Entenda de vez a disputa abate de emergência x abate clandestino. Saiba como salvar o valor do animal acidentado sem cometer crime sanitário e proteja seu rebanho
O cenário é o pesadelo de qualquer pecuarista: você chega no curral ou no pasto e encontra aquele boi gordo, pronto para o abate, com uma fratura exposta após uma briga ou acidente no embarque. O que fazer? A decisão tomada nesse momento define a diferença crucial entre abate de emergência x abate clandestino. De um lado, você recupera o capital investido dentro da lei; do outro, comete um crime contra a saúde pública.
Muitos produtores ainda confundem o socorro a um animal acidentado com o aproveitamento de animais doentes. Essa confusão custa caro. Entender essa dinâmica é vital para o bolso do produtor e para a mesa do consumidor.
Abate de emergência x Abate clandestino na prática
Vamos direto ao ponto: o abate de emergência é o recurso técnico e humanitário para salvar a carcaça de um animal que sofreu trauma agudo, mas que goza de plena saúde. Estamos falando do boi que quebrou a perna, teve uma luxação grave ou ficou “descadeirado” no tronco, mas que não tem febre nem infecção.
Já o abate clandestino — muitas vezes mascarado de “aproveitamento” — é quando o produtor tenta passar a faca no animal que está “triste”, morrendo de doença, febril ou caquético no pasto. Isso é crime.
A regra do Ministério da Agricultura (via RIISPOA) é clara ao separar abate de emergência x abate clandestino:
- Pode: Animal saudável que se acidentou (fraturas, contusões). A carne é segura.
- Não Pode: Animal com “mal súbito”, caído por doença, timpanismo seguido de morte ou com suspeita de zoonose. Esse animal deve ser sacrificado e destruído, jamais consumido.
Como não transformar lucro em prejuízo
Quando ocorre o acidente, o tempo é inimigo. Para não cair na ilegalidade e ser confundido com quem pratica o abate clandestino, o produtor deve seguir o rito do abate de emergência.
Não adianta sangrar o boi no pasto e vender a carne para o vizinho ou açougue local sem carimbo. Isso configura abate de emergência x abate clandestino da pior forma. O correto é:
- Comunicar imediatamente o Serviço de Inspeção (Federal, Estadual ou Municipal).
- Se possível, transportar o animal com cuidado até o frigorífico para o abate de emergência imediato.
- Se o transporte causar sofrimento, o sacrifício é feito na fazenda, mas somente sob orientação veterinária, e a carcaça deve ir imediatamente para o frigorífico ser eviscerada e inspecionada.
Somente o fiscal agropecuário pode garantir que aquela carne, apesar da fratura do animal, não oferece risco. Ele vai condenar a parte machucada (hematoma) e liberar o resto, garantindo o lucro do produtor.
O Risco da “Carne de Moita” e a Responsabilidade Criminal
Quem ignora a distinção entre abate de emergência x abate clandestino coloca vidas em risco. A carne de um animal doente, abatido sem inspeção, é uma bomba relógio de bactérias (Salmonella, E. coli) e parasitas (Cisticercose).
Além disso, o produtor que tenta “salvar” um animal doente vendendo a carne clandestinamente assume riscos jurídicos pesados, multas ambientais e sanitárias que superam, em muito, o valor daquela arroba.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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