União Europeia aceita protocolos do Brasil e frango fica mais perto de voltar ao mercado europeu

Aval aos controles sanitários apresentados pelo país representa nova etapa para a retomada dos embarques; somente o Paraná exportou US$ 382 milhões em carne de frango ao bloco em 2025

A União Europeia aceitou os protocolos sanitários apresentados pelo Brasil após as avaliações realizadas no sistema brasileiro de controle agropecuário, segundo informação divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O movimento reduz uma das barreiras para a retomada das exportações brasileiras de carne de frango ao mercado europeu, interrompidas após mudanças nas exigências do bloco.

Apesar do avanço, os embarques ainda não estão automaticamente restabelecidos. O Brasil aguarda as próximas etapas administrativas para que a autorização comercial seja formalizada, incluindo a definição das condições para emissão dos certificados sanitários e a habilitação necessária para entrada dos produtos no mercado europeu.

Aceitação dos protocolos abre nova etapa para o frango brasileiro

A informação sobre o aceite europeu foi divulgada pelo secretário-executivo do Mapa, Cleber Oliveira Soares. De acordo com o representante do ministério, uma correspondência recebida pelo governo brasileiro em 14 de setembro confirmou a aceitação dos procedimentos apresentados pelo país.

O avanço ocorre depois de uma missão técnica europeia realizada no Brasil. A auditoria analisou o funcionamento dos controles oficiais, estabelecimentos ligados à cadeia produtiva e mecanismos utilizados para garantir o cumprimento das exigências sanitárias.

No início de setembro, o Mapa já havia informado que os técnicos europeus tiveram uma avaliação satisfatória dos controles utilizados nas cadeias de aves e mel. O aceite dos protocolos representa uma etapa posterior desse processo.

Ainda assim, há uma diferença importante entre aprovação técnica e abertura comercial. A circulação do produto somente poderá ser normalizada após a União Europeia concluir os procedimentos regulatórios necessários.

O que provocou a restrição da União Europeia

A interrupção não foi motivada por um episódio específico de contaminação da carne de frango brasileira.

O impasse surgiu a partir das normas europeias relacionadas ao controle do uso de determinados medicamentos antimicrobianos na produção animal. As exigências fazem parte das regras aplicadas pela União Europeia a produtos de origem animal importados de países terceiros.

O Regulamento de Execução (UE) 2026/1189 modificou a relação de países considerados aptos a cumprir determinadas garantias previstas pela legislação do bloco. As mudanças passaram a produzir efeitos em 3 de setembro de 2026 e atingiram diferentes produtos brasileiros.

Na documentação europeia, a questão estava ligada à necessidade de comprovação das garantias exigidas pelo regulamento. Depois disso, o Brasil apresentou informações adicionais e recebeu a missão técnica europeia para avaliação dos controles adotados no país.

Paraná tem mercado de US$ 382 milhões em jogo

A possibilidade de reabertura tem impacto particularmente relevante para o Paraná, maior produtor e principal exportador brasileiro de carne de frango.

De acordo com dados do Agrostat reunidos pelo Sistema FAEP, o Estado exportou 118,7 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia em 2025, operação que movimentou aproximadamente US$ 382 milhões.

No primeiro semestre de 2026, antes da interrupção, o Paraná havia enviado outras 78,7 mil toneladas, com receita próxima de US$ 224 milhões.

Os números ajudam a dimensionar a importância do mercado europeu para frigoríficos, cooperativas e produtores integrados do Estado. Um bloqueio prolongado aumenta a necessidade de redirecionar volumes para outros destinos, processo que pode alterar estratégias comerciais e a distribuição das exportações.

O Sistema FAEP havia calculado anteriormente que as restrições envolvendo produtos pecuários poderiam colocar em risco mais de US$ 392 milhões por ano em vendas paranaenses, com a carne de frango representando a maior parcela desse valor.

Exportações brasileiras vinham em ritmo forte

A restrição europeia ocorreu em um momento de expansão das vendas externas da avicultura brasileira.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou 2,936 milhões de toneladas de carne de frango no primeiro semestre de 2026, volume 12,9% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

O resultado representou recorde para o período.

Somente em junho, a União Europeia importou cerca de 28 mil toneladas de carne de frango brasileira, demonstrando a participação do bloco entre os mercados atendidos pela indústria nacional.

O Brasil possui uma base de compradores bastante diversificada, o que permite redistribuir parte dos embarques diante de restrições pontuais. Mesmo assim, determinados destinos possuem características específicas de demanda, preços e produtos, tornando a recuperação de mercados tradicionais comercialmente relevante para frigoríficos e exportadores.

O que ainda falta para a retomada das vendas

O próximo ponto a ser acompanhado é a formalização das medidas necessárias para que o Brasil volte a operar normalmente no mercado europeu.

Entre as definições esperadas estão a reinclusão formal das autorizações aplicáveis ao país, as condições impostas aos estabelecimentos exportadores e a data a partir da qual os certificados sanitários poderão voltar a ser utilizados.

Também é necessário separar a situação da carne de frango de outras cadeias atingidas pelas regras europeias. A missão técnica realizada recentemente teve atenção específica sobre aves e mel, portanto os procedimentos envolvendo outros produtos podem seguir cronogramas diferentes.

Para a avicultura brasileira, o aceite dos protocolos representa um avanço concreto, mas o ponto decisivo será a transformação dessa aprovação técnica em autorização comercial efetiva.

Até que essa etapa seja concluída, frigoríficos e exportadores continuam dependentes das decisões regulatórias que serão tomadas pelas autoridades europeias.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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