O comportamento agressivo dos frigoríficos exportadores é um dos pilares dessa alta que, com a combinação de exportações aquecidas, escalas curtas, aumento sazonal do consumo e contexto macroeconômico favorável, cria um ambiente propício para a valorização do boi gordo, que se aproxima da marca dos R$ 360/@.
Nesta segunda-feira (18), o mercado físico do boi gordo registrou nova alta nos preços, com negócios acima das médias de referência em diversas regiões do país. Apesar de uma leve evolução nas escalas de abate, que permanecem curtas, com média de cinco dias úteis, o comportamento dos frigoríficos exportadores tem se mostrado decisivo.
Segundo análise da Safras & Mercado, a combinação de um câmbio favorável com a valorização das carnes no mercado internacional torna as exportações extremamente lucrativas, incentivando uma postura agressiva na aquisição de animais, conforme destaca o analista Fernando Henrique Iglesias.
O mercado físico do boi gordo vive um momento de forte valorização, com o indicador CEPEA/B3 registrando sucessivos aumentos ao longo de novembro. Nesta segunda-feira (18), a arroba atingiu R$ 344,20 no estado de São Paulo, marcando uma alta de 8,04% no mês e 0,58% no dia, conforme dados do CEPEA. Este cenário otimista aponta para um possível alcance de R$ 360/@ em breve, sustentado por uma combinação de fatores favoráveis.
Fatores que impulsionam o mercado do boi gordo
O comportamento agressivo dos frigoríficos exportadores é um dos pilares dessa alta. Com escalas de abate ainda curtas, variando entre 4 e 6 dias úteis na média nacional, a necessidade de compra imediata força a elevação dos preços. Segundo Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, a desvalorização cambial e o aumento dos preços internacionais da carne tornam as exportações extremamente vantajosas, estimulando um maior apetite por gado.
Além disso, a demanda interna também desempenha um papel importante. Com a proximidade das festas de fim de ano e a injeção do 13º salário, espera-se um aumento no consumo de carne bovina no mercado doméstico, como aponta Ygor Maggiori, analista da Scot Consultoria.
Preços da arroba de boi gordo pelas principais praças pecuárias do país
- São Paulo: R$ 350,00/@
- Goiás: R$ 340,00/@
- Minas Gerais: R$ 335,00/@
- Mato Grosso do Sul: R$ 330,00/@
- Mato Grosso: R$ 330,00/@
Mercado atacadista aquecido
Os preços no atacado seguem em alta, refletindo a demanda crescente:
- Quarto traseiro: R$ 26,00/kg (+R$ 0,50)
- Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg
- Ponta de agulha: R$ 19,00/kg
Desde o início de novembro, o quilo da carcaça casada bovina superou a marca dos R$ 22, atingindo recordes diários, impulsionado pelo aquecimento do consumo e pela diminuição do desemprego.
Destaque para o “boi-China”
A exportação de carne bovina para a China mantém a premiação do chamado “boi-China” em alta. Atualmente, o animal padrão-exportação é negociado a R$ 345/@ no mercado paulista, com um ágio de R$ 2/@ em relação ao boi comum. Em outras regiões monitoradas pela Agrifatto, a média nacional está em R$ 311,85/@.
Projeções para o mercado físico e futuro
A expectativa para os preços do boi gordo segue otimista no curto prazo:
- Mercado físico: A Agrifatto destaca o contexto de escalas encurtadas, exportações recordes e aumento sazonal do consumo como fatores que sustentam a alta. Na última semana, o indicador Agrifatto registrou valorização de 3,89%, com a arroba média atingindo R$ 338,40.
- Mercado futuro: Os contratos futuros também registraram ganhos, com destaque para os vencimentos de novembro/24 (R$ 342,50/@) e dezembro/24 (R$ 339,05/@).
Viés de alta moderado para 2025
Embora o mercado físico apresente alta expressiva, as projeções para o início de 2025 indicam um ritmo mais moderado. Segundo a Agrifatto, os contratos futuros apontam para uma estabilidade nos preços, com alta conservadora no primeiro semestre.
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