Pecuaristas estão retendo os animais nas fazendas e negociando de forma estratégica, buscando preços mais elevados para o gado, enquanto os frigoríficos compram apenas o necessário para continuar suas operações de abate.
A semana foi marcada por algumas valorizações positivas dos preços no mercado do boi gordo. Pecuaristas estão lutando com algum êxito para conseguir preços mais elevados para o gado, beneficiados pela qualidade das pastagens. Eles estão retendo os animais nas fazendas e negociando de forma estratégica, enquanto os frigoríficos compram apenas o necessário para continuar suas operações de abate.
O mercado físico do boi gordo manteve nesta sexta-feira, 19, o padrão das negociações em grande parte do país. Segundo apontou Scot Consultoria, “o mercado está em ritmo moroso, as negociações ocorrem para atender as escalas de abate que seguem bem posicionadas, com isso o mercado ficou estável.”
Num acirrado embate entre pecuaristas e frigoríficos, o mercado físico do boi gordo manteve preços da arroba firmes ao longo desta semana, com viés de alta para os próximos dias, relata a Agrifatto. Nas últimas semanas, o mercado físico do boi gordo embarcou em um movimento de valorização de preços, com a cotação do animal em São Paulo atingindo, em 17 de abril (quarta-feira), R$ 232,62/@, o maior valor desde 28/02/24, informa a Agrifatto.
Segundo a Agrifatto, a valorização nas cotações do boi gordo está atrelada à maior dificuldade dos frigoríficos em manter as escalas alongadas, um reflexo das boas pastagens, após as fortes chuvas registradas nos últimos dois meses.
Ainda segundo a consultoria, na tentativa de resistir à pressão do mercado, os frigoríficos adotam uma estratégia de compra moderada para manter suas operações de abate equilibradas, nem muito extensivas nem muito breves. Além disso, estão dispostos a pagar um pouco mais pelos animais. Essa negociação resulta em uma estabilidade nas escalas de abate, que se mantêm em média de 9 dias úteis.
Dessa forma, ainda segundo a Scot, o boi está sendo negociado em R$232,00/@, a vaca em R$205,00/@ e a novilha em R$220,00/@, preços brutos e a prazo. A arroba do “boi China” – animal jovem abatido com até 30 meses de idade – está sendo negociada em R$235,00, preço bruto e a prazo. Ágio de R$3,00/@.
Preços do boi gordo pelas principais praças pecuárias do Brasil
- São Paulo, capital: R$ 233
- Goiânia, Goiás: R$ 217
- Uberaba (MG): R$ 227
- Dourados (MS): R$ 224
- Cuiabá: R$ 209

Alerta no cenário da arroba do boi gordo para o futuro próximo
“É importante mencionar que ainda é possível alguma pressão de oferta no final da safra, especialmente entre os meses de maio e junho, devido à piora das chuvas e à queda das temperaturas. Isso tende a reduzir a capacidade de retenção e aumentar a necessidade de negociar”, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.
A subida nos preços da arroba representou um certo alívio aos pecuaristas, bastante descontentes com as cotações que eram ofertadas até então – o primeiro trimestre de 2024 registrou a pior variação negativa para os preços do boi gordo desde 2009, recuando mais de 8% desde o início do ano, calcula a Agrifatto.
No entanto, alerta a consultoria, o histórico de preço do boi gordo para os próximos quatro meses é desfavorável ao pecuarista, ainda mais considerando a atual fase de descarte de fêmeas dentro do ciclo pecuário.
Segundo o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, analisando o histórico dos últimos anos e considerando a variação nominal nos preços entre maio e abril, desde 1996, a média em maio sempre foi menor do que a de abril, sem exceções.
“Ou seja: a desova de fim de safra pesa”, afirma Fabbri, acrescentando: “Se este histórico se repetirá, só a história dirá, mas, ao pecuarista, o movimento atual soa como uma boa oportunidade para negociações no curto prazo”.
Com isso, a Agrifatto sugere o uso de mecanismos de proteção de preço na B3 (hedge).
“Acreditamos que essa seja uma boa oportunidade de comercialização antecipada, acelerando a comercialização de boiada gorda para os próximos meses”, propõe a consultoria, acrescentando que, ao seguir tal estratégia, os pecuaristas reduzirão a exposição ao risco de desvalorização diante da chegada da seca e da primeira leva de bovinos que passam pela engorda intensificada no cocho.
Mercado de reposição em São Paulo
A pressão de alta circundou o mercado pecuário paulista. Nesta semana, o cenário foi de alta nas cotações de todas as categorias de bovinos destinados à reposição, em especial os machos. Para os machos, as categorias de bezerro de desmama, bezerro de ano, garrote e boi magro tiveram acréscimo de 4,3%, 5,5%, 2,2% e 3,9%, respectivamente.
Para as fêmeas, valorização nas cotações de 1,7% para a bezerra de desmama, 1,3% para a bezerra de ano, 1,7% para a novilha e 4,8% para a vaca gorda. (análise originalmente publicada no informativo semanal “Boi & Companhia”, edição 1596)
Atacado
O mercado atacadista apresenta preços firmes no decorrer da semana.
Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere alguma fragilidade dos preços no curto prazo, em linha com o resfriamento do consumo durante a segunda quinzena do mês, somado às dificuldades impostas pelos preços bastante competitivos da carne de frango, principal concorrente da carne bovina no mercado doméstico, especialmente para famílias de menor renda.
O quarto traseiro foi precificado a R$ 18 por quilo. O quarto dianteiro ainda é precificado a R$ 14 por quilo. A ponta de agulha segue a R$ 13 por quilo.
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