Agricultores retornam às lavouras sob risco de tiros em região marcada por conflitos no Oriente Médio

Mesmo com lavouras destruídas, falta de insumos e presença militar nas áreas rurais, agricultores voltam ao campo para tentar recuperar a produção de alimentos e garantir sustento às famílias em meio ao conflito

A agricultura sempre foi uma das bases da sobrevivência das famílias na Faixa de Gaza. No entanto, após anos de conflito, destruição de infraestrutura e restrições de acesso à terra, produtores rurais enfrentam hoje uma realidade extrema: voltar a plantar significa correr risco de morte. Mesmo neste cenário, agricultores retornam às lavouras sob risco de tiros em região marcada por conflitos no Oriente Médio.

Conforme apurado pelo Compre Rural, divulgações em veículos locais mostram que muitos agricultores estão retornando às propriedades para tentar recuperar suas lavouras. O objetivo é simples, mas vital: produzir alimentos e garantir renda em uma região onde a insegurança alimentar cresce rapidamente.

Entre esses produtores está o agricultor Mohammed al-Slakhy, que decidiu retornar à sua propriedade agrícola na região de Zeitoun, na Cidade de Gaza, logo após o início de um cessar-fogo temporário no final de 2025. A decisão foi tomada junto com a família, após anos afastados da terra devido ao conflito.

Segundo relatos locais, o retorno ao campo não representa o fim do perigo. Pelo contrário: trabalhar na lavoura hoje exige coragem e persistência diante de riscos constantes.

Reconstruindo lavouras em meio aos escombros da guerra no Oriente Médio

Quando Mohammed e seus familiares chegaram à fazenda, encontraram um cenário devastador. Estufas estavam destruídas, equipamentos agrícolas danificados e grande parte da estrutura produtiva reduzida a escombros.

Durante meses, a família se dedicou a limpar o terreno e tentar recuperar o solo. “Passamos semanas removendo destroços e reconstruindo o que restou das estufas”, relatou o agricultor em entrevista a veículos internacionais.

Com recursos extremamente limitados, eles conseguiram preparar parte da área para cultivo. A primeira tentativa de retomada da produção foi com abobrinha (courgette), cultura escolhida por ter ciclo relativamente rápido e boa adaptação às condições locais.

A expectativa da família era conseguir colher a primeira safra no início da primavera.

Agricultura sob risco constante

Mesmo depois de iniciar o plantio, a rotina no campo permanece cercada de tensão. Segundo os agricultores, tanques militares e postos de controle permanecem a poucos metros das áreas agrícolas, criando um ambiente de risco permanente.

Cada ida à lavoura pode significar exposição a disparos ou confrontos.

“Toda vez que vou ao campo para cuidar das plantas, sei que posso não voltar”, relatou Mohammed.

Esse cenário tem levado muitos produtores a abandonar suas terras ou reduzir drasticamente a área cultivada.

Mohammed al-Slakhy com seu filho Ahmed e sua filha Marah. Mohammed está tentando retomar a agricultura em Gaza [Abdallah al-Naami/Al Jazeera]

Zona de amortecimento reduz área agrícola

Um dos principais desafios enfrentados pelos agricultores de Gaza é a expansão das chamadas “zonas de segurança” ou áreas militares controladas, onde o acesso à terra é severamente restringido.

Essas áreas, que ficam próximas à fronteira, historicamente concentravam parte importante da produção agrícola da região.

Dados de organizações humanitárias indicam que uma parcela significativa das terras mais férteis de Gaza está localizada justamente nessas zonas, o que reduz drasticamente a capacidade produtiva local.

Como consequência, milhares de agricultores perderam acesso a suas propriedades ou passaram a trabalhar sob constante ameaça.

Falta de insumos e infraestrutura agrícola

Além dos riscos de segurança, os produtores enfrentam grave escassez de insumos agrícolas.

Entre os principais problemas relatados estão:

  • falta de sementes e fertilizantes
  • escassez de combustível para bombas de irrigação
  • dificuldade para adquirir equipamentos
  • infraestrutura de irrigação destruída
  • falta de acesso a mercados

Sem esses elementos básicos, mesmo áreas que ainda podem ser cultivadas produzem muito menos do que antes.

Antes do conflito, muitas fazendas da região produziam grandes volumes de hortaliças, frutas e legumes, abastecendo mercados locais e contribuindo para a segurança alimentar da população.

Agricultores precisam retomar atividades para sobrevivência

Apesar de todos os obstáculos, muitos agricultores insistem em voltar ao campo. Para eles, a agricultura representa mais do que uma atividade econômica.

Trata-se de uma tradição familiar e de uma forma de sobrevivência. “Aprendi a trabalhar na terra com meu pai e meu avô”, disse Mohammed. “A fazenda sempre sustentou nossa família.”

Esse vínculo histórico com a terra explica por que, mesmo diante de destruição e riscos, muitos agricultores continuam tentando recuperar suas propriedades.

Impacto na segurança alimentar

A crise agrícola na Faixa de Gaza tem impactos diretos na oferta de alimentos. Com menos áreas cultivadas e produção reduzida, a dependência de ajuda humanitária e importações cresce rapidamente.

Especialistas apontam que a reconstrução da agricultura local será um processo longo e complexo, que dependerá de:

  • recuperação da infraestrutura rural
  • acesso seguro às terras agrícolas
  • disponibilidade de insumos
  • apoio internacional para reconstrução produtiva

Sem esses fatores, a capacidade de produção de alimentos na região continuará limitada.

A esperança que nasce no campo

Mesmo em meio à destruição, pequenas áreas cultivadas começam a reaparecer em algumas propriedades. Para agricultores como Mohammed, cada plantio representa um sinal de esperança.

Voltar a plantar, mesmo sob risco, significa tentar reconstruir não apenas uma lavoura, mas também a dignidade e a autonomia alimentar de suas famílias.

Em um território marcado por conflitos e restrições, a agricultura continua sendo uma das poucas formas de resistência econômica e social para milhares de produtores.

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