Agricultor chora ao descartar 50 toneladas de ameixa em SC após colapso nas vendas; vídeo

Sem mercado e com prejuízo que ultrapassa R$ 100 mil, produtor da Serra Catarinense expõe crise silenciosa no campo ao descartar 50 toneladas de ameixae levanta alerta sobre comercialização e renda no agro

A cena que viralizou nas redes sociais nas últimas semanas escancarou uma realidade dura enfrentada por produtores rurais no Brasil: mesmo com produção, qualidade e dedicação, a falta de mercado pode transformar meses de trabalho em prejuízo imediato. Em Urubici, na Serra Catarinense, um agricultor precisou tomar uma decisão extrema — descartar cerca de 50 toneladas de ameixa após não conseguir vender a safra.

O caso envolve o produtor Leandro Schmitz, cuja história rapidamente ganhou repercussão nacional. A produção, cultivada ao longo de meses, simplesmente não encontrou compradores, evidenciando um problema que vai além de uma propriedade: a fragilidade da comercialização no campo.

Falta de mercado levou ao descarte de 50 toneladas de ameixa

A colheita da ameixa, variedade Letícia — bastante comum na região Sul por sua resistência ao frio — ocorreu entre janeiro e março. Após a colheita, a fruta foi armazenada em câmara fria na tentativa de ganhar tempo e viabilizar a venda.

No entanto, a estratégia não foi suficiente.

Segundo o próprio produtor relatou em entrevista à NSC, não houve demanda suficiente para absorver a produção, obrigando-o a descartar parte das frutas e disponibilizar outra parte para doação.

“Cinquenta toneladas de ameixa fora porque não tem comércio. Quem quiser vir pegar, pode vir”, disse o agricultor, emocionado ao registrar o momento.

O vídeo, gravado na propriedade, mostra uma grande quantidade de frutas sendo descartadas no chão — imagem que rapidamente gerou comoção e debate sobre a realidade do produtor rural brasileiro.

Prejuízo milionário e frustração no campo

O impacto financeiro também chama atenção. As perdas estimadas ultrapassam R$ 100 mil, considerando custos de produção, manejo, colheita e armazenamento. Além disso, há um fator crítico no caso: o tempo limitado para comercialização da fruta. Mesmo com armazenamento refrigerado, a ameixa precisa ser vendida dentro de um intervalo de aproximadamente 40 a 50 dias.

Sem escoamento nesse período, o produtor não teve alternativa.

Em outro momento, também à NSC, ele destacou a dificuldade em entender o que ocorreu neste ciclo: O agricultor relatou que a procura, que em anos anteriores era alta, simplesmente não aconteceu nesta safra, levantando dúvidas sobre queda no poder de compra e mudanças no mercado consumidor.

Saturação de mercado e ausência de indústria agravam crise

Especialistas apontam que o problema não é isolado. A safra coincidiu com outras culturas importantes, como maçã e pitaya, o que aumentou a oferta de frutas no mercado e reduziu o interesse dos compradores.

Outro ponto estrutural agrava ainda mais a situação: a falta de uma indústria capaz de absorver frutas fora do padrão comercial, como aquelas menores ou com algum dano.

Segundo análise técnica apresentada:

A ausência de processamento industrial para frutas de menor qualidade impede que parte da produção tenha destino, ampliando as perdas no campo.

Na prática, isso significa que o produtor depende quase exclusivamente do mercado in natura — altamente sensível a preço, consumo e concorrência.

Crise vai além da ameixa e acende alerta no agro

O próprio produtor relatou que outros agricultores da região enfrentam dificuldades semelhantes, especialmente em culturas como tomate e cebola, indicando um cenário mais amplo de pressão sobre a renda no campo.

Além disso, há uma distorção recorrente: o preço pago ao produtor nem sempre acompanha o valor final ao consumidor, reduzindo margens e desestimulando a produção. Apesar do prejuízo e da frustração evidente, a decisão do agricultor é continuar produzindo. A cultura da ameixa faz parte da história da família há décadas, e abandonar a atividade não está nos planos.

O produtor afirmou que pretende seguir na atividade e espera um cenário melhor na próxima safra, mantendo a tradição construída ao longo de gerações.

O que o caso revela

O episódio escancara um problema estrutural do agronegócio brasileiro:

  • Produção não garante renda
  • Falta de organização de mercado pode gerar perdas totais
  • Ausência de agroindústria limita o aproveitamento da safra
  • Oscilações de demanda impactam diretamente o produtor

Mais do que um caso isolado, a história de Urubici mostra que o gargalo do agro não está apenas na produção, mas principalmente na comercialização — um desafio que segue exigindo soluções estruturais para evitar que cenas como essa se repitam.

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