 315,14

No atacado, os preços da carne também demonstram firmeza, reflexo da oferta discreta neste início de ano.

Entre os cortes:

  • Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg

Outro ponto relevante é que o varejo não tem repassado integralmente a queda das proteínas concorrentes, como frango e suíno, ajudando a sustentar o preço da carne bovina.

Exportações recordes reforçam viés de alta

O ambiente externo segue altamente favorável. O Brasil registrou o melhor janeiro da história nas exportações de carne bovina, com 264 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 1,404 bilhão, crescimento de 26,1% em volume e 40,2% em valor na comparação anual. A China liderou as compras, respondendo por cerca de 46% do volume, enquanto os Estados Unidos ocuparam a segunda posição — juntos, os dois países representaram aproximadamente 60% do faturamento do período.

Para a indústria exportadora, a diversificação de destinos e a capacidade brasileira de atender grandes volumes ajudam a sustentar o ritmo dos embarques e a presença do produto nos principais mercados globais.

O que esperar do mercado agora

A combinação de oferta controlada, demanda consistente e exportações aquecidas cria um ambiente típico de valorização — e que pode levar a arroba a testar patamares ainda mais elevados nas próximas semanas. Se a retenção de animais continuar e os frigoríficos mantiverem escalas curtas, o mercado tende a seguir pressionado para cima, consolidando uma nova fase de preços mais altos para o boi gordo.

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