Boi gordo atinge R$ 335/@ e fevereiro começa com novas altas; será um mês de recordes?

Oferta restrita, escalas curtas e exportações aquecidas sustentam a valorização da arroba do boi gordo, enquanto contratos futuros já apontam preços ainda mais elevados

O mercado do boi gordo iniciou fevereiro com um cenário que chama a atenção de pecuaristas e investidores: preços firmes, viés de alta e fundamentos sólidos, indicando que o mês pode trazer novos patamares para a arroba no Brasil. Analistas apontam que a combinação entre oferta limitada de animais terminados, recuperação das pastagens e demanda consistente — tanto interna quanto externa — tem sustentado a valorização.

Segundo levantamento do mercado físico, há perspectiva de continuidade da alta no curtíssimo prazo, em linha com o atual posicionamento das escalas de abate.

Além disso, a disponibilidade de bovinos prontos para o abate segue restrita, enquanto as pastagens apresentam boas condições em grande parte do Centro-Norte brasileiro. Para o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a demanda internacional permanece aquecida, com embarques em bom ritmo para Oriente Médio, Europa, Estados Unidos e China — fator que reforça a sustentação dos preços.

Arroba do boi gordo em alta e sequência de valorização

Em São Paulo, referência nacional para o mercado, o boi destinado ao mercado interno e o “boi-China” avançaram R$ 1/@ e R$ 2/@, alcançando respectivamente R$ 327/@ e R$ 332/@ (valores brutos, a prazo). O movimento marcou o quarto dia útil consecutivo de alta, evidenciando a força da retomada.

A valorização não se limitou aos machos. A vaca gorda atingiu R$ 304/@ após 50 dias de estabilidade, enquanto a novilha chegou a R$ 317/@, ambas com avanço diário de R$ 2/@. Dados da Agrifatto mostram ainda que o indicador paulista saltou de R$ 317/@ em 21 de janeiro para R$ 327/@ em 29 de janeiro, uma alta de cerca de 3% em apenas seis dias úteis. Negócios pontuais chegaram a R$ 330/@, embora sem volume suficiente para consolidar uma nova referência ampla.

Poder de barganha muda de lado

Um dos principais motores da alta está no comportamento dos produtores. De acordo com a Agrifatto, as boas condições das pastagens fortaleceram o poder de barganha dos pecuaristas, que passaram a reduzir a oferta de animais terminados.

Outro ponto crucial é o encurtamento das escalas de abate, que permanecem em torno de seis dias úteis na média nacional — o menor nível desde março de 2025. Nesse ambiente, muitos produtores optaram por segurar os lotes. Pecuaristas capitalizados e com pastos recuperados pelas chuvas retiveram a venda das boiadas gordas, forçando as indústrias a pagarem mais caro para preencher as escalas.

Movimentos semelhantes foram registrados em diversas praças pecuárias — como Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Tocantins — especialmente entre frigoríficos com menor cobertura de contratos a termo.

Demanda interna reage — e exportações seguem firmes

Pelo lado do consumo, a recuperação da demanda doméstica neste início de fevereiro contribui para sustentar as cotações.

No mercado externo, as exportações continuam em ritmo forte e com preços firmes, embora a valorização recente do real frente ao dólar seja um ponto de atenção por poder limitar novos avanços.

Ainda assim, a avaliação predominante é positiva: o mercado físico permanece sustentado e com tendência positiva no curto prazo.

Indicadores regionais reforçam firmeza nos preços do boi gordo

Os preços médios da arroba mostram um quadro de estabilidade com leve viés altista:

  • São Paulo: R$ 332,42
  • Goiás: R$ 316,61
  • Minas Gerais: R$ 318,53
  • Mato Grosso do Sul: R$ 317,61
  • Mato Grosso: R$ 310,68

No atacado, o comportamento também surpreende. O baixo nível de estoques nas indústrias ajuda a explicar a firmeza dos preços da carne bovina, mesmo em um período tradicionalmente mais fraco para o consumo. Os cortes seguem nos seguintes patamares: quarto traseiro a R$ 26,50/kg; quarto dianteiro a R$ 19,00/kg; e ponta de agulha a R$ 18,00/kg.

Futuro já aponta arroba acima do físico

Se o presente já é positivo, o mercado futuro reforça o otimismo. Na B3, o contrato com vencimento em fevereiro de 2026 fechou cotado a R$ 339,80/@, com valorização diária de 1,13%.

Outros vencimentos acompanharam o movimento. Fevereiro/26 foi negociado a R$ 340/@ (+3,77% na semana), março/26 a R$ 339/@ e abril/26 a R$ 338,90/@. O contrato de fevereiro mantém ágio de R$ 13,41/@ sobre o preço físico paulista, sinalizando expectativa de continuidade da alta.

Além disso, o número de contratos em aberto subiu para 37.645 posições, aumento de 4,97%, demonstrando maior apetite ao risco e confiança do mercado na tendência positiva.

China ainda influencia o cenário

Apesar do otimismo, o comércio internacional segue atento às decisões chinesas. O país negou pedidos brasileiros relacionados às cotas de importação — incluindo a possibilidade de absorver volumes de outros países e a exclusão de cargas já em trânsito. No entendimento chinês, produtos que chegarem após 1º de janeiro participarão normalmente da cota, independentemente da data de embarque.

Fevereiro pode testar novos patamares?

A soma dos fatores — oferta curta, pecuaristas capitalizados, escalas apertadas, consumo reagindo e exportações firmes — cria um ambiente típico de mercado altista. Embora riscos como câmbio e decisões comerciais globais permaneçam no radar, o sentimento predominante é de que o setor entrou em fevereiro com bases mais sólidas do que o esperado.

Se o ritmo atual persistir e os frigoríficos continuarem disputando lotes, não está descartada a possibilidade de a arroba testar níveis ainda mais altos nas próximas semanas — e até flertar com novos recordes em algumas praças.

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