Segundo relatos de produtores, atraso no plantio e a perda no potencial produtivo do grão estão entre as consequências do clima – falta de chuva – em Goiás e Mato Grosso do Sul; Alguns agricultores já sinalizam desistência do milho safrinha
Os agricultores de soja no Centro-Oeste estão atentos ao clima, aguardando ansiosamente pelas chuvas. A seca prolongada na safra de 2023/24 está causando preocupação no país. Em algumas fazendas, o plantio já está atrasado em aproximadamente 30 dias em comparação à temporada passada, e em outras, ainda nem começou. Isso está fazendo com que alguns produtores considerem abandonar o plantio de milho safrinha. Além disso, há relatos de que até a época ideal para o plantio de gergelim está sendo afetado.
“O excesso de chuvas na região Sul e o tempo seco no Norte está atrasando o plantio da nova safra em algumas Unidades da Federação, o que pode atrasar a colheita e, consequentemente, o plantio da segunda safra, trazendo maior insegurança climática para a mesma”, analisa o gerente do LSPA, Carlos Barradas.
O volume da produção brasileira de grãos deverá atingir 316,7 milhões de toneladas na safra 2023/2024, 1,5% ou 4,7 milhões de toneladas abaixo do obtido em 2022/23. De acordo com o 2º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com o avanço da semeadura no início de novembro, as atenções se voltam para a evolução das lavouras.
O percentual de área semeada, atualmente, apresenta-se aquém do observado no mesmo período da safra anterior, devido, principalmente, ao excesso de chuvas na Região Sul e Sudeste e às baixas precipitações no Centro-Oeste.
A falta de chuvas e o calor extremo têm provocado prejuízos nas lavouras de soja em Mato Grosso, com perdas de produtividade, necessidade de replantios e comprometimento da janela de semeadura do milho. Produtores já afirmam que vão reduzir a área destinada para o cereal e há também agricultores que não vão semear a cultura na safra 2023/2024.
A falta de chuvas regulares e a baixa umidade do solo continuam a ser um obstáculo para o plantio de soja na safra 2023/24. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e divulgado no dia 3 de novembro, apenas 83,32% dos aproximadamente 12,2 milhões de hectares destinados à cultura foram semeados até esses dados.
Esse percentual de semeadura é inferior à média dos últimos cinco anos, que é de 88,61% da área de soja plantada no estado neste período do ano. Em comparação, na safra 2022/23, os agricultores já tinham semeado 93,57% das áreas até o dia 4 de novembro.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Fernando Cadore, destaca que as condições das lavouras preocupam. De acordo com o Imea, a semeadura da soja alcançou 91,82% nesta sexta-feira (10) e está 3,69 pontos percentuais atrasados em relação à média dos últimos cinco anos.
“É o maior atraso da última série histórica de cinco anos. Mas, o que mais preocupa no campo são as condições das lavouras já semeadas. Altas temperaturas, chegando a 20, 25 dias sem chuva, o que tem comprometido e muito o desenvolvimento das lavouras, causando prejuízos difíceis de mensurar e replantios para serem avaliados”, pontua o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Fernando Cadore.
A previsão de pouca chuva faz com que os produtores não arrisquem muito. Nós precisamos que as chuvas sejam retomadas para que eles tenham coragem de plantar.
Agricultores já pensam em desistir do milho
A incerteza na janela de plantio do milho safrinha está levando agricultores de Mato Grosso a desistirem de plantá-lo, especialmente devido ao atraso no plantio da soja. Os produtores estão preocupados com a possibilidade de baixa produtividade, agravada pelos custos elevados e pelos preços baixos do milho.
Na Fazenda Galera, em Conquista D’Oeste, e em outra propriedade em Pontes e Lacerda, o agrônomo Leonardo Marascas relata que ainda não iniciou a semeadura da soja. Ele compara a situação com a safra anterior, quando cerca de 81% a 83% da soja já estava plantada nas mesmas propriedades. “Não plantamos nada ainda por falta de chuvas, tornando inviável o cultivo do milho safrinha”, disse ele, mencionando o cancelamento dos pedidos de sementes.
A semeadura do milho já foi descartada e o grupo já prevê a necessidade de ir ao mercado para comprar milho para alimentar os bois em confinamento. “Os pedidos de semente de milho que a gente tinha já foram cancelados. O impacto é muito grande. Vamos ter que buscar no mercado um milho provavelmente com preço mais alto para suprir a demanda. Hoje ficou inviável a produção de milho aqui na fazenda, a gente não vai plantar, infelizmente”, afirma Marasca.
Já o produtor Oleonir Favarin, da Fazenda Flor de Lis, em Santo Antônio do Leste, relata que iniciou o plantio com 20 dias de atraso em relação à safra passada. Porém, de 300 hectares semeados, ele precisou replantar 120 hectares, pois alguns talhões ficaram cerca de 20 dias sem chuvas. A área destinada para o milho será reduzida em 70%.
“Eu vou plantar 30% do normal que eu planto, vamos ver o que vai acontecer para frente, mas é só 30%, no máximo. A janela para semear o milho não fecha mais”, afirma o produtor.

Gilberto Peretti, produtor na Gaúcha do Norte, também optou por não plantar milho safrinha, considerando até tarde para o plantio de gergelim.
O Imea, em seu terceiro levantamento de safra para 2023/24, projetou uma redução na área plantada com milho, passando de 7.281 milhões de hectares estimados em outubro para 7.202 milhões, uma redução mensal de 78.787 hectares e anual de 3,86%. Segundo o Imea, essa queda se deve principalmente à desmotivação dos produtores, aos altos custos de produção em relação ao preço do milho e ao atraso no plantio da soja devido ao clima, o que afeta a janela ideal de plantio do milho safrinha.
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