Mercado do boi gordo mantém alta dos preços da arroba que, com exportações batendo recordes e demanda interna aquecida, já acumula uma alta superior a R$ 40/@; Virada do mês e pagamentos de salário devem trazer ainda mais otimismo ao pecuarista.
Na sexta-feira (27), o mercado físico do boi gordo registrou uma nova alta nos preços, com uma tendência de continuação desse movimento no curto prazo, revelaram as consultorias que acompanham as principais praças pecuárias pelo país. No comparativo dos últimos 30 dias úteis, o Indicador do Boi Gordo Cepea/B3, teve uma valorização superior a R$ 40,00/@ com o reflexo da entressafra de animais prontos para abate.
Nesse cenário, continuam as consultorias, as indústrias enfrentam dificuldades para expandir suas escalas de abate, mesmo com a demanda aquecida, tanto no mercado externo quanto no doméstico. O analista Allan Maia, da Safras & Mercado, destaca que o cenário climático, com a falta de chuvas afetando a qualidade das pastagens, também contribuiu para essa limitação na oferta de animais.
Preços da arroba em alta
“A demanda no geral permanece aquecida, com exportações muito representativas, em um ano que certamente será pautado por um recorde de embarques. Por sua vez, a demanda doméstica também está aquecida, considerando a atual taxa de ocupação da economia brasileira. Neste caso, o impacto do 13º salário na atividade econômica será amplo na atual temporada”, destacou a consultoria.
Nas praças paulistas, a arroba do boi-China atingiu R$ 280/@, com uma valorização de R$ 2/@ em apenas um dia. O boi gordo “comum” também subiu R$ 2/@, chegando a R$ 270/@. Já a vaca gorda registrou um aumento mais expressivo, com alta de R$ 5/@, alcançando R$ 245/@. Em Minas Gerais, a arroba do boi-China está cotada a R$ 265,00, enquanto no Mato Grosso do Sul, os valores são ainda mais elevados, com média de R$ 275,00/@ para o boi-China e boi “comum”.
Preços médios da arroba do boi a prazo nas principais praças pecuárias do país
- São Paulo: até R$ 280,00/@ a prazo
- Minas Gerais: R$ 270,00/@
- Goiânia (GO): R$ 260/@
- Mato Grosso do Sul: na região de Campo Grande, até R$ 270/@
- Mato Grosso: em Rondonópolis, até R$ 235/@
Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, reforça que as últimas sete semanas foram marcadas por altas contínuas na cotação do boi gordo. Ele prevê que o cenário de demanda firme e exportações aquecidas deve sustentar os preços até o final do ano e início de 2025. Para Fabbri, após um longo período de preços pressionados, o pecuarista finalmente vê uma recuperação: “Parece que chegou a hora de subirmos a escada para os próximos andares”, comenta.
O Indicador do Cepea/B3, fechou a última sexta-feira com uma valorização mensal de 14,24% e, com isso, alcançou o valor de R$ 273,90/@. Conforme o gráfico abaixo, é possível observar a escalada dos preços ao longos dos últimos dias, reflexo dos fatores listados acima.

Exportações em ritmo recorde
O setor de exportação de carne bovina segue com um desempenho excepcional. Até a terceira semana de setembro, o Brasil já havia exportado 185,5 mil toneladas de carne bovina in natura, uma média diária 26,8% superior ao mesmo período de 2023. A Agrifatto projeta que o mês fechará com 240 mil toneladas exportadas, um novo recorde histórico, superando as 237,27 mil toneladas de julho de 2024. Em agosto, o país já havia registrado o melhor desempenho da história para o mês, com 217,46 mil toneladas enviadas ao exterior.
Demanda doméstica aquecida
No mercado interno, a demanda continua robusta. A proximidade da primeira quinzena de outubro, período de maior apelo ao consumo devido à entrada dos salários, reforça a expectativa de preços firmes. A injeção do 13º salário também deve impulsionar a economia no final do ano, beneficiando o setor de carnes. Ainda assim, as proteínas concorrentes, como o frango, ganham competitividade, devido aos preços elevados da carne bovina.
Oferta restrita e escalas de abate curtas
Mesmo com o avanço nos preços, a oferta de animais prontos para o abate segue restrita. As escalas de abate nas principais praças do país giram em torno de 5 a 7 dias úteis, refletindo a dificuldade das indústrias em adquirir gado suficiente para atender à demanda. Com a expectativa de aumento nas exportações e uma oferta interna limitada, o mercado futuro aponta para a continuidade de preços elevados.
Impacto do clima nas pastagens
A seca prolongada em várias regiões do país prejudicou a qualidade das pastagens, o que pressionou ainda mais a oferta de animais terminados. Segundo Maia, a dependência dos animais confinados será crucial para atender à demanda no final do ano, especialmente com as exportações em ritmo recorde.
Cortes bovinos também sobem
No mercado atacadista, os preços dos cortes bovinos também subiram. O dianteiro do boi registrou aumento de 12,22% em setembro, enquanto o quarto traseiro subiu 10,56%, consolidando o cenário de firmeza nos preços ao longo do mês.
Dessa forma, com exportações batendo recordes e o mercado interno aquecido, o boi gordo segue em trajetória de valorização, trazendo otimismo para o setor pecuário após um longo período de dificuldades. A combinação de demanda aquecida e oferta restrita de animais deve manter os preços firmes nos próximos meses, beneficiando tanto exportadores quanto pecuaristas que enfrentaram anos de desvalorização.
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