Oferta restrita de animais terminados, exportações aquecidas e escalas curtas sustentam o viés altista do mercado; analistas já apontam a arroba de R$ 350 como referência para os animais com padrão exportação
O mercado do boi gordo segue mostrando força em 2026 e reforçando um cenário de preços firmes nas principais regiões produtoras do país. Após semanas de valorização gradual, a arroba do chamado “boi China” — padrão exportação — já aparece como referência próxima de R$ 350/@ nas negociações, refletindo uma combinação de oferta enxuta e demanda consistente, tanto no mercado interno quanto no externo.
Levantamentos recentes indicam que o movimento de alta não é pontual. Pelo contrário, trata-se de um ciclo sustentado por fundamentos sólidos, que incluem escalas de abate encurtadas, exportações robustas e maior poder de barganha do pecuarista.
Mercado físico do boi gordo mantém trajetória de alta
O mercado físico voltou a registrar elevação nos preços, mantendo a tendência observada nas últimas semanas. Segundo análise da Safras & Mercado, o ambiente de negócios ainda sugere continuidade do movimento no curtíssimo prazo, principalmente devido à restrição na oferta de bovinos prontos para abate.
Além disso, a demanda permanece aquecida, com embarques em níveis elevados e forte participação de compradores internacionais, especialmente China e Estados Unidos, neste início de temporada.
Esse cenário reforça a leitura de que a indústria enfrenta dificuldades para alongar suas programações, fator que costuma pressionar as cotações para cima.
Os preços médios da arroba do boi gordo seguem em patamares elevados, confirmando o momento favorável ao produtor:
- São Paulo: R$ 345,00
- Goiás: R$ 324,29
- Minas Gerais: R$ 328,82
- Mato Grosso do Sul: R$ 328,07
- Mato Grosso: R$ 316,89
Mesmo com diferenças regionais, o comportamento é semelhante: pouca oferta e frigoríficos disputando lotes terminados.
São Paulo puxa referência e se aproxima dos R$ 350
No maior polo formador de preços do país, a valorização foi ainda mais evidente. Analistas da Scot Consultoria identificaram alta de R$ 2/@ para o boi gordo destinado ao mercado interno, elevando a remuneração do pecuarista paulista para cerca de R$ 337/@ na modalidade a prazo.
Já o boi padrão exportação é negociado ao redor de R$ 350/@, enquanto vacas e novilhas gordas giram em torno de R$ 315/@ e R$ 325/@, respectivamente.
O dado mais relevante, porém, é a projeção das consultorias: novas referências de preços já se consolidaram na maioria das regiões brasileiras, e a arroba em São Paulo tende a se aproximar de R$ 350 no curto prazo.
Oferta curta e demanda sólida explicam a escalada no preço do boi gordo
O viés altista vem sendo observado desde meados de janeiro, impulsionado principalmente pela restrição na oferta de animais terminados, que resultou em escalas de abate ao redor de cinco dias na média nacional.
Essa combinação — pouca boiada disponível e consumo firme — força reajustes e sustenta valores elevados nas principais praças pecuárias.
Outro fator relevante ocorre “dentro da porteira”: a recuperação das pastagens, favorecida pelas chuvas, permite ao produtor reter o gado por mais tempo, escalonando as vendas e ampliando o poder de negociação frente à indústria.
Atacado ainda busca repasses
No mercado atacadista, os preços ainda mostram acomodação, mas a expectativa é de alguma alta no curto prazo, acompanhando a entrada de salários na economia e o aumento do consumo típico da primeira quinzena do mês.
O retorno às aulas também aparece como vetor adicional de demanda, enquanto o setor acompanha o comportamento das proteínas concorrentes, que seguem pressionadas e ainda sem repasses completos ao consumidor final.
Atualmente, os cortes bovinos apresentam as seguintes referências:
- Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
- Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
- Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg
Câmbio e exportações reforçam competitividade
O dólar comercial encerrou a sessão próximo de R$ 5,19, fator que mantém a carne bovina brasileira competitiva no mercado internacional e contribui para o ritmo forte das exportações.
Com isso, a indústria exportadora tende a continuar mais agressiva na compra de gado, sobretudo o padrão China — justamente o que puxa a referência próxima dos R$ 350.
A arroba pode subir ainda mais?
Os fundamentos atuais indicam um mercado estruturalmente firme no curto prazo. Oferta limitada, exportações aquecidas e maior capacidade de retenção por parte do pecuarista formam uma base consistente para novas valorizações.
No entanto, o ritmo dessa alta dependerá de alguns pontos-chave:
- intensidade das exportações ao longo do trimestre;
- comportamento do consumo interno;
- evolução das escalas de abate;
- eventual aumento da oferta com a virada de ciclo.
Se o quadro atual persistir, a arroba de R$ 350 deixa de ser apenas expectativa e pode se consolidar como novo patamar de negociação — especialmente nas praças mais demandadas.
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