Oferta restrita de animais terminados, exportações aquecidas e poder de barganha dos pecuaristas sustentam a escalada dos preços da arroba nas principais praças brasileiras.
O mercado pecuário brasileiro mantém um ritmo firme de valorização do boi gordo (e outras categorias), reforçando o cenário de alta observado desde o início do ano. Em diversas regiões produtoras, os negócios já ocorrem acima das referências médias, sinalizando um ambiente de maior competitividade entre frigoríficos e fortalecendo o posicionamento dos vendedores.
A principal explicação para esse movimento está na restrição de oferta de gado pronto para abate, considerada atualmente a variável mais relevante do mercado. A baixa disponibilidade de animais nas principais regiões produtoras tem dificultado a formação das escalas industriais, que operam, em média, entre cinco e seis dias úteis — patamar considerado apertado para o setor.
Ao mesmo tempo, o desempenho das exportações segue em nível elevado e atua como um importante motor de demanda, contribuindo para manter a arroba em trajetória ascendente.
Cotações do boi gordo mostram avanço nas principais praças
Os preços médios da arroba confirmam o movimento consistente de valorização:
- São Paulo: R$ 345,67 (ante R$ 343,58)
- Goiás: R$ 325,54 (ante R$ 324,29)
- Minas Gerais: R$ 330,18 (ante R$ 328,82)
- Mato Grosso do Sul: R$ 328,52 (ante R$ 328,07)
- Mato Grosso: R$ 317,97 (ante R$ 316,89)
No atacado, os cortes permaneceram estáveis, com o quarto traseiro cotado a R$ 26,50/kg, enquanto a ponta de agulha e o quarto dianteiro seguem em R$ 19,50/kg, indicando equilíbrio entre oferta e consumo na cadeia da carne bovina.
São Paulo lidera alta e “boi-China” se destaca
Na praça paulista, o mercado abriu a semana com novos reajustes. O boi comum subiu mais R$ 3 por arroba, enquanto o chamado “boi-China” — abatido mais jovem, com até 30 meses — chegou a R$ 345/@, com negociações a R$ 350/@ sendo comum entre as praças. Já a vaca foi negociada a R$ 315/@ e a novilha a R$ 330/@, todos valores brutos e com prazo.
Entre 17 praças monitoradas, nove registraram valorização, incluindo estados como São Paulo, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Tocantins. Nas demais regiões, predominou a estabilidade, sinalizando que novas referências de preço começam a se consolidar no mercado nacional.
Negócios pontuais chegaram ainda mais longe: houve registros de arroba a R$ 350 em São Paulo, com prazo de pagamento de sete dias — um indicativo do apetite comprador em momentos de menor oferta.
Pecuarista ganha poder de negociação da arroba
Outro fator relevante é a melhora das pastagens, favorecida pelas chuvas. Esse cenário permite ao produtor reter o gado por mais tempo, escalonar as vendas e negociar o boi gordo em condições mais favoráveis.
Com o mercado pouco ofertado e os vendedores controlando o ritmo de comercialização, as indústrias acabam sendo pressionadas a pagar mais para cumprir contratos de fornecimento de carne.
Desde meados de janeiro, a combinação de oferta reduzida e demanda firme — tanto interna quanto externa — tem sustentado os preços e limitado as escalas de abate a cerca de cinco dias, reforçando o viés altista.
Mercado futuro confirma tendência
O comportamento positivo não se restringe ao físico. Na B3, os contratos do boi gordo acumulam ganhos consecutivos, com o vencimento para março de 2026 encerrando o pregão a R$ 345/@, alta de 0,31% frente ao dia anterior.
Câmbio também entra no radar
O dólar comercial terminou a sessão com leve queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1866 para venda, após oscilar entre R$ 5,1695 e R$ 5,2040 ao longo do dia. A movimentação da moeda segue sendo um componente estratégico, especialmente para a competitividade das exportações brasileiras.
Perspectiva: alta ainda tem espaço?
O conjunto de indicadores aponta para um mercado estruturalmente firme no curto prazo. Oferta curta, exportações robustas e retenção de animais formam uma base sólida para a manutenção dos preços elevados — ainda que oscilações pontuais possam ocorrer conforme a reposição avance ou as escalas industriais ganhem conforto.
Para o pecuarista, o momento reforça a importância de estratégias comerciais bem planejadas. Já para a indústria, o desafio será equilibrar margens em um ambiente de matéria-prima mais cara e demanda aquecida.
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