Decisões tomadas no plantio e no desenvolvimento vegetativo inicial influenciam diretamente o desempenho da cultura ao longo de todo o ciclo produtivo
Com a safra 2025/26 no horizonte, o manejo nutricional do algodão volta ao centro das discussões técnicas no campo. As decisões adotadas logo no plantio e nos primeiros estádios de desenvolvimento vegetativo são determinantes para o estabelecimento do estande, a formação do sistema radicular e a definição do teto produtivo da lavoura. Mais do que garantir emergência, a nutrição adequada nessa fase inicial sustenta vigor, uniformidade de plantas e maior resiliência frente aos estresses ao longo do ciclo.
Após a emissão da radícula, o algodoeiro tem seu primeiro contato efetivo com o solo, momento considerado crítico para o sucesso da cultura. Um perfil de solo previamente corrigido, com níveis equilibrados de macro e micronutrientes, permite que a planta encontre condições favoráveis para o crescimento radicular e o bom estabelecimento inicial. Quando esse ambiente não está adequado, o resultado pode ser um arranque lento, plantas desuniformes e perdas de potencial produtivo difíceis de serem recuperadas mais adiante.
Entre os principais gargalos observados nas fases iniciais do algodão estão falhas no uso de fertilizantes e corretivos, que comprometem a absorção de nutrientes essenciais. Deficiências de cálcio, fósforo e boro, por exemplo, afetam diretamente o desenvolvimento das raízes, limitando a capacidade da planta de explorar o solo e tolerar estresses hídricos e térmicos. “O sistema radicular é a base de tudo. É ele que vai sustentar a absorção de água e nutrientes durante todo o ciclo”, explica Augusto Sanches, Desenvolvimento Técnico de Mercado da Nitro, empresa brasileira referência em nutrição vegetal e insumos biológicos para o agro.
O equilíbrio nutricional entre macro e micronutrientes também desempenha papel estratégico no funcionamento fisiológico do algodoeiro. Um solo bem corrigido favorece processos metabólicos desde o início, permitindo que a planta desenvolva uma parte aérea mais vigorosa e mantenha seu metabolismo ativo. Nesse contexto, a nutrição foliar atua como complemento importante, estimulando a absorção de nutrientes do solo e contribuindo para a produção de carboidratos, fundamentais para o crescimento vegetativo.
O uso de tecnologias nutricionais e insumos biológicos tem ampliado as possibilidades de manejo nessa fase. Tratamentos de sementes com extratos de algas, aminoácidos e nutrientes estimulam o crescimento inicial das raízes, aumentando o volume e o alcance do sistema radicular. Já os produtos biológicos aplicados no tratamento de sementes ou no sulco de plantio auxiliam no controle de nematoides e doenças de solo, garantindo raízes mais sadias e eficientes. “Hoje temos ferramentas que ajudam a planta a explorar melhor o solo desde os primeiros dias, o que faz toda a diferença no arranque inicial da lavoura”, destaca Sanches.
Estratégias bem planejadas também contribuem para aumentar a tolerância do algodão a estresses abióticos logo após o plantio. Microrganismos específicos, como o Bacillus aryabhattai, ajudam a reduzir perdas de água em períodos de déficit hídrico, enquanto bioestimulantes aplicados via foliar favorecem o desenvolvimento radicular até cerca de 60 dias após a emergência, fase em que a planta está fortemente direcionada à formação das raízes. Complexos nutricionais associados a aminoácidos ainda tornam o algodoeiro menos suscetível a variações de temperatura, com destaque para o papel do potássio na regulação osmótica e do magnésio na eficiência fotossintética.
Durante o desenvolvimento vegetativo, práticas nutricionais específicas são decisivas para garantir uniformidade de plantas e melhor arquitetura da lavoura. A eficiência do metabolismo de assimilação de nitrogênio, por exemplo, pode ser ampliada com o uso de cobalto, molibdênio e níquel, enquanto a fotossíntese é favorecida pela presença adequada de magnésio, fósforo, manganês e zinco. Micronutrientes catiônicos também fortalecem os mecanismos de defesa da planta, preparando-a para enfrentar estresses bióticos e abióticos que impactam diretamente no crescimento vegetativo.
Ao final do ciclo, os reflexos de um manejo nutricional eficiente desde o início da safra são claros. Plantas mais uniformes, produtivas e com melhor qualidade de fibra aumentam a previsibilidade de resultados e impactam positivamente a rentabilidade do cotonicultor. “Quando o produtor investe em nutrição e fisiologia desde o plantio, ele está garantindo que o algodão expresse todo o seu potencial produtivo, com ganhos em produtividade e qualidade”, conclui Augusto Sanches.
Sobre a Nitro
A Nitro é uma multinacional brasileira com quase 90 anos de história, com atuação nos segmentos de insumos para o agronegócio, especialidades químicas e químicos industriais. A Nitro ingressou no agro em 2019 e, em cinco anos no segmento, se consolidou como uma das três maiores empresas de nutrição e biológicos do setor. A Nitro conta com 6 unidades de produção no Brasil e 4 centros de Pesquisa e Desenvolvimento, além dos centros de distribuição, unidades internacionais e escritório administrativo em São Paulo (SP).
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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