Com eventos climáticos mais extremos e oscilações frequentes em rios e reservatórios, produtores buscam alternativas para garantir a captação de água com eficiência e segurança ambiental
O crescimento da irrigação tem colocado produtores diante de um desafio cada vez mais comum: como garantir a captação de água quando rios apresentam níveis reduzidos e, ao mesmo tempo, atender às exigências ambientais que limitam intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs). Em um cenário de maior variabilidade climática e pressão sobre os recursos hídricos, soluções capazes de operar em condições de baixa lâmina d’água vêm ganhando importância para assegurar a continuidade da produção agrícola.
A situação tem se repetido em diferentes regiões agrícolas do país. Enquanto eventos climáticos como o El Niño e as estiagens prolongadas provocam oscilações nos níveis de rios, represas e reservatórios, o avanço da irrigação aumenta a pressão sobre os recursos hídricos e reforça a necessidade de planejamento para obtenção de outorgas e uso racional da água. O resultado é um cenário em que a disponibilidade hídrica nem sempre é o principal obstáculo; em muitos casos, o maior desafio passou a ser garantir uma captação eficiente quando as fontes de abastecimento operam com níveis cada vez mais baixos. “As mudanças climáticas e a maior pressão sobre os recursos hídricos estão tornando a captação um dos pontos mais estratégicos da irrigação. Hoje, não basta ter acesso à água ou outorga regularizada; é preciso garantir que o sistema consiga operar com estabilidade mesmo quando o nível dos rios apresenta oscilações significativas ao longo do ano“, destaca Carlos Jacobucci, gerente comercial da Jacobucci Irrigação.
A situação se torna ainda mais desafiadora porque muitos pontos de captação estão localizados próximos a Áreas de Preservação Permanente (APPs), onde qualquer intervenção deve observar critérios ambientais específicos. Nesses casos, o produtor precisa conciliar a necessidade de garantir o abastecimento do sistema de irrigação com a preservação das características naturais do local e o atendimento às exigências legais. Isso faz com que a escolha da solução de captação deixe de ser apenas uma decisão de engenharia e passe a envolver também aspectos ambientais e regulatórios.
Para o produtor, a redução da lâmina d’água significa lidar com uma operação mais complexa e menos previsível. Com níveis mais baixos nos pontos de captação, aumentam as chances de entrada de sedimentos, oscilações na vazão e sobrecarga dos equipamentos responsáveis pelo bombeamento. O resultado pode ser o aumento dos custos com energia e manutenção, associado às falhas que comprometem a regularidade da irrigação. Em um cenário de maior pressão climática, garantir estabilidade na captação passou a ser tão importante quanto garantir o acesso à água.
“Em muitos casos, o problema não é a falta de água, mas a dificuldade de captar essa água com estabilidade. Quando o sistema opera sob espaço constante, aumentam os custos operacionais, o desgaste dos equipamentos e o risco de interrupções justamente nos momentos em que a irrigação é mais necessária“, explica Jacobucci.
Foi exatamente esse cenário que motivou um projeto desenvolvido em uma propriedade rural de Chapadão do Sul (MS). O produtor precisava captar água de um rio com baixo nível, mas sem realizar obras ou intervenções na Área de Preservação Permanente (APP) existente no local. Para atender à demanda, foi instalado um sistema de captação equipado com crivo autolimpante horizontal com flutuadores da Jacobucci, solução indicada para situações de lâmina d’água reduzida e variável. Por se tratar de um sistema flutuante, o equipamento acompanha as oscilações do nível da água e mantém a eficiência da captação mesmo em rios com presença de areia em suspensão ou depositada no fundo, garantindo o abastecimento do sistema de irrigação com maior estabilidade operacional e menor impacto ambiental.
A demanda por projetos adaptados a cenários de oscilação hídrica tem crescido nos últimos anos, impulsionada pela combinação entre variabilidade climática, expansão da irrigação e maior preocupação com a gestão sustentável dos recursos hídricos. “Estamos observando um aumento da procura por soluções capazes de operar em condições que antes eram consideradas exceção. Muitas vezes, o desafio não é a falta de água, mas conseguir captá-la de forma estável quando os níveis dos rios e reservatórios variam ao longo do ano. Isso exige um olhar mais estratégico para a captação, porque a segurança da irrigação começa muito antes da água chegar à lavoura”, afirma Jacobucci.
Se antes a principal preocupação do produtor era levar água até a lavoura, hoje o desafio envolve uma gestão muito mais ampla dos recursos hídricos. Em um cenário marcado por eventos climáticos mais extremos, oscilações cada vez mais frequentes nos níveis dos mananciais e exigências ambientais, a irrigação passou a depender de fatores como segurança hídrica, eficiência energética, resiliência operacional e adequação à legislação. Nesse contexto, a captação deixa de ser apenas o ponto de entrada da água no sistema e assume um papel estratégico para garantir a produtividade, a sustentabilidade e a competitividade das propriedades rurais no longo prazo.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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