Adaptada à cultura da soja, praga deixa rastro de destruição em Mato Grosso e atua como porta de entrada para patógenos agressivos, exigindo monitoramento rigoroso
A larva-minadora, praga historicamente secundária em grandes culturas, ascendeu ao status de ameaça crítica nas lavouras de soja brasileiras. O fenômeno, observado com intensidade crescente em Mato Grosso, acendeu o alerta entre produtores e especialistas.
Mais do que o dano direto ao parênquima foliar, o inseto tem se destacado por comprometer a sanidade das plantas, atuando como um facilitador biológico para doenças que podem dizimar a produtividade da safra.
O rastro da larva-minadora e o impacto na sanidade
Visualmente comparada ao “bicho-geográfico” devido às galerias sinuosas que esculpe nas folhas, a larva-minadora reduz drasticamente a área fotossintética da soja. Entretanto, o risco agronômico mais severo reside na vulnerabilidade tecidual. Ao romper a proteção natural da folha, o inseto cria aberturas para fungos oportunistas.
Conforme explica Cledson Guimarães, consultor da Cowboy Consultoria, a praga é o precursor de um ciclo de perdas. “Ela abre o caminho para doenças que podem provocar o abortamento da folha”, alerta. Segundo o especialista, a evolução desse cenário resulta em uma desfolha precoce severa, limitando o enchimento de grãos e, consequentemente, o rendimento final. O impacto é notável: quanto mais a praga avança, menor é a capacidade da planta de sustentar sua carga produtiva.
Adaptação e migração em Mato Grosso
O avanço da larva-minadora em regiões como Diamantino (MT) revela uma rápida adaptação do inseto ao sistema produtivo de larga escala. O presidente do Sindicato Rural local, Altemar Kroling, destaca que o comportamento da praga mudou. “O comum era a larva-minadora atacar outras culturas, mas agora ela se adaptou à soja e migrou para nossas lavouras”, afirma.
Essa transição é favorecida pelo sistema de sucessão de culturas, que oferece abrigo e alimento constante. O problema é agravado pela falta de reconhecimento dos sintomas iniciais. Muitos agricultores percebem o dano apenas quando a infestação já está consolidada, dificultando o controle preventivo.
Estratégias de manejo da larva-minadora
Para mitigar os prejuízos, o setor defende a inclusão da praga no cronograma oficial de monitoramento. Yuri Nunes Cervo, delegado coordenador da Aprosoja Mato Grosso, enfatiza que o desconhecimento é o maior inimigo do produtor. “Muitos produtores têm problemas e não sabem o que está acontecendo. A larva-minadora é algo que precisamos incluir dentro do nosso portfólio de manejo”, reforça.
Especialistas recomendam que, ao identificar a presença das primeiras galerias, o produtor utilize soluções que ofereçam proteção simultânea contra as doenças associadas, como a mancha-alvo. O uso de produtos com ação sistêmica e translaminar é fundamental para atingir a larva no interior das folhas, garantindo a eficiência do manejo integrado.
VEJA MAIS:
- Tragédia: Raio provocado por ciclone mata rebanho de búfalos em SC
- Calendário da Pesca: Confira quando termina o período de defeso em 2026
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.