Os preços da reposição voltaram a se valorizar nesta semana e quebraram todos os recordes com o quilo do animais a R$ 20 e preços valendo ouro, veja!
Abertura da semana com arroba do bezerro batendo recorde, seguindo o caminho da arroba do boi gordo. A disparada de preços traz grande atenção ao pecuarista da recria/terminação que tem visto a suas margens se estreitarem e se perguntam: “Como fechar essa conta?”. O valor do quilo do bezerro bateu R$ 20,00/kg e animal está valendo ouro!
Há 50 anos atuando na pecuária, Carlos Guaritá, diretor da Leiloboi em Mato Grosso do Sul, nunca viu uma valorização tão expressiva do bezerro. “Tem gente vendendo o bezerro mamando no pé da vaca porque a pessoa está com tanta vontade de comprar que compra o bezerro para receber em abril e maio”, conta.
A demanda aquecida pelos animais ocorre a despeito dos preços recordes. A alta acumulada no preço do bezerro nos últimos 12 meses atingiu 60% em março, superando a valorização da arroba do boi gordo no mesmo período, cujo preço subiu de 51,4%.
Os preços do bezerro seguem em forte movimento de alta no mercado brasileiro, renovando os recordes reais da série histórica do Cepea. Nesta semana, o Indicador do bezerro ESALQ/BM&FBovespa (animal nelore, de 8 a 12 meses, Mato Grosso do Sul) ultrapassou a marca de R$ 3.118,00 por cabeça.
Segundo o app da Agrobrazil , os animais já tiveram uma valorização de R$ 455,56/cab para a praça paulista desde o início do ano. Não foram observadas desvalorizações em nenhuma das praças avaliadas pelo app. Mas no dia de hoje, observamos negócios anunciados a cerca de R$ 20/kg do animal, veja abaixo!
A situação se complicou para quem vai comprar a cria no sul mato-grossense, região histórica como referência para os preços da categoria. Segundo o pecuarista de Aquidauana/MS, as negociações giram em torno de R$ 2.300,00/cab com pagamento à vista para animais de 115,00 kg. Pois bem, esses animais estão sendo precificados por kg de peso vivo, ou seja, o valor é de R$ 20,00/kg, ou seja, um novo recorde de preços para a categoria!

Indicador do Cepea para o Bezerro no estado confirma grande valorização dos animais:

Bezerro deve continuar caro?
No estado do Mato Grosso, o ágio do bezerro apresentou acréscimo de 2,61 pontos percentuais em relação a igual período do ano passado. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), informou que em Março/21 o bezerro de ano teve uma valorização de 6,32% em relação ao boi gordo, que registrou um ganho de 1,89%. Isso fez o indicador subir em 3,19 p.p., no comparativo com fev.21, alcançando os 26,50% de ágio.
Diante da oferta restrita do bezerro, o instituto estima que o indicador deve permaneça em patamares elevados no curto e médio prazo. “A fim de contornar este cenário e fechar um caixa que compense o custo da aquisição, é necessário um maior depósito de carcaça no animal, como também é recomendado o travamento de preços com antecedência pelos confinadores”, pontuou o IMEA.
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Os pecuaristas têm segurado os animais dentro no pasto diante da maior disponibilidade de pastagens. Com isso, os preços do boi gordo e da vaca gorda fecharam a semana cotados na média de R$ 294,74/@ e R$ 283,48/@, respectivamente. A cotação do bezerro de ano apresentou ganho de 1,52% frente à semana anterior, já que a procura por machos de reposição está aumentando com o planejamento do confinamento.
Com o feriado da sexta-feira santa, alguns frigoríficos do estado que atuam aos sábados decidiram parar suas atividades. Como consequência, a escala de abate retraiu 0,12% dia e fechou na média de 3,84 dias. “Dada a virada do mês e o feriado prolongado, as expectativas de maior consumo da carne bovina aumentam no estado. Neste viés, o equivalente físico apresentou acréscimo de 0,66%, ante a semana passada”, destacou o boletim semanal.
O prejuízo também disparou
“A margem do invernista diminuiu realmente. Porque o criador está sendo beneficiado. Depois de tantos anos chegou à vez do criador ”, Guaritá, diretor da Leiloboi em Mato Grosso do Sul ,completa. A conta é simples: se a transição dos animais está mais cara que o seu valor final, o pecuarista que atua na engorda do rebanho inicia uma operação já com margens mais apertadas.
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Segundo pesquisadores do Cepea, o cenário se deve à oferta de bezerros abaixo da demanda por novos lotes de reposição. Ressalta-se que o valor recorde de animais de reposição e as também recordes cotações de importantes insumos da alimentação pecuária – como milho e farelo de soja –, por sua vez, deixam pecuaristas terminadores em alerta.
“Se você comprar o bezerro caro apostando numa alta do boi, é uma loteria. Pode acontecer ou não. Ano passado aconteceu ”, lembra o sócio-diretor da Athenagro, Maurício Palma Nogueira. Ele observa que o aperto das margens não torna impossível obter lucro na operação, mas exigirá maior gestão dos custos deste ano.