Levantamento da Serasa Experian revela que o setor agropecuário superou a prestação de serviços em 2025, concentrando 30,1% dos pedidos de recuperação judicial no agro diante de crises climáticas e custos elevados
O cenário de insolvência empresarial no Brasil sofreu uma mudança drástica em 2025. Pela primeira vez na série histórica recente, o setor rural assumiu o topo das estatísticas de endividamento crítico. De acordo com o levantamento da Serasa Experian, o volume de processos de recuperação judicial no agro superou o segmento de serviços, que historicamente detinha o maior número de ocorrências.
Os dados, consolidados nesta terça-feira (7), revelam que o agronegócio concentrou 30,1% de todos os CNPJs que buscaram proteção legal para suas dívidas, totalizando 743 pedidos. Em comparação, o setor de serviços, líder em 2024, registrou uma leve queda proporcional, fechando o ano com 30% de participação (739 solicitações).
O que impulsionou a recuperação judicial no agro em 2025?
A ascensão do setor ao topo do ranking de inadimplência não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de uma “tempestade perfeita” que atingiu as porteiras brasileiras. Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, a atividade agropecuária convive com uma estrutura de riscos multifacetada.
A especialista destaca que, além de adversidades climáticas severas — como estiagens prolongadas e excesso de chuvas —, o produtor enfrentou choques biológicos (pragas e doenças) e uma pressão econômica externa asfixiante. A combinação de commodities com preços em queda e insumos dolarizados (como fertilizantes) comprometeu drasticamente as margens de lucro. Somado a isso, o ciclo financeiro longo, entre o plantio e a colheita, torna o fluxo de caixa mais vulnerável a qualquer oscilação cambial.
Impacto na cadeia produtiva e dinâmica dos setores
A fragilidade financeira não fica restrita ao campo. Em cenários de crise, a dificuldade de pagamento gera um efeito dominó que atinge a agroindústria, empresas de logística e tradings. No ranking geral de pedidos de proteção judicial elaborado pela Serasa, outros setores também mostraram sinais de alerta:
- Comércio: 21,7% (535 CNPJs);
- Indústria: 18,2% (449 CNPJs).
Diferente do varejo, que sofre mais diretamente com o custo do crédito e a demanda de consumo, a recuperação judicial no agro reflete uma crise de custo de produção e quebra de safra física.
A recuperação judicial no agro como ferramenta de sobrevivência
Apesar do dado alarmante, o recurso à via judicial tem sido visto como um instrumento estratégico para garantir a continuidade das operações. Ao entrar com o pedido, as companhias ganham fôlego para renegociar passivos, preservar ativos e, fundamentalmente, manter os postos de trabalho.
O indicador da Serasa Experian é construído a partir do monitoramento mensal de todos os processos registrados em sua base de dados, consolidando-se como o principal termômetro da saúde financeira das empresas brasileiras diante da instabilidade econômica global.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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