Manter a alimentação próxima ao chão respeita a biologia do cavalo, melhora postura, digestão e respiração, reduz o estresse e ajuda a prevenir cólicas, dores musculares e problemas dentários. Entenda por que cochos baixos são a escolha mais recomendada no manejo moderno.
Na natureza, o cavalo passa a maior parte do dia em movimento, pastejando lentamente ao nível do solo, com a cabeça e o pescoço estendidos para baixo. Esse comportamento, repetido por milhões de anos de evolução, moldou todo o funcionamento do organismo do animal — do sistema digestivo à musculatura do dorso, passando pela dentição e pelo trato respiratório. Ainda assim, no manejo moderno, especialmente em sistemas de estabulação, esse padrão natural muitas vezes é ignorado.
Cochos elevados, redes de feno suspensas e longos períodos de alimentação em posição fixa são práticas comuns em baias, mas contrariam a biomecânica natural do cavalo. O resultado pode não ser imediato, mas ao longo do tempo surgem sinais como rigidez no pescoço, dores na coluna, desgaste dentário irregular, maior risco de cólicas, problemas respiratórios e até alterações comportamentais, como estresse e frustração.
Por isso, cresce o consenso de que a altura do cocho não é um detalhe, mas um ponto-chave do manejo. Ajustar a forma como o alimento é oferecido traz uma série de benefícios comprovados, com reflexos diretos na saúde, no desempenho esportivo e na longevidade.
Postura e saúde musculoesquelética
Ao se alimentar com a cabeça baixa, o cavalo mantém pescoço, coluna e dorso alinhados, favorecendo o alongamento natural da musculatura. Isso ajuda a prevenir dores cervicais, rigidez na nuca e problemas na linha superior do corpo. Cochos elevados, ao contrário, forçam a extensão do pescoço e o arqueamento das costas, criando tensão crônica.
Digestão mais eficiente e menor risco de cólicas
A posição natural facilita a mastigação prolongada e a produção de saliva, essencial para tamponar a acidez gástrica. Além disso, reduz a ingestão excessiva de ar (aerofagia), um fator associado a desconfortos digestivos e cólicas.
Saúde respiratória
Com a cabeça voltada para baixo, ocorre a drenagem natural dos seios nasais, diminuindo o acúmulo de poeira, muco e microrganismos. Esse simples detalhe reduz o risco de infecções respiratórias, especialmente em ambientes fechados.
Desgaste dentário equilibrado
A mastigação em posição fisiológica promove um desgaste mais uniforme dos dentes, ajudando a prevenir pontas excessivas, desalinhamentos e problemas de mandíbula.
Comportamento e bem-estar
Alimentar-se como faria no pasto reduz o estresse e a frustração, além de estimular movimentos naturais. Não é raro observar cavalos derrubando a ração do cocho alto para comer no chão — um claro sinal de preferência instintiva.
A recomendação mais aceita por veterinários e profissionais do manejo é clara:
Cochos baixos (ideais)
Devem ficar no nível do solo ou entre 30 e 50 cm de altura. Essa faixa permite que o cavalo coma com a cabeça baixa, respeitando sua biomecânica natural.
Profundidade adequada
A profundidade ideal do cocho é de aproximadamente 20 cm, evitando desperdício e reduzindo o risco de mistura da ração com a cama da baia (serragem, maravalha ou palha).
Cochos elevados (menos recomendados)
Quando utilizados, exigem cuidado redobrado. A alimentação prolongada nessa posição pode gerar tensão cervical, desgaste dentário irregular e prejuízos à musculatura do dorso.
No pasto, o capim ideal apresenta 15 a 20 cm de altura, permitindo que o cavalo paste de forma contínua e confortável. Já no caso de feno ou capim cortado, o mais indicado é oferecê-los diretamente no chão ou em comedouros baixos, permitindo que o animal se curve naturalmente.
O concentrado deve ser fornecido com atenção:
evite grandes volumes de ração em uma única refeição. O ideal é dividir em porções menores ao longo do dia, melhorando o aproveitamento nutricional e reduzindo o risco de cólicas.
Embora populares, as redes de feno exigem cautela. Cavalos estabulados passam longos períodos puxando e sacudindo a rede, o que pode causar lesões por esforço repetitivo, rigidez na nuca e redução da mobilidade do pescoço. Além disso, a posição elevada da cabeça estimula músculos opostos aos desejados no treinamento, podendo prejudicar a linha superior do animal.
Outro ponto de atenção é o risco de acidentes, já que alguns cavalos tentam puxar a rede com as patas, podendo se enroscar.
Para quem mantém o cavalo em baia, algumas estratégias simples fazem diferença:
- Reserve uma área do chão sem cama para a forragem
- Utilize comedouros baixos ou pneus grandes de borracha
- Combine enriquecimento ambiental com redes ou suportes em diferentes alturas, mas mantenha a maior parte da forragem no nível do solo
- Varie os tipos de forragem para evitar tédio alimentar
Sim, existem pontos de atenção. O principal é o aumento do risco de reinfestação por parasitas, especialmente se o feno for arrastado pela cama suja. Por isso, o manejo deve ser individualizado, considerando:
- O estado de saúde do cavalo
- A necessidade de controle da ingestão de feno
- O comportamento do animal na baia
- A proporção entre pasto e feno na dieta
- A presença de dores, rigidez ou dificuldades no treinamento
Investir em cochos baixos e respeitar o hábito natural de pastejo é uma das formas mais simples e eficazes de promover saúde, conforto e longevidade ao cavalo. A alimentação próxima ao chão melhora postura, digestão, respiração, dentição e comportamento, alinhando o manejo moderno à biologia do animal.
Sempre ofereça água fresca, forragem de qualidade e ajuste a dieta às necessidades individuais, com acompanhamento de um médico-veterinário quando necessário. Pequenas mudanças no manejo podem representar grandes ganhos em bem-estar e desempenho.
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