Preços da arroba do boi continuam firmes no país e, com chuvas beneficiando os pecuaristas. O resultado foi a redução das escalas frigoríficas, com negociações acima da média; Veja o que esperar
O mercado físico do boi gordo voltou a registrar negociações com preços acima das referências médias nesta sexta-feira (5), apontaram as principais consultorias que acompanham o mercado diariamente. Os frigoríficos, que por sua vez estavam mais cautelosos nas compras, estão encontrando maior dificuldade na composição de suas escalas de abate, resultando em um recuo na média nacional. Veja o que esperar do mercado do boi gordo nesta semana.
As vendas de carne durante o próximo final de semana serão fundamentais para avaliar a continuidade deste movimento no curto prazo, considerando a entrada dos salários na economia como motivador da reposição entre atacado e varejo.
Pecuaristas “salvos” pela chuva e oferta de forragem
Com as chuvas ocorridas entre fevereiro/março/24, no Brasil Central, os pecuaristas tendem a continuar cadenciando a oferta de boiadas gordas, apesar do início do outono, relata o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria.
Os registros de chuvas em grande parte do Brasil melhoraram as condições dos pastos, o que permitiu que muitos pecuaristas segurassem um pouco a oferta de bovinos, à espera de negócios mais atrativos, observam os analista da Agrifatto.
“Por sua vez, os bons índices pluviométricos previstos para abril devem oferecer suporte às pastagens, permitindo a retenção como uma estratégia ainda comum dentro do mercado por parte do pecuarista”, diz o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.
Dessa forma, segundo a Agrifatto, as indústrias, que estavam meio devagar nas negociações, começaram a se movimentar para manter o ritmo de abate em torno de 9 a 10 dias úteis, mas não conseguiram com a mesma efetividade. Com isso, ao final desta sexta-feira (5/4), as escalas de abate recuaram 1 dia, resultando em uma média nacional de 9 dias úteis, ante o quadro observado na quinta-feira da semana passada (28/3).
Mercado do boi e preço da arroba
Mesmo com os volumes de negociações aumentando, e uma oferta maior que a semana anterior, os preços de todas as categorias de bovinos destinados ao abate estão estáveis na comparação feita dia a dia. O boi está sendo negociado em R$227,00/@, a vaca em R$205,00/@ e a novilha em R$220,00/@, preços brutos e a prazo, apontou a Scot Consultoria.
A arroba do “boi China” – animal jovem com até 30 meses de idade ao abate – está sendo negociada em R$235,00, preço bruto e a prazo. Ágio de R$8,00/@.
Já o Indicador do Boi Gordo Cepea, voltou a apresentar uma variação positiva de 1,07% na comparação diária e, com isso, fechou a primeira semana de abril com a média do valor da arroba atingindo R$ 230,40/@. Com isso, o valor da arroba em dólar está sendo negociada em U$ 45,49/@.

Preços da arroba do boi pelas principais praças pecuárias
- São Paulo (SP): R$ 231/@
- Goiânia (GO): R$ 217/@
- Uberaba (MG): R$ 227/@
- Dourados (MS): R$ 222/@
- Cuiabá (MT): R$ 209/@
Exportações de carne bovina aquecida
A exportação da carne in natura em março/24 superou as exportações de março/23 mesmo com três dias úteis a menos. Com 20 dias úteis em março, foram exportadas 166 mil toneladas (média diária de 8,3 mil toneladas), foi o segundo melhor março da história.
A cotação média ficou em US$4,5 mil/t, retração de 5,9%, considerando o mesmo período há um ano. Contudo, mesmo com a retração do preço, o aumento do volume de embarques elevou o faturamento mensal em 25,9%. Mercado de reposição em São Paulo Em São Paulo, abril começou com maior procura por bovinos de reposição, melhorando as negociações que estavam compassadas no final de março.
Contudo, apesar do fluxo de negociações mais interessante nesta semana, as cotações de bovinos machos jovens caíram e, para as fêmeas, três das quatros categorias também reportaram quedas nos preços negociados (análise originalmente publicada no informativo semanal “Boi & Companhia”, edição 1594).
De olho no mercado futuro
O analista Raphael Galo, administrador de empresas Terra Investimentos, recomenda aos pecuaristas o uso de mecanismos de proteção de preços (hedge) na bolsa B3. Ele chama a atenção para o comportamento positivo dos preços futuros do boi gordo registrado recentemente.
Do final de fevereiro/24 para início de abril/24 (até dia 2), diz ele, os preços spot (Cepea) cederam 2,89%, enquanto a curva de preços dos contratos futuros melhorou. “Atualmente todos os contratos possuem ágio sobre o preço Cepea atual, o que antes só víamos nos contratos de setembro/24, outubro/24 e novembro/24”, informa.
Na avaliação da Agrifatto, as altas recentes na B3 trouxeram “melhora nas contas dos pecuaristas” e podem ter indicado que há espaço para acelerar as negociações. “Nesse momento de elevada oferta de animais, principalmente fêmeas, é prudente para os pecuaristas realizarem travas de pelo menos parte de suas produções para o trimestre vindouro, já que esse período costuma ser de pressão de oferta e risco mais elevado de queda nas cotações”, ressaltam os analistas da Agrifatto.
Atacado
“O mercado atacadista encerra a semana apresentando preços acomodados. A sinalização de um excesso de oferta de carne de frango no mercado pode impactar negativamente na formação dos preços das proteínas concorrentes, como a carne bovina”, afirma Iglesias. O quarto traseiro segue precificado a R$ 18,00 por quilo. O quarto dianteiro ainda é precificado a R$ 14,00 por quilo. A ponta de agulha segue no patamar de R$ 13,20 por quilo.
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