Frigoríficos reduzem ritmo de compras, cotações da arroba do boi gordo recuam em parte do país e mercado acompanha com cautela os impactos da guerra sobre exportações, logística e preços da carne
O mercado físico do boi gordo atravessa um momento de maior cautela no Brasil. As negociações estão mais lentas em várias praças pecuárias e parte das cotações da arroba registrou recuo, refletindo um ambiente marcado por incertezas no comércio internacional e pela tensão geopolítica no Oriente Médio, que pode afetar rotas logísticas e exportações de carne bovina.
Analistas do setor apontam que o comportamento da indústria frigorífica mudou nos últimos dias. Muitos compradores passaram a adotar postura mais conservadora nas compras, aguardando desdobramentos do cenário internacional antes de avançar nas negociações. Ao mesmo tempo, os pecuaristas seguem relativamente confortáveis com a oferta de animais terminados, sustentados por boas condições de pastagem em diversas regiões do país.
Esse cenário criou um ambiente de baixo volume de negócios e maior disputa entre compradores e vendedores, refletindo diretamente nos preços da arroba do boi gordo.
Mercado físico do boi gordo enfrenta semana travada
Segundo análises de mercado, o fluxo de negociações permaneceu limitado durante a semana. Parte dos frigoríficos chegou a reduzir ou suspender temporariamente as compras de gado, aguardando maior clareza sobre os possíveis impactos do conflito internacional na logística de exportação, especialmente para mercados asiáticos.
Ao mesmo tempo, os pecuaristas seguem menos pressionados a vender. As condições favoráveis das pastagens permitem cadenciar a oferta de animais terminados, o que contribui para reduzir o volume de negócios no mercado físico.
A combinação desses fatores elevou o nervosismo entre os agentes da cadeia pecuária, resultando em negociações mais lentas e preços com ajustes pontuais.
Cotações da arroba do boi gordo nas principais praças
Levantamentos recentes mostram variações nos preços do boi gordo em diferentes estados brasileiros. Em algumas regiões, houve recuo nas cotações, refletindo a postura mais cautelosa da indústria.
Média da arroba do boi gordo:
- São Paulo: R$ 351,67/@ (queda ante R$ 355,17/@ no dia anterior)
- Goiás: R$ 330,36/@ (ante R$ 335,54/@)
- Minas Gerais: R$ 345,29/@
- Mato Grosso do Sul: R$ 340,34/@
- Mato Grosso: R$ 338,24/@
Outro levantamento de mercado aponta que 10 das 17 regiões monitoradas registraram queda no preço do boi gordo, incluindo importantes estados produtores como São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Nas demais praças avaliadas, as cotações permaneceram estáveis, demonstrando que o movimento de queda ainda é moderado e regionalizado.
Guerra no Oriente Médio aumenta a cautela do mercado
Um dos principais fatores por trás da retração nas negociações é o impacto da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que pode afetar diretamente o comércio global de carne bovina.
O conflito levanta preocupações relacionadas a:
- Possíveis restrições logísticas em rotas marítimas
- Aumento no custo de fretes internacionais
- Lentidão nas operações portuárias
- Impactos indiretos nas exportações brasileiras
O Oriente Médio desempenha papel relevante no comércio global de proteínas, atuando tanto como mercado consumidor quanto como importante ponto de redistribuição de alimentos para outros destinos.
Embora especialistas considerem improvável uma interrupção total no fluxo de exportações, há expectativa de custos maiores e maior volatilidade no mercado internacional.
Mercado atacadista segue acomodado
No mercado interno, os preços da carne bovina no atacado apresentam comportamento relativamente estável, com poucos ajustes ao longo da semana.
As referências seguem próximas dos seguintes níveis:
- Quarto dianteiro: cerca de R$ 21,00/kg
- Quarto traseiro: aproximadamente R$ 27,00/kg
- Ponta de agulha: em torno de R$ 19,50/kg
Apesar da estabilidade, analistas indicam que a carne bovina enfrenta perda de competitividade em relação a outras proteínas, principalmente frente ao frango, que mantém preços mais acessíveis ao consumidor brasileiro.
Exportações seguem fortes e sustentam o setor
Mesmo com o ambiente de cautela no mercado físico do boi gordo, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina continua robusto.
Em fevereiro, o país exportou 235,8 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, gerando receita de aproximadamente US$ 1,33 bilhão.
A média diária de embarques foi de 13,1 mil toneladas, com preço médio de US$ 5.640,90 por tonelada.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os números mostram crescimento significativo:
- Alta de 41,8% no valor médio diário exportado
- Avanço de 23,9% no volume médio embarcado
- Valorização de 14,5% no preço médio da tonelada
Esses dados reforçam que, apesar das turbulências externas, a demanda internacional continua sendo um dos principais pilares de sustentação do mercado pecuário brasileiro.
Mercado futuro indica recuperação moderada
No mercado futuro da B3, os contratos do boi gordo chegaram a registrar recuperação após dias de queda.
O contrato com vencimento em maio de 2026 encerrou as negociações cotado em cerca de R$ 337,50 por arroba, indicando que parte do mercado ainda aposta em recuperação gradual dos preços nos próximos meses.
Perspectiva para o mercado pecuário
Apesar das oscilações recentes, os fundamentos estruturais da pecuária brasileira permanecem relativamente firmes. Entre os fatores que sustentam o mercado estão:
- Oferta ainda limitada de animais terminados
- Escalas de abate curtas em algumas regiões
- Demanda internacional aquecida
- Expectativa de retomada gradual do ciclo pecuário
No curto prazo, no entanto, o mercado deve continuar sensível aos acontecimentos externos – como a Guerra no Oriente Médio. Qualquer mudança no cenário geopolítico ou nas rotas logísticas internacionais pode influenciar diretamente o ritmo das exportações e o comportamento das indústrias frigoríficas.
Para o pecuarista, o momento exige atenção redobrada. O mercado segue firme, mas a volatilidade internacional pode provocar ajustes pontuais nas cotações da arroba nas próximas semanas.
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