Biond Agro: safra de soja 2026/27 dos EUA começa equilibrada com migração de área

Para a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, a decisão de migração de área é econômica.

São Paulo, 3 – A safra norte-americana 2026/27 apresenta uma reconfiguração no mapa agrícola com migração parcial de área do milho para a soja, segundo análise da Biond Agro, divulgada nesta terça-feira. A empresa considera projeções do Fórum Outlook do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as quais indicam que a área de soja deve subir para 34,4 milhões de hectares, enquanto o milho recua para 38 milhões de hectares.

Para a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, a decisão de migração de área é econômica. “O produtor americano respondeu à relação de preços e às margens relativas. O milho saiu de um ciclo de forte expansão, gerou produção recorde e pressionou estoques. A soja, por outro lado, preservou melhor sua relação estoque/uso”, explica Monteiro, em nota.

Com mercado mais firme, pecuaristas precisam se preparar para a fase de alta do ciclo pecuário

Os fundamentos iniciais do ciclo são considerados confortáveis, com a soja apresentando relação estoque/uso de 8% e o milho de 11,4%. De acordo com a Biond Agro, o milho encerrou o ciclo anterior com 54 milhões de toneladas em estoque. “Isso significa que o mercado entra em 2026/27 sem tensão ou sinais de aperto. E quando o sistema começa confortável, o preço precisa de um catalisador para mostrar alguma reação”, afirma.

A tendência do mercado será ditada por fatores externos, como o clima e a demanda chinesa. Segundo a Biond Agro, o balanço da soja é mais sensível: uma quebra de 2% na produtividade pode reduzir a relação estoque/uso para menos de 7%. No caso do milho, seriam necessárias perdas superiores a 5% na produtividade para reduzir o colchão de segurança global de forma relevante.

Na visão da consultoria, a China atua como mecanismo de arbitragem e alterações no fluxo de compras entre EUA e Brasil impactam prêmios e cotações em Chicago. Além disso, o câmbio completa a equação, com o dólar futuro sob viés pressionado abaixo de R$ 5,17. “Esse nível técnico pode amortecer o impacto interno de uma eventual reação de preços em Chicago motivada pelo clima.”

Para o produtor brasileiro, a Biond Agro alerta que o cenário demanda gestão ativa, pois altas estruturais dependem de adversidades climáticas nos EUA ou mudanças no fluxo chinês. “Sem esses gatilhos, o mercado tende a oscilar dentro de faixas técnicas, devolvendo movimentos especulativos”, diz Monteiro.

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