Novo ZCAS, sistema atmosférico que vem ganhando força entre 7 e 10 de fevereiro, espalha volumes elevados de chuva pelo país e leva o Inmet a emitir alertas de grande perigo para parte do Sudeste, enquanto outras regiões entram em faixa de atenção
Um novo episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) começa a se organizar sobre o Brasil e deve provocar chuvas persistentes, volumosas e potencialmente perigosas em diversas regiões nos próximos dias. O sistema meteorológico, típico do verão, tende a atuar com mais intensidade entre os dias 7 e 10 de fevereiro, elevando o risco de transtornos como alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra.
Segundo a Climatempo, a configuração atmosférica favorece a manutenção do corredor de umidade que caracteriza a ZCAS, resultando em tempo mais fechado, poucas aberturas de sol e precipitações recorrentes, que podem ocorrer tanto de forma contínua quanto em pancadas fortes.
Como o sistema se forma e por que preocupa
A formação do fenômeno está ligada a uma combinação de fatores atmosféricos. Em níveis médios da atmosfera, um cavado meteorológico ajuda a organizar as instabilidades. Já nos altos níveis, a presença de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) sobre o Nordeste, somada à chamada Alta da Bolívia, reforça a formação das áreas de chuva.
Nos níveis mais baixos, o transporte contínuo de ar quente e úmido sustenta a precipitação por vários dias — um cenário que costuma ampliar os acumulados e aumentar o potencial de impactos.
A expectativa é de que o sistema ganhe organização ao longo do fim de semana e início da próxima semana, perdendo força gradualmente apenas após o dia 10.
Capitais e estados na rota da chuva
Entre as capitais que devem sentir os efeitos diretos da ZCAS estão:
- Rio de Janeiro (RJ)
- Belo Horizonte (MG)
- Goiânia (GO)
- Brasília (DF)
- Porto Velho (RO)
Nos estados, os maiores impactos são esperados em:
- São Paulo, especialmente norte, centro-leste, Vale do Paraíba e Litoral Norte;
- Rio de Janeiro, com atenção para a Região Serrana e o Grande Rio;
- Minas Gerais, principalmente Sul, Zona da Mata, Triângulo Mineiro e região metropolitana de BH.
Além do Sudeste, o corredor de umidade também alcança áreas do Centro-Oeste e Norte, incluindo Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso, além do sul do Amazonas, sul do Pará e partes de Rondônia — locais onde a chuva deve permanecer frequente e com acumulados expressivos.
Alerta vermelho: chuva acima de 100 mm e risco elevado
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de “grande perigo” válidos até domingo (8) para Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, com possibilidade de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos.
As áreas mais críticas incluem:
- Sul e sudoeste de Minas;
- Sul fluminense;
- Vale do Paraíba paulista;
- Regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo;
- Zona da Mata.
Nessas regiões, os acumulados podem superar 60 mm por hora ou ultrapassar 100 mm em um único dia, patamar considerado extremamente alto pela meteorologia.
Ao todo, 123 municípios aparecem no alerta máximo — incluindo a capital carioca, Angra dos Reis e Volta Redonda (RJ), Campos do Jordão e Ubatuba (SP), além de cidades mineiras como Gonçalves e São Lourenço.
Outras regiões também entram em faixa de perigo
Embora o foco do alerta vermelho esteja no Sudeste, o Inmet também emitiu alerta laranja para partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste — incluindo áreas do Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Nessas localidades, a previsão indica chuva entre 30 e 60 mm por hora ou até 100 mm ao dia, além de ventos que podem chegar a 100 km/h, elevando o risco de:
- cortes de energia elétrica;
- queda de galhos de árvores;
- alagamentos;
- descargas elétricas.
Aviso adicional: chuvas intensas e ventos
Outro aviso meteorológico aponta possibilidade de 20 a 30 mm por hora ou até 50 mm por dia, com ventos de 40 a 60 km/h, trazendo risco — ainda que considerado baixo — de queda de energia, galhos e pontos de alagamento.
Entre as recomendações estão evitar abrigo sob árvores durante rajadas de vento, não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e desligar aparelhos da tomada em caso de tempestades.
Por que a chuva persistente exige ainda mais atenção
Um dos principais fatores de preocupação é a persistência da chuva ao longo de vários dias, que favorece a saturação do solo. Mesmo precipitações moderadas podem gerar impactos quando os acumulados se tornam elevados, aumentando o risco de:
- enxurradas;
- elevação rápida de rios e córregos;
- deslizamentos em áreas de encosta;
- transtornos urbanos.
Cenário típico de verão — mas com potencial severo
A ZCAS é um fenômeno comum nesta época do ano, porém episódios mais organizados costumam provocar eventos extremos. O padrão esperado inclui dias consecutivos de céu encoberto e chuva frequente, exigindo monitoramento constante das atualizações meteorológicas.
Diante do avanço do sistema, especialistas recomendam acompanhar os boletins oficiais e acionar a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193) em situações de risco.
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