ZCIT, VCAN e remanescentes da ZCAS mantêm cenário de instabilidade, enquanto INMET emite avisos de perigo e grande perigo para diversas regiões do país; chuva acima de 100 mm atinge regiões do Nordeste
O início de março mantém o Brasil sob dois cenários meteorológicos distintos e preocupantes: chuvas volumosas e temporais no Norte e Nordeste, ao mesmo tempo em que calor intenso e baixa umidade predominam em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A combinação de sistemas atmosféricos ativos e solo já encharcado eleva o risco de transtornos, especialmente em áreas urbanas e regiões agrícolas sensíveis.
De acordo com boletim da Climatempo, publicado em 2 de março, cavados atmosféricos, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) reforçam as instabilidades, com possibilidade de chuva forte, rajadas de vento e acumulados expressivos.
Ao mesmo tempo, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirma que março começou com fortes chuvas nas regiões Norte e Nordeste, impulsionadas também por episódios recentes da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) .
Nordeste sob risco elevado de acumulados extremos de chuva
O Nordeste segue como uma das áreas mais críticas neste começo de mês. Segundo análise meteorológica da Climatempo, mesmo com o enfraquecimento da ZCAS, a atuação conjunta da ZCIT e do VCAN mantém a atmosfera instável e com grande disponibilidade de umidade .
Nos últimos dias de fevereiro, os volumes já foram expressivos. Em São Luís (MA), os acumulados ultrapassaram 200 mm; em João Pessoa (PB), passaram de 160 mm; e em municípios da Bahia, como Presidente Jânio Quadros, os volumes superaram 170 mm .
O INMET reforça que, até quinta-feira (5), os acumulados podem superar 100 mm em áreas do centro-norte da Bahia, Piauí, Maranhão e oeste de Pernambuco, mantendo os avisos de tempo severo ativos .
Avisos oficiais: perigo potencial e perigo para chuvas intensas
O INMET emitiu avisos de Chuvas Intensas, com dois níveis de severidade:
- Perigo Potencial: chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, com ventos de 40 a 60 km/h
- Perigo: chuva entre 30 e 60 mm/h ou acumulados de 50 a 100 mm/dia, com ventos de até 100 km/h
Entre os riscos associados estão queda de galhos, alagamentos, descargas elétricas e interrupções no fornecimento de energia. O órgão orienta a população a evitar abrigo sob árvores durante rajadas de vento e a buscar informações junto à Defesa Civil (199) e Corpo de Bombeiros (193) .
As áreas afetadas incluem regiões extensas do Maranhão, Piauí, Bahia, Tocantins, Pará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Rondônia, entre outras .
Norte com alerta especial para o Tocantins
Na Região Norte, o Tocantins concentra preocupação adicional. Segundo o INMET, há risco de chuva volumosa no extremo leste do estado, além de temporais no sudeste do Amazonas e sul do Pará .
O solo já encharcado em algumas localidades aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e elevação do nível de rios e córregos, cenário que exige monitoramento contínuo.
Sul, Sudeste e Centro-Oeste enfrentam calor e baixa umidade
Enquanto parte do país lida com excesso de chuva, áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste enfrentam um cenário oposto. O boletim meteorológico indica que a umidade relativa do ar pode ficar abaixo dos 30% em diversos pontos, especialmente no oeste de São Paulo, Triângulo Mineiro, Mato Grosso do Sul e interior do Paraná .
Esse patamar é considerado estado de atenção para a saúde, aumentando riscos de problemas respiratórios, desidratação e queimadas, especialmente em áreas rurais.
As temperaturas permanecem elevadas, com máximas próximas ou superiores aos 30°C em capitais como Porto Alegre, Rio de Janeiro e Cuiabá .
Tempestade Subtropical Caiobá no Atlântico
Outro elemento que marcou o início de março foi a atuação da Tempestade Subtropical Caiobá, formada em alto-mar e classificada pela Marinha do Brasil em conjunto com o INMET e outros órgãos .
O sistema, localizado a mais de 1.000 km da costa, pode gerar ventos sustentados de até 75 km/h e rajadas próximas de 85 km/h sobre o oceano, mas não há previsão de impacto direto no litoral brasileiro .
Cenário exige atenção redobrada
Com a persistência das instabilidades pelo menos até o dia 5 de março, o cenário segue de atenção máxima em áreas com solo saturado e histórico de alagamentos. Ao mesmo tempo, o calor e a baixa umidade exigem cuidados com a saúde e manejo preventivo no campo.
A recomendação dos órgãos meteorológicos é clara: acompanhar diariamente as atualizações oficiais e seguir as orientações da Defesa Civil.
O Brasil inicia março dividido entre extremos climáticos — excesso de chuva de um lado e ar seco do outro — reforçando a importância do monitoramento constante em um período tradicionalmente marcado por instabilidades típicas do fim do verão.
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