“Ventos destrutivos”: Defesa Civil alerta para mais de 120 mm de chuva, risco de tornado e inundação no RS

Novo boletim oficial mantém possibilidade de granizo grande e vento acima de 100 km/h, prevê mais de 120 mm em 12 horas e coloca trechos dos rios Jacuí, Taquari e Caí sob risco de inundação

O cenário meteorológico para o Rio Grande do Sul recebeu uma atualização importante na tarde deste domingo (20). Além das tempestades severas, do granizo e das rajadas superiores a 100 km/h já previstas, o Centro de Monitoramento da Defesa Civil estadual passou a indicar oficialmente risco de tornado durante a segunda-feira (21).

Ao mesmo tempo, o quadro hidrológico ganhou maior relevância. Em boletim publicado às 13h, o órgão apontou risco de inundação nos rios Jacuí, Taquari e Caí, diante da previsão de chuva intensa nas cabeceiras dessas bacias. Também existe possibilidade de elevações significativas em grandes rios das bacias do Uruguai, Guaíba e Litoral Norte.

É uma mudança material em relação à atualização publicada anteriormente pelo Compre Rural. Às 15h04 deste domingo, o portal informou que o INMET havia colocado áreas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná no nível vermelho de “grande perigo”, com possibilidade de mais de 100 mm no dia, ventos superiores a 100 km/h e granizo.

Agora, a Defesa Civil gaúcha acrescenta dois pontos que exigem atenção: possibilidade de tornado e indicação específica de rios sob risco de inundação.

Madrugada de segunda concentra maior risco

Segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, entre a tarde e a noite deste domingo ainda há condição para temporais isolados e granizo na Serra e Nordeste.

Durante a noite, o risco aumenta no Oeste, Campanha, Missões, Centro, Sul e Costa Doce, onde podem ocorrer tempestades acompanhadas de granizo — inclusive de grande tamanho — e rajadas que podem superar 100 km/h.

A situação se torna mais preocupante na madrugada de segunda-feira.

O boletim oficial aponta risco de tempo severo em grande parte do estado, com destaque para Campanha, Sul, Costa Doce, Centro, Vales, Região Metropolitana de Porto Alegre, Litoral Médio e Litoral Norte.

Centro, Norte, Vales e Serra também entram na faixa de maior preocupação com chuva intensa e volumosa.

Defesa Civil cita expressamente risco de tornado

A principal novidade meteorológica desta atualização aparece na previsão para segunda-feira.

Depois da madrugada, as tempestades e a chuva intensa permanecem principalmente sobre a metade Norte do Rio Grande do Sul.

Nesse período, a Defesa Civil informa textualmente que “há risco para tornado”.

Isso precisa ser interpretado corretamente.

O boletim não prevê que determinado município será atingido por um tornado, tampouco significa que o fenômeno necessariamente ocorrerá.

O que existe é um ambiente atmosférico previsto como suficientemente favorável a tempestades severas para que o órgão estadual inclua tornado entre os fenômenos possíveis.

Eventos desse tipo possuem escala espacial pequena e não podem ser localizados com grande antecedência da mesma forma que uma frente fria ou uma área ampla de chuva.

Por isso, alertas de curtíssimo prazo e acompanhamento de radar ganham importância à medida que as células de tempestade começam a se formar.

Chuva pode passar de 120 mm em apenas 12 horas

A atualização também ajustou os acumulados previstos.

Segundo o boletim publicado às 12h56, os volumes podem superar 120 mm em 12 horas, principalmente entre a madrugada e a manhã de segunda-feira, em pontos do Centro, Norte, Vales e Serra.

No acumulado entre este domingo e segunda-feira, a Defesa Civil trabalha com valores pontualmente superiores a 150 mm no Centro e na metade Norte do estado.

Esses valores não representam uma previsão uniforme para todos os municípios.

São acumulados potenciais para as áreas mais atingidas.

Essa diferença é fundamental: uma propriedade pode receber volume muito inferior enquanto outra, situada sob uma sequência de células mais intensas, pode registrar chuva excepcional em poucas horas.

Três rios entram em risco de inundação

O aspecto hidrológico talvez seja tão importante quanto o meteorológico para o campo.

No aviso publicado às 13h, a Defesa Civil informa que os níveis atuais dos rios variam entre normalidade e limiares de atenção para inundação, com tendência de estabilidade ou elevação em diferentes pontos.

Com a chuva prevista para segunda-feira, o órgão aponta risco de alagamentos, enxurradas e cheias de arroios e pequenos rios em boa parte do estado, especialmente no Centro e metade Norte.

Nos rios maiores, existe possibilidade de elevações significativas nas bacias do Uruguai, Guaíba e Litoral Norte, inclusive com ultrapassagem dos limiares de alerta para inundação.

E três cursos d’água receberam indicação ainda mais específica.

A Defesa Civil aponta risco de inundação para o rio Jacuí, em Dona Francisca; rio Taquari, a partir de Lajeado; e rio Caí, a partir de São Sebastião do Caí.

A justificativa é a previsão de chuva intensa e volumosa nas cabeceiras dessas bacias.

Para o campo, atenção deve sair do céu e chegar aos rios

Essa mudança tem implicação prática para propriedades rurais.

Em uma tempestade comum, o produtor acompanha principalmente vento, granizo e chuva sobre a própria fazenda.

Quando grandes bacias entram em risco, a chuva ocorrida dezenas ou centenas de quilômetros acima da propriedade também passa a importar.

Um rio pode continuar subindo mesmo depois de a chuva local terminar, porque a água precipitada nas cabeceiras ainda está percorrendo a bacia.

É particularmente importante em várzeas, lavouras próximas aos rios, áreas com animais em terrenos baixos, estradas rurais cortadas por arroios, pontes e acessos utilizados para retirada de produção.

Granizo grande permanece no cenário

O risco de tornado não elimina os demais perigos previstos.

A Defesa Civil mantém possibilidade de granizo que pode atingir grande tamanho, especialmente nas tempestades mais organizadas.

Para a agricultura, granizo possui uma característica diferente da chuva excessiva.

Seu impacto é extremamente localizado, mas pode ser severo dentro da faixa atingida.

Culturas em estágios sensíveis podem sofrer danos mecânicos em folhas, hastes, flores, frutos e estruturas reprodutivas.

Na fruticultura, dependendo do tamanho das pedras, poucos minutos podem comprometer a qualidade comercial da produção.

Vento acima de 100 km/h exige atenção às estruturas rurais

As rajadas previstas também permanecem acima de 100 km/h nos núcleos mais severos.

Essa intensidade potencial aumenta a preocupação com galpões, coberturas, silos, aviários, pocilgas, estruturas de armazenagem, pivôs e redes elétricas.

Árvores próximas de currais, casas, estradas e instalações merecem atenção adicional.

Animais mantidos em piquetes com árvores isoladas também não devem ser considerados automaticamente protegidos durante tempestades com grande incidência de raios.

O alerta vermelho do INMET continua valendo

Paralelamente à atualização estadual, permanece o aviso vermelho emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia para segunda-feira.

O alerta de “grande perigo” abrange áreas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e admite chuva superior a 60 mm em uma hora ou 100 mm no dia, ventos superiores a 100 km/h e granizo.

É importante não somar mecanicamente os números dos dois órgãos.

O INMET estabelece parâmetros para o aviso meteorológico federal.

A Defesa Civil gaúcha detalha a previsão estadual e trabalha com acumulados específicos por região e período.

Fato, alerta, previsão e tendência

  • Fato observado: diferentes áreas do Sul já receberam chuva nos últimos dias, e rios gaúchos apresentam níveis entre a normalidade e limiares de atenção, com tendência de estabilidade ou elevação em pontos monitorados.
  • Alerta: o INMET mantém áreas dos três estados do Sul sob aviso vermelho de tempestade para segunda-feira, o nível máximo de severidade utilizado pelo instituto.
  • Previsão: a Defesa Civil gaúcha prevê tempestades severas, granizo possivelmente grande, rajadas superiores a 100 km/h, mais de 120 mm em 12 horas em pontos do estado e risco de tornado durante a segunda-feira.
  • Tendência hidrológica: rios maiores podem apresentar elevações importantes depois da chuva, com risco de inundação indicado para trechos do Jacuí, Taquari e Caí.

Essa separação é importante porque risco de tornado não significa tornado confirmado, assim como risco de inundação não significa que todos os rios necessariamente ultrapassarão suas cotas.

O que fazer antes da chegada das tempestades

Para propriedades situadas nas áreas de maior risco, a janela de preparação está concentrada nas próximas horas.

Animais em áreas baixas ou muito próximas de rios e arroios podem exigir avaliação antecipada de retirada. Acessos alternativos devem ser considerados onde pontes, pontilhões ou estradas rurais costumam ficar submersos.

Estruturas leves, telhas, portas, lonas e objetos externos merecem revisão diante da previsão de rajadas intensas.

Durante a tempestade, as orientações oficiais incluem procurar abrigo seguro, evitar áreas abertas e árvores, manter distância de estruturas metálicas e não atravessar áreas inundadas ou com correnteza.

Defesa Civil e Corpo de Bombeiros podem ser acionados pelos telefones 199 e 193, respectivamente.

A principal mudança desde a tarde

O episódio severo desta segunda-feira já era conhecido e o Compre Rural informou às 15h04 que o Sul havia entrado no nível máximo de alerta do INMET.

A atualização agora é mais específica.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul passou a trabalhar oficialmente com risco de tornado, manteve a possibilidade de granizo grande e vento acima de 100 km/h e detalhou o risco hidrológico.

Jacuí, Taquari e Caí aparecem explicitamente sob risco de inundação.

Para o produtor rural gaúcho, portanto, as próximas horas exigem atenção não apenas à tempestade que pode se formar sobre a propriedade, mas também à água que poderá chegar depois pelos rios.

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