Biotecnologias reprodutivas e a valorização do leite de jumenta impulsionam no Brasil uma nova cadeia produtiva, com potencial econômico, genético e sustentável
Por Alex Bastos – O uso de biotecnologias reprodutivas tem colocado os jumentos no centro de uma nova fronteira de inovação no campo. Técnicas como inseminação artificial, transferência de embriões e a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) vêm sendo aplicadas para aumentar a eficiência reprodutiva e impulsionar o melhoramento genético da espécie. “Estamos avançando na utilização dessas tecnologias para garantir maior controle produtivo, ampliar o rebanho e qualificar geneticamente os animais”, afirma o professor e pesquisador Gustavo Ferrer Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Os avanços já apresentam resultados concretos, especialmente com o uso de sêmen refrigerado, que permite o transporte de material genético a longas distâncias e tem alcançado taxas de prenhez superiores a 50% em alguns casos. A estratégia amplia o acesso de criadores às tecnologias reprodutivas e contribui para a estruturação de uma produção mais organizada e eficiente.
Segundo o pesquisador, o desenvolvimento dessas técnicas é peça-chave para viabilizar uma nova cadeia produtiva baseada em jumentos no Brasil. Historicamente subvalorizados, esses animais possuem características estratégicas, como alta adaptabilidade ao semiárido, baixo custo de manutenção e versatilidade produtiva.
“Estamos falando de uma espécie com grande potencial econômico, que pode ser inserida em diferentes mercados, desde a produção de carne e couro até segmentos mais sofisticados, como cosméticos e biofármacos”, destaca.
Entre os produtos com maior potencial está o leite asinino, considerado um item premium no mercado internacional. Com propriedades nutricionais diferenciadas e aplicações nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética, o produto vem despertando interesse crescente. “Existe uma demanda global por alimentos de alto valor agregado, e o leite de jumenta se insere nesse contexto como uma alternativa promissora”, explica.
Além da diversificação produtiva, a proposta também responde a um desafio histórico: o crescimento desordenado da população de jumentos após a mecanização da agricultura. Sem função definida no sistema produtivo, muitos animais passaram a circular livremente, gerando impactos sociais e riscos, como acidentes em rodovias.
“Ao estruturar uma cadeia produtiva, conseguimos dar uma nova função a esses animais, aliando conservação, geração de renda e desenvolvimento regional”, afirma o pesquisador.
O modelo em desenvolvimento prevê a integração entre criadores e centros especializados. As jumentas permanecem nas propriedades, com alimentação baseada em recursos locais, enquanto os reprodutores são mantidos em centros de reprodução, permitindo a distribuição de material genético e o acesso às tecnologias.
Para o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, o impacto pode ser significativo, especialmente em regiões com baixos índices de desenvolvimento. “Essa é uma alternativa concreta de inclusão produtiva, com potencial de gerar renda e fortalecer economias locais, especialmente no semiárido”, conclui.
A iniciativa também dialoga com desafios globais relacionados à produção de alimentos e à sustentabilidade, posicionando os jumentos como uma alternativa viável em sistemas produtivos resilientes, adaptados a condições ambientais adversas.
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