Avisos alcançam áreas de 12 estados nesta quinta-feira, incluindo partes do Matopiba, Cerrado e Norte de Minas; Tocantins tem pontos sob nível mais severo, com umidade entre 20% e 12%, enquanto Palmas pode chegar aos 39°C
Enquanto produtores do Sul acompanham a previsão de uma nova rodada de chuva forte para o fim de semana, uma extensa faixa do interior brasileiro enfrenta nesta quinta-feira (17) exatamente o problema contrário: calor intenso e umidade do ar muito baixa. O Instituto Nacional de Meteorologia mantém áreas de 12 estados sob aviso amarelo para baixa umidade, com índices previstos entre 30% e 20% durante as horas mais secas do dia. O alerta alcança partes de Ceará, Bahia, Tocantins, Piauí, Pernambuco, Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Em pontos do Tocantins, a situação é mais severa. Atualizações dos avisos oficiais do INMET indicam umidade relativa entre 20% e 12%, faixa classificada como perigo, com risco de incêndios florestais e impactos à saúde. O calor acompanha o ar seco.
Em Palmas, a máxima prevista chega a 39°C. Teresina também deve se aproximar dos 40°C, enquanto Cuiabá e Goiânia permanecem sob temperaturas elevadas. Para o agronegócio, a combinação merece atenção justamente porque atinge áreas importantes do Matopiba, Cerrado e fronteira agrícola brasileira em plena preparação para a safra 2026/27.
Doze estados entram no mapa da baixa umidade
O aviso mais abrangente é de perigo potencial e vale nesta quinta-feira entre 10h e 21h.
A previsão indica umidade entre 30% e 20%.
Entre as principais regiões atingidas aparecem:
- o sul do Ceará;
- sertões do Ceará e da Paraíba;
- centro-sul e extremo oeste da Bahia;
- áreas do Piauí e Maranhão;
- norte de Minas Gerais;
- norte de Mato Grosso;
- norte e leste de Goiás;
- Tocantins;
- setores do Pará.
A abrangência chama atenção porque conecta áreas agrícolas muito diferentes, desde regiões produtoras de grãos no Cerrado até pecuária, fruticultura irrigada e agricultura familiar no interior nordestino.
Tocantins entra em situação mais severa
Dentro dessa grande área seca existe um núcleo que exige atenção adicional. Em localidades tocantinenses, o INMET publicou aviso de baixa umidade em nível de perigo, prevendo índices entre 20% e 12%.
Nessa faixa, o órgão destaca risco de incêndios florestais e impactos à saúde, incluindo ressecamento da pele e desconforto nos olhos, boca e nariz. A situação coincide com temperaturas extremamente elevadas. Palmas pode atingir 39°C nesta quinta-feira. É uma combinação importante para o campo: quanto mais quente e seco o ar, maior tende a ser a demanda atmosférica por água.
O que uma umidade de 12% significa
A umidade relativa indica quanto vapor d’água existe no ar em relação ao máximo que poderia existir naquela temperatura.
Por isso, o índice geralmente diminui durante a tarde.
Quando o ar aquece fortemente e existe pouca disponibilidade de umidade, os valores podem despencar.
A faixa entre 20% e 12% utilizada pelo INMET representa condição significativamente mais seca que o aviso amarelo de 30% a 20%.
Isso não significa que toda a área ficará em 12%.
O aviso estabelece uma faixa possível dentro da região alertada, e os valores reais variam de município para município e ao longo das horas.
Essa distinção é importante para evitar exagero.
No campo, evapotranspiração entra na conta
Para uma lavoura, ar seco não representa apenas desconforto térmico.
Temperaturas elevadas, baixa umidade, radiação solar e vento influenciam a evapotranspiração, processo pelo qual água é perdida pelo solo e pelas plantas.
Quando a demanda atmosférica aumenta, áreas sem chuva recente podem perder umidade mais rapidamente.
O impacto depende do estágio da cultura, disponibilidade hídrica do solo, sistema radicular e eventual presença de irrigação.
Em áreas ainda sem plantio, a preocupação é diferente.
O retorno de algumas pancadas isoladas não significa necessariamente que o perfil do solo já tenha umidade suficiente para iniciar o plantio com segurança.
Para culturas de sequeiro, regularidade da chuva é tão importante quanto o primeiro evento isolado.
Pulverização exige atenção redobrada
A baixa umidade também interfere diretamente em operações agrícolas.
Aplicações de defensivos sob temperaturas muito altas, umidade extremamente baixa ou vento inadequado podem alterar a deposição das gotas e aumentar perdas por evaporação ou deriva.
Isso não significa que exista uma regra meteorológica única válida para todos os produtos.
Cada defensivo possui especificações próprias de bula, tamanho de gotas, velocidade de vento, temperatura e umidade adequadas à aplicação.
A recomendação prática é acompanhar as condições meteorológicas no talhão e respeitar rigorosamente a bula e a orientação técnica, evitando transformar uma janela operacional ruim em desperdício de produto ou risco para áreas vizinhas.
Incêndios passam a exigir mais atenção
O segundo problema é o fogo.
Vegetação seca, baixa umidade do ar, altas temperaturas e vento podem facilitar a propagação de incêndios.
No aviso de perigo, o INMET menciona expressamente risco de incêndios florestais.
Para propriedades rurais, isso reforça a necessidade de atenção a qualquer fonte de ignição e às orientações locais da Defesa Civil e dos órgãos ambientais.
O produtor também deve observar que o risco meteorológico não depende apenas da umidade relativa instantânea: quantidade de material seco disponível, vento, temperatura e histórico de chuva interferem na possibilidade de propagação.
Um Brasil dividido entre água demais e água de menos
O mapa desta quinta-feira mostra um contraste especialmente interessante.
Enquanto Tocantins, interior da Bahia, Piauí, Maranhão e outras áreas enfrentam baixa umidade, partes do Centro-Sul ainda lidam com consequências de chuvas muito acima da média.
No Vale do Ribeira, em São Paulo, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais mantém risco hidrológico moderado.
As chuvas diminuíram, mas ondas de cheia continuam avançando pela bacia do Rio Ribeira de Iguape, mantendo níveis elevados especialmente em Sete Barras, Registro e Iguape.
E no Sul, depois da breve estabilidade desta quinta, as condições voltam a ficar favoráveis a temporais entre sexta-feira e o fim de semana.
São três situações praticamente simultâneas:
- rios ainda cheios no Sudeste;
- temporais retornando ao Sul;
- umidade podendo chegar a 12% no interior do país.
Sexta-feira começa a mudar parte do cenário
A configuração não permanecerá igual em todas as regiões. Na sexta-feira (18), aumenta a instabilidade em partes do Centro-Oeste. A previsão indica fortalecimento das pancadas principalmente no sul de Mato Grosso e Goiás e em Mato Grosso do Sul. No Sul, a Epagri já prevê possibilidade de chuva e temporais isolados no Oeste de Santa Catarina a partir da tarde de sexta-feira.
No sábado, a instabilidade aumenta significativamente no estado, com possibilidade de chuva intensa, raios, vento forte e granizo. No Tocantins e em partes do interior do Nordeste, entretanto, o calor e o ar seco ainda não desaparecem imediatamente. Por isso, o retorno de chuva em algumas regiões não deve ser interpretado como regularização generalizada da estação chuvosa.
O que é fato, alerta, previsão e tendência
- Fato observado: a manhã desta quinta-feira começou quente em boa parte do interior do país, dentro de um período ainda marcado por baixa disponibilidade de umidade em áreas do Cerrado e Matopiba.
- Alerta: áreas de 12 estados estão sob aviso de baixa umidade, com previsão predominante de índices entre 30% e 20%; localidades do Tocantins aparecem sob aviso mais severo, entre 20% e 12%.
- Previsão: Palmas pode chegar a 39°C nesta quinta-feira, enquanto outras capitais do interior também permanecem sob calor forte.
- Tendência: a instabilidade aumenta na sexta-feira em parte do Centro-Oeste e no Oeste do Sul, mas não existe indicação nas fontes consultadas de regularização imediata e generalizada da chuva em todo o Matopiba.
Recomendações oficiais
Para áreas sob aviso de perigo por baixa umidade, o INMET recomenda ingestão de líquidos, evitar atividades físicas e exposição ao sol nas horas mais quentes, utilizar hidratante para a pele e umidificar ambientes.
A Defesa Civil pode ser acionada pelo 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
No ambiente rural, além das recomendações de saúde, o cenário reforça atenção com incêndios, disponibilidade de água para animais, horários de manejo e condições meteorológicas para pulverização.
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