Boi gordo segue firme acima de R$ 360/@ mesmo com ajuste de maio e mercado descarta crise

Mesmo com pressão das indústrias e recuo pontual no “boi-China”, mercado do boi gordo segue sustentado por oferta restrita, exportações aquecidas e demanda ativa por animais prontos para abate

O mercado do boi gordo iniciou maio sob pressão em algumas praças pecuárias brasileiras, mas a leitura de consultorias e analistas do setor está longe de apontar uma crise estrutural. Para Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, o movimento atual representa um ajuste sazonal típico deste período do ano, marcado por negociações mais lentas após as fortes altas registradas nos últimos meses.

A avaliação ocorre em meio à redução de R$ 2/@ no preço do “boi-China” em São Paulo, que passou a ser negociado em R$ 360/@ no prazo bruto, conforme levantamento divulgado pela Scot Consultoria nesta quarta-feira (6).

Apesar do recuo, o cenário ainda é considerado firme pela maior parte dos agentes do mercado. A principal razão está na combinação entre oferta restrita de animais terminados, exportações ainda fortes e dificuldade da indústria em alongar escalas de abate sem pagar mais por lotes específicos.

A queda da arroba em maio é ajuste, não crise”, resume Felipe Fabbri, reforçando que o mercado passa por uma acomodação natural após atingir patamares historicamente elevados.

Segundo a Scot Consultoria, frigoríficos com escalas mais confortáveis reduziram temporariamente a necessidade de compras imediatas, aumentando a pressão sobre as cotações em algumas regiões. No entanto, o próprio mercado físico ainda demonstra sinais claros de sustentação.

A Agrifatto, por exemplo, destacou que a boiada pronta para abate segue escassa e valorizada, principalmente quando há necessidade de entrega rápida para compor escalas no curto prazo.

Na prática, isso significa que, embora existam tentativas de compra em valores menores, pecuaristas com animais jovens, padronizados e habilitados para exportação ainda conseguem negociar acima da média do mercado.

Exportações continuam dando sustentação ao boi gordo

Outro fator importante para entender o atual comportamento da arroba está no mercado externo. As exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo elevado em 2026, especialmente para a China, principal destino da proteína nacional.

O analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, destacou que o mercado acompanha atentamente a evolução da chamada “cota chinesa” de 1,1 milhão de toneladas, que pode ser preenchida antes do esperado.

Mesmo com essa preocupação, o fluxo de embarques segue forte e ainda oferece suporte relevante aos preços da arroba.

Além disso, o consumo interno também ganhou um reforço pontual com o período do Dia das Mães, tradicionalmente uma das datas mais importantes para o varejo de carnes no primeiro semestre. Segundo Iglesias, isso ajudou a reduzir a intensidade das quedas nas negociações desta semana.

Escalas mais curtas em Mato Grosso acendem alerta na indústria

Embora parte dos frigoríficos tenha conseguido alongar escalas temporariamente, o comportamento não é uniforme em todo o país.

Em Mato Grosso, por exemplo, a Safras & Mercado identificou justamente o movimento contrário: encurtamento das escalas de abate e necessidade de reajuste nas compras por parte da indústria frigorífica.

O cenário reforça a percepção de que a oferta de animais terminados continua limitada em várias regiões produtoras, especialmente diante da retenção de fêmeas e da menor disponibilidade de gado pronto após o avanço do ciclo pecuário.

Pecuarista segue resistente a vender abaixo da média

Do lado do produtor rural, o sentimento predominante ainda é de cautela, mas não de desespero. A leitura no campo é de que existe demanda ativa e espaço para negociações diferenciadas em lotes específicos, principalmente no mercado do boi-China.

A própria Agrifatto observou que muitos pecuaristas seguem resistentes em aceitar preços menores, justamente porque a disponibilidade de animais padrão-exportação continua relativamente apertada.

Em São Paulo, referência nacional para a arroba, o boi gordo comum segue cotado em torno de R$ 355/@, enquanto o “boi-China” permanece próximo de R$ 360/@.

Já os preços médios levantados pela Safras & Mercado apontam:

  • São Paulo: R$ 352,83/@ – R$ 365,00/@
  • Goiás: R$ 338,79/@
  • Minas Gerais: R$ 339,06/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 348,52/@
  • Mato Grosso: R$ 355,00/@

Mercado futuro recua, mas sem indicar mudança estrutural no boi gordo

Na B3, os contratos futuros do boi gordo também registraram queda nesta semana, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário de curto prazo. O contrato para julho de 2026 encerrou o pregão cotado a R$ 336,10/@, com baixa de 1,29%.

Ainda assim, analistas destacam que o movimento atual está muito mais ligado a ajustes técnicos e à sazonalidade de maio do que a uma reversão definitiva do mercado.

A avaliação predominante entre consultorias é de que o setor segue sustentado por fundamentos importantes, como exportações aquecidas, oferta relativamente controlada e dificuldade da indústria em originar animais prontos sem pagar prêmios em negociações pontuais.

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