Exportações alcançaram aproximadamente US$ 1,28 bilhão nos oito primeiros meses de 2026, impulsionadas pelo avanço do comércio de bovinos e de outras espécies
As exportações brasileiras de animais vivos movimentaram aproximadamente US$ 262,6 milhões em agosto de 2026, crescimento de 174,3% frente aos US$ 95,75 milhões registrados no mesmo mês de 2025. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Entre janeiro e agosto, as vendas externas da categoria chegaram a cerca de US$ 1,28 bilhão, avanço de 81,9% na comparação anual. O desempenho superou o crescimento das exportações totais do país e da agropecuária no período. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Exportação de animais vivos cresce acima da média do agro
A receita obtida em agosto aumentou aproximadamente US$ 166,9 milhões em relação ao mesmo mês do ano anterior. O avanço foi bem superior aos 12,2% registrados pelas exportações brasileiras totais e aos 11,4% do setor agropecuário.
Conforme a balança comercial brasileira de agosto, a agropecuária exportou US$ 7,39 bilhões no mês. A categoria de animais vivos apareceu entre os principais fatores de crescimento do setor, ao lado da soja e do café não torrado.
A classificação utilizada pelo MDIC, entretanto, é mais ampla do que a exportação de gado em pé. O grupo “animais vivos, não incluídos pescados ou crustáceos” pode reunir bovinos, equinos, ovinos, caprinos, aves e outras espécies. Portanto, não é correto atribuir todo o faturamento de agosto exclusivamente aos bovinos.
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, a receita estimada da categoria foi de aproximadamente US$ 704 milhões. Isso significa que as vendas aumentaram perto de US$ 576 milhões em um ano, considerando os valores arredondados disponíveis.
Bovinos respondem por parcela relevante dos embarques
Embora o resultado mensal reúna diferentes espécies, os dados específicos do comércio de bovinos mostram que o gado em pé ocupa posição relevante nesse mercado.
Levantamento da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, elaborado a partir de estatísticas de comércio exterior, aponta que o Brasil faturou US$ 837,1 milhões com bovinos vivos no primeiro semestre de 2026. O valor ficou 85,2% acima do registrado no mesmo intervalo de 2025.
Em volume, foram comercializadas 285,5 mil toneladas, crescimento de 54,6%. A receita avançou mais rapidamente que a quantidade exportada, indicando elevação do valor médio dos animais vendidos ao exterior.
Outra apuração, realizada pela Agrifatto, contabilizou 660,7 mil bovinos embarcados entre janeiro e junho, alta de 36,65% na comparação anual. O desempenho representou um recorde para a exportação de gado vivo no primeiro semestre.
Pará e Rio Grande do Sul concentram as operações
O Pará respondeu por 55,06% dos bovinos vivos exportados pelo país no primeiro semestre, enquanto o Rio Grande do Sul ficou com 28,18%, segundo a Agrifatto. A concentração está relacionada à disponibilidade de animais, à localização dos estabelecimentos de pré-embarque e à infraestrutura portuária.
Os efeitos econômicos, por isso, tendem a ser mais perceptíveis nas regiões próximas aos polos exportadores. A presença de compradores internacionais pode ampliar as alternativas de comercialização e aumentar a disputa por determinadas categorias de animais.
No primeiro trimestre de 2026, os bovinos exportados representaram 2,87% do abate nacional inspecionado, conforme levantamento da consultoria. A participação ainda é pequena quando comparada ao mercado brasileiro como um todo, mas pode influenciar preços e oferta nas praças mais conectadas aos embarques.
Demanda está concentrada no Oriente Médio e no Norte da África
Turquia, Marrocos, Iraque e Egito responderam, juntos, por 98,41% dos bovinos vivos embarcados pelo Brasil em junho, de acordo com a Agrifatto. Os números demonstram a importância do Oriente Médio e do Norte da África para o segmento.
O interesse desses mercados está associado, entre outros fatores, à realização do abate no próprio país importador, às exigências religiosas e culturais e às estratégias locais de abastecimento.
A concentração em poucos compradores, porém, representa um risco. Mudanças sanitárias, restrições comerciais, conflitos, oscilações cambiais ou alterações nas políticas de importação podem afetar rapidamente o ritmo dos embarques.
A redução dessa dependência exige abertura de mercados e manutenção dos protocolos sanitários negociados pelo Brasil. Em agosto, o governo do Marrocos suspendeu temporariamente tarifas de importação sobre ovinos vivos e diferentes tipos de carne, uma medida que pode favorecer fornecedores internacionais até dezembro de 2026.
Exigências sanitárias começam antes do embarque
A exportação de animais vivos depende do cumprimento das condições sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo país comprador. As exigências variam conforme a espécie, o destino e a finalidade dos animais, que podem ser destinados ao abate, à reprodução ou à engorda.
No caso de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, a regulamentação brasileira prevê controles nos estabelecimentos de origem e de pré-embarque, documentação zoossanitária, acompanhamento veterinário e procedimentos específicos para o transporte.
A operação também envolve adaptação dos animais e planejamento de alimentação, ventilação, disponibilidade de água e densidade durante a viagem. A logística para transportar milhares de bovinos em navios exige estruturas e protocolos diferentes daqueles utilizados no comércio de carne processada.
Falhas sanitárias ou operacionais podem provocar atrasos, rejeição da carga, suspensão de exportadores e prejuízos econômicos. Para o produtor interessado nesse mercado, a proximidade de empresas exportadoras e de estabelecimentos habilitados é tão relevante quanto o preço oferecido pelos animais.
Projeto no Congresso propõe restringir comércio marítimo
A expansão das exportações ocorre enquanto a Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 1.026/2026. A proposta pretende proibir a exportação e a importação comercial de animais vivos por via marítima e por outros meios de transporte considerados capazes de colocar em risco a integridade dos animais.
Em 8 de setembro de 2026, o projeto estava pronto para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. O relator, deputado Pedro Lupion, apresentou parecer pela rejeição da proposta, mas o posicionamento ainda dependia de deliberação da comissão.
Como o projeto não foi aprovado, ele não altera as regras atualmente vigentes. A tramitação, contudo, precisa ser acompanhada pelo setor devido aos possíveis efeitos sobre pecuaristas, exportadores, transportadores e estruturas portuárias.
O crescimento de 174,3% em agosto confirma a maior participação dos animais vivos na pauta agropecuária de 2026. A continuidade desse desempenho dependerá da demanda dos principais compradores, das condições sanitárias, da disponibilidade de animais e da capacidade do Brasil de ampliar seus destinos comerciais sem comprometer o controle e o bem-estar durante as operações.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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