Asininos: Características e criação no Brasil

Os asininos, conhecidos por sua convivência milenar com os humanos, têm uma história que remonta a tempos muito anteriores à domesticação dos cavalos

Os asininos, também conhecidos como jumentos, jegues ou asnos, estão espalhados por quase todos os cantos do mundo, desempenhando funções que vão desde o transporte de cargas pesadas até sua utilização em atividades de tração e projetos de conservação.

Apesar de não serem nativos do Brasil, esses animais se destacaram no cenário nacional graças à sua força, inteligência e notável longevidade, que pode ultrapassar quatro décadas. É impossível ignorar o papel que desempenharam no desenvolvimento do país, carregando cargas e pessoas em tempos em que outros meios de transporte eram raros. Será que você conhece de verdade esses animais de longas orelhas? Neste artigo, vamos explorar de forma detalhada as características dos asininos, suas utilidades e o manejo necessário para sua criação.

Personalidade e Características Físicas

Os asininos, conhecidos por sua convivência milenar com os humanos, têm uma história que remonta a tempos muito anteriores à domesticação dos cavalos. Desde os primórdios, esses animais desempenharam papéis cruciais em diferentes sociedades, provando ser aliados indispensáveis na vida cotidiana.

Um traço frequentemente atribuído a esses animais é a chamada “teimosia”. No entanto, essa característica é, na verdade, uma manifestação de inteligência e cautela. Os jumentos não agem por impulsos; eles avaliam cuidadosamente as situações antes de decidir. Isso significa que, quando parecem relutantes, estão, na realidade, tomando decisões informadas para garantir sua segurança. Sua natureza afetuosa e esperta faz deles excelentes companheiros.

Diferentemente dos cavalos, os asininos possuem comportamentos e necessidades únicas. Por exemplo, não é comum que fujam instintivamente de situações ameaçadoras. Eles preferem avaliar o cenário antes de reagir, o que os torna ótimos guardiões para rebanhos. Sua coragem ao enfrentar predadores, como lobos ou cães, é impressionante e amplamente reconhecida.

Quando falamos de suas características físicas, os asininos são animais extremamente adaptados a ambientes desafiadores. Eles apresentam uma força e resistência notáveis, que lhes permitem desempenhar tarefas repetitivas por períodos prolongados. Sua rusticidade é resultado de um processo evolutivo que favoreceu a sobrevivência em locais com recursos limitados.

Fisicamente, os asininos possuem particularidades distintas: a crina curta e ereta, orelhas longas e uma estrutura compacta e robusta. Podem variar entre 90 cm e 1,5 metro de altura, pesando até 400 kg. Essas características, combinadas à sua capacidade de se adaptar e sua disposição para o trabalho, fazem deles animais versáteis e fundamentais em muitas regiões do mundo.

Taxonomia e Aspectos Reprodutivos dos Asininos

Os asininos fazem parte da família dos equídeos, assim como cavalos e zebras, compartilhando características biológicas que os conectam como “primos” na árvore evolutiva. Contrariando alguns mitos, os jumentos são animais plenamente férteis e capazes de gerar descendentes com qualidade genética comparável à de seus parentes próximos. O período de gestação dos asininos geralmente varia entre 11 e 13 meses, o que lhes permite manter populações estáveis sob boas condições de manejo.

No entanto, os descendentes resultantes de cruzamentos entre espécies diferentes dentro dos equídeos apresentam uma peculiaridade: são invariavelmente estéreis. Isso ocorre, por exemplo, no cruzamento de um jumento com uma égua, que dá origem ao burro ou à mula, ou entre um cavalo e uma jumenta, cujo produto é conhecido como bardoto ou bardota. Há também combinações menos comuns, como o cruzamento entre zebras e jumentos, que gera o “zebrasno”, ou entre zebras e cavalos, originando o “zebralo”.

A infertilidade nesses híbridos é explicada pela diferença no número de cromossomos entre as espécies envolvidas. Enquanto os cavalos possuem 64 cromossomos, os asininos têm 62, e as zebras apresentam variações entre 32, 44 ou 46, dependendo da subespécie. Essa incompatibilidade genética impede que os híbridos gerados sejam reprodutivamente viáveis, embora possam herdar características físicas e comportamentais das espécies que lhes deram origem.

Asininos: Características e criação no Brasil

Criação de Asininos no Brasil

A criação de asininos no Brasil se destaca por sua simplicidade e adaptabilidade. Diferentemente dos cavalos, que possuem exigências alimentares mais seletivas, os asininos se adaptam bem a pastagens simples, o que torna sua criação a pasto uma opção prática e eficiente. Esse manejo menos complicado é amplamente favorecido pelas características climáticas do país, especialmente em regiões de clima quente e seco.

No território brasileiro, o ambiente ideal para os asininos se encontra principalmente no Norte e Nordeste, áreas marcadas por extensas zonas de pastagem e pela rusticidade necessária para enfrentar condições adversas. Nessas regiões, os jumentos são frequentemente utilizados em trabalhos voltados à subsistência, desempenhando um papel essencial na vida de muitas famílias.

Entre as raças criadas no Brasil, o jumento Pêga ocupa lugar de destaque. Desenvolvida em Minas Gerais, essa raça ganhou prestígio por suas características genéticas excepcionais, que garantem força, resistência e aptidão para o trabalho. Devido a sua qualidade, o Pêga é amplamente valorizado e requisitado por criadores de todo o país.

Historicamente, a raça Pêga surgiu a partir do cruzamento de raças importadas com linhagens adaptadas ao clima tropical brasileiro. Curiosamente, o nome “Pêga” tem origem no período escravocrata, referindo-se às algemas de ferro utilizadas em escravos fugitivos. Para reforçar a exclusividade da raça, os primeiros criadores marcavam os animais a fogo com o símbolo das algemas, destacando a origem rigorosa e os padrões elevados que definem a raça até hoje.

População de Asininos no Brasil

Você já parou para pensar no tamanho do rebanho de asininos no Brasil? Embora não haja consenso exato sobre os números, a história e o contexto social do Nordeste ajudam a compreender o papel crucial desses animais na formação do país.

Durante séculos, os jumentos foram os principais aliados das famílias nordestinas, enfrentando o árido clima da caatinga e transportando cargas pesadas em uma época em que máquinas agrícolas e veículos eram inexistentes. Porém, com o avanço da tecnologia e mudanças socioeconômicas, o cenário se transformou, e o jegue perdeu espaço em muitas comunidades. Apesar disso, ele permanece como um símbolo cultural do Nordeste e de resistência em meio às adversidades.

Estimar a população de asininos, no entanto, é um desafio. Relatórios variam amplamente, e levantamentos como os realizados pelo IBGE apresentam lacunas, refletindo a complexidade de monitorar esses animais, que muitas vezes são criados de forma extensiva e sem manejo direcionado. Para uma análise mais detalhada sobre as dificuldades dessas pesquisas, confira nosso artigo sobre as limitações no estudo de equídeos no Brasil.

Infelizmente, a falta de uma cadeia produtiva organizada para os jumentos tem levado a situações preocupantes. A China, maior produtora de medicamentos derivados do couro desses animais – conhecidos como ejiao –, começou a importar jumentos brasileiros. Recolhidos da caatinga, esses animais são abatidos em grande escala, sem qualquer estrutura produtiva ou controle que beneficie economicamente as comunidades locais.

Embora o mercado do ejiao movimente bilhões de dólares globalmente, os impactos econômicos dessa atividade são praticamente invisíveis no Brasil. Diferentemente do gado bovino, por exemplo, os asininos não possuem uma cadeia produtiva regulamentada, e a exploração desordenada coloca em risco a preservação da espécie.

Diante disso, o governo federal suspendeu, em fevereiro de 2022, o abate e a exportação de jumentos nordestinos, tanto para carne quanto para couro. A decisão foi comemorada por entidades de proteção animal, como destaca Gislane Brandão, coordenadora-geral da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos: “O abate de jumentos é inaceitável do ponto de vista ético, ambiental e cultural”.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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