Governante de um dos períodos mais estáveis do Império Romano, Antonino Pio entrou para a história não por guerras ou conspirações, mas por uma versão curiosa — e controversa — sobre sua morte, associada ao overdose de queijo -consumo excessivo dele
A história de Roma é marcada por conquistas militares, intrigas políticas e finais dramáticos de seus governantes. Desde a fundação lendária da cidade, em 753 a.C., passando pela República Romana e pelo auge do Império, os imperadores deixaram marcas profundas na formação da Europa e do mundo ocidental. Muitos deles tiveram destinos violentos: Nero tirou a própria vida, Galba foi morto pelos pretorianos e Geta caiu vítima de uma conspiração liderada pelo próprio irmão, Caracala.
Entre esses desfechos trágicos, porém, um caso chama atenção pela singularidade. Antonino Pio, imperador entre 138 e 161 d.C., teria morrido não por assassinato ou batalha, mas após um episódio descrito como uma espécie de “overdose” causada pelo consumo exagerado de queijo.
Antonino Pio foi o quarto dos chamados “cinco bons imperadores”, grupo que também inclui Nerva, Trajano, Adriano e Marco Aurélio. Adotado por Adriano, seu antecessor, ele assumiu o trono em um momento de estabilidade e consolidou um dos governos mais equilibrados da história romana.
Seu reinado ficou marcado por moderação política, justiça administrativa, rigor financeiro e tolerância religiosa. Diferentemente de outros imperadores, Antonino Pio quase não liderou campanhas militares, priorizando a manutenção da ordem interna e investimentos em obras públicas, infraestrutura e fortalecimento das leis. Roma viveu, nesse período, uma rara combinação de prosperidade econômica e paz social.
Fontes históricas, como relatos citados pela National Geographic, descrevem Antonino como um governante de temperamento calmo, metódico e pouco dado a excessos — com uma exceção curiosa: sua paixão por queijos e laticínios.
A narrativa mais intrigante sobre o fim de Antonino Pio aparece na obra “História Augusta”, uma coletânea biográfica escrita no século IV. Segundo o texto, o imperador teria adoecido após consumir queijo alpino “com demasiada avidez”, desenvolvendo uma febre intensa.
O relato descreve que, já debilitado, Antonino ainda manteve a serenidade típica de seu governo. Após alguns dias de enfermidade, teria tomado banho, chamado amigos próximos e determinado que Marco Aurélio fosse proclamado imperador pelos soldados. Pouco depois, morreu tranquilamente, “como se estivesse dormindo”.
Essa passagem levou muitos historiadores e curiosos a resumirem o episódio como uma morte causada por excesso de queijo, algo tão improvável quanto simbólico diante da sobriedade que marcou sua vida pública.
É importante destacar que a “História Augusta” é a única fonte que menciona explicitamente essa causa de morte — e sua confiabilidade é frequentemente questionada por especialistas. A obra mistura fatos, rumores e elementos literários, sendo conhecida por conter exageros e passagens pouco verificáveis.
Por isso, não há consenso histórico de que Antonino Pio tenha realmente morrido em decorrência do consumo excessivo de queijo. A hipótese mais aceita é que ele tenha sucumbido a uma doença comum da época, possivelmente uma infecção ou febre aguda, e que o detalhe do queijo tenha sido acrescentado como curiosidade ou recurso narrativo.
Independentemente da veracidade da história, o que permanece indiscutível é o legado de Antonino Pio. Seu governo é lembrado como um dos mais equilibrados do Império Romano, marcado por estabilidade institucional e respeito às leis. Ao contrário de figuras como Júlio César, cuja trajetória foi marcada por guerras e um assassinato brutal no Senado, Antonino deixou o poder de forma ordenada, garantindo uma sucessão tranquila.
Mesmo envolta em dúvidas, a narrativa sobre sua morte contribuiu para torná-lo uma figura singular na história romana — não apenas como um grande administrador, mas também como protagonista de uma das histórias mais curiosas atribuídas aos imperadores de Roma, uma overdose de queijo.
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