Boi gordo perde força e arroba recua até R$ 7 em uma semana em São Paulo

Pressão dos frigoríficos, maior oferta de boiadas e incertezas no mercado externo derrubam as cotações da arroba; boi-China também sente o impacto

O mercado do boi gordo encerrou a semana sob forte pressão no Brasil. Em São Paulo, principal praça de referência da pecuária nacional, a arroba acumulou queda de R$ 7 em apenas uma semana, refletindo um cenário de maior oferta de animais terminados, escalas de abate mais confortáveis e cautela dos frigoríficos nas compras.

De acordo com dados da Scot Consultoria, o boi destinado ao mercado interno paulista fechou a sexta-feira cotado a R$ 348/@, enquanto o chamado boi-China recuou para R$ 353/@, em valores brutos e a prazo. Na comparação semanal, ambas as categorias perderam R$ 7 por arroba, mostrando que a pressão baixista atingiu tanto os animais comuns quanto os lotes com padrão de exportação.  

A queda também foi observada em outras praças importantes. Segundo levantamento da Safras & Mercado, os preços médios do boi gordo ficaram em R$ 345,42 em São Paulo, R$ 327,68 em Goiás, R$ 325,59 em Minas Gerais, R$ 345,45 em Mato Grosso do Sul e R$ 352,57 em Mato Grosso.  

Frigoríficos compram menos e pressionam a arroba

O movimento de baixa está diretamente ligado à postura da indústria. Com escalas de abate mais alongadas, parte dos frigoríficos reduziu o ritmo de compras ou se ausentou momentaneamente do mercado, aguardando oportunidades para negociar lotes em patamares mais baixos.

Na avaliação da Scot Consultoria, parte das indústrias já compôs suas escalas e passou a comprar apenas quando encontra preços mais vantajosos. Esse comportamento aumenta a pressão sobre o pecuarista, especialmente em um momento de maior disponibilidade de boiadas.  

Do lado das fazendas, o avanço da safra do boi de capim também pesa. Com a perda gradual da qualidade das pastagens, muitos produtores encontram menos espaço para segurar os animais, elevando a oferta ao mercado justamente em um período de consumo interno mais fraco.  

China, Estados Unidos e União Europeia aumentam a cautela

Além da pressão interna, o mercado externo trouxe uma dose extra de incerteza. O setor acompanha com atenção o andamento das compras da China, o comportamento dos Estados Unidos em relação às importações de carne bovina e as novas exigências da União Europeia.

Segundo análise citada pela DBO, o Ministério do Comércio da China informou que o Brasil já preencheu 50% da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina prevista para o ano. Quando essa cota atingir 100%, as exportações brasileiras passarão a ser tarifadas em 55%, fator que pode mudar a estratégia dos exportadores e afetar a compra de boiadas no mercado físico.  

Mesmo assim, as exportações seguem em ritmo forte. Em abril, os embarques foram recordes para o mês, e, na primeira semana de maio, a média diária de carne bovina in natura exportada chegou a 17,2 mil toneladas, volume 65,5% superior ao registrado em maio de 2025.  

Atacado estável, mas consumo preocupa

No mercado atacadista, os preços ficaram estáveis na sexta-feira. Segundo a Safras & Mercado, o quarto traseiro foi cotado a R$ 27,50/kg, o quarto dianteiro a R$ 21,50/kg e a ponta de agulha a R$ 20/kg.  

Apesar da estabilidade pontual, a expectativa é de cautela para a segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por menor apelo ao consumo. A carne bovina também enfrenta menor competitividade frente a proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango.

O que esperar agora?

No curto prazo, o viés ainda é de pressão sobre a arroba. Com frigoríficos confortáveis, maior oferta de animais e consumo interno mais lento, o mercado físico tende a seguir testando preços menores.

Para o pecuarista, o momento exige atenção redobrada às escalas regionais, ao padrão dos lotes e ao comportamento das exportações. Já para a indústria, o cenário abre espaço para negociações mais favoráveis, principalmente nas praças onde a oferta de boiadas segue mais abundante.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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