Com mais de 10 mil metros quadrados de área coberta, complexo do Haras Ambar Amaral terá pista para grandes competições equestres, arquibancadas, restaurante, pavilhão de baias, laboratório e camping estruturado para competidores
Uma estrutura com dimensões impressionantes começa a ganhar forma em Santa Fé do Sul, no extremo noroeste paulista. Liderado pelos irmãos e empresários Antonio Ramon do Amaral Neto e Felipe Georges Ambar do Amaral, o projeto prevê a construção de uma das maiores arenas cobertas do Brasil destinadas à realização de provas e eventos equestres.
O anúncio foi feito pelo médico-veterinário e empresário Antonio Ramon durante entrevista concedida à Rádio Santa Fé 100,5 FM. Diretamente do local onde as obras estão sendo executadas, ele apresentou os primeiros detalhes de um empreendimento que pretende colocar Santa Fé do Sul definitivamente no circuito dos grandes eventos com cavalos realizados no país.
A futura arena terá 178 metros de comprimento por 55 metros de largura. Somente essa estrutura representa uma área próxima de 9,8 mil metros quadrados. Considerando o pavilhão de baias e os demais espaços que integrarão o complexo, o projeto ultrapassará os 10 mil metros quadrados de área coberta.
A dimensão, entretanto, é apenas uma parte da novidade. O planejamento inclui arquibancadas, restaurante, pavilhão de baias, laboratório, áreas operacionais e uma estrutura completa de camping para competidores e equipes que viajam com trailers, caminhões e motor-homes.
A proposta é oferecer, em um mesmo local, as condições necessárias para treinamento, competição, alojamento dos animais, atendimento às equipes e recepção do público.
“Aqui vamos fazer uma estrutura de pista coberta. Será uma arena de 178 por 55 metros, onde vamos acomodar a pista, arquibancada e uma área para restaurante, para recebermos grandes eventos e grandes provas”, explicou Antonio Ramon.

Estrutura preparada para grandes provas
Embora as competições de três tambores estejam entre as modalidades que inspiraram o empreendimento, Ramon destaca que o complexo foi planejado para contemplar o amplo universo das provas com cavalos. A intenção é receber competições de expressão nacional, com estrutura compatível com as necessidades de atletas, treinadores, criadores, proprietários, equipes técnicas, patrocinadores e público.
“Quem não está no meio do cavalo não imagina o tamanho desse universo de provas no Brasil, especialmente das competições de três tambores. Além da arena, vamos fazer um pavilhão de baias, laboratório e área com restaurante. Será uma estrutura para receber os principais eventos do Brasil”, afirmou.
A cobertura completa da pista aparece como um dos principais diferenciais. Em modalidades cronometradas, a regularidade do piso é determinante para o desempenho e para a segurança dos conjuntos formados por cavalo e competidor. A estrutura coberta também reduz a interferência direta das chuvas e do calor excessivo sobre a programação.
Isso permite maior previsibilidade para organizadores, competidores e patrocinadores, especialmente em eventos que mobilizam centenas de animais e exigem grande operação logística.
O projeto também deverá beneficiar quem acompanha as provas. As arquibancadas e o restaurante foram incluídos para transformar o espaço em um ambiente de permanência e convivência, aproximando o público das competições equestres.
Camping terá água, energia, banheiros e vestiários
Um dos pontos mais relevantes do complexo será a área destinada ao camping de competidores. O espaço deverá receber trailers, caminhões e motor-homes, veículos amplamente utilizados pelas equipes que percorrem longas distâncias para participar de provas.
Os pontos de estacionamento terão acesso a água e energia elétrica, além de banheiros e vestiários. O planejamento busca solucionar uma das maiores dificuldades encontradas por atletas e equipes em competições de vários dias: a necessidade de acomodar, simultaneamente, pessoas, animais, equipamentos e veículos de grande porte.
“Quem vem com trailer ou caminhão terá uma área de camping com ponto de água e de luz. A pessoa poderá chegar, conectar o veículo à energia e contar com banheiro, vestiário e toda a estrutura necessária para ser bem recebida”, detalhou Ramon.
A localização próxima ao Rio Paraná acrescenta outra característica especial ao empreendimento. Santa Fé do Sul está em uma região marcada pela atividade agropecuária e pela ligação com os estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás, importantes centros de criação de cavalos e realização de provas equestres.
Esse posicionamento poderá ajudar o complexo a atrair competidores de diferentes regiões do país, embora o calendário de inauguração e os primeiros eventos ainda dependam do avanço das obras.
Projeto foi estudado durante um ano e meio
A arena não nasceu de uma decisão improvisada. Antes do início das obras, Antonio Ramon e Felipe passaram aproximadamente um ano e meio estudando o setor e visitaram mais de 30 estruturas equestres no Brasil.
A pesquisa também ultrapassou as fronteiras nacionais. No final do ano passado, os empresários viajaram aos Estados Unidos para conhecer centros de treinamento e competição e identificar soluções que pudessem ser incorporadas ao projeto de Santa Fé do Sul.
Mais do que reproduzir estruturas grandiosas, os irmãos buscaram compreender como cada área funciona durante uma competição. O foco foi construir um complexo moderno, mas principalmente funcional.
“Nós sempre tivemos o desejo de fazer essa estrutura. Durante um ano e meio, eu e o Felipe visitamos mais de 30 áreas no Brasil. Também tivemos o privilégio de ir aos Estados Unidos e conhecer algumas estruturas, para entendermos o que havia de melhor e trazer isso para o nosso projeto”, relatou Ramon.
Segundo o empresário, as visitas ajudaram a definir a circulação dos animais, a posição das baias, a proximidade entre pista e áreas de apoio e a logística necessária para receber competições de grande porte.
“Às vezes, não se trata do que é mais caro ou mais barato, mas daquilo que realmente funciona. Procuramos fazer uma estrutura moderna e funcional, reunindo competição, treinamento, baias e logística”, acrescentou.
O resultado, ao menos no planejamento, é um complexo no qual as diferentes atividades estarão integradas. A eficiência dessa disposição será colocada à prova com o funcionamento do espaço, como o próprio empresário reconheceu durante a entrevista.
Haras Ambar Amaral amplia presença no universo equestre
A construção da arena representa uma nova etapa na trajetória do Haras Ambar Amaral. O empreendimento nasceu como uma extensão das atividades do Grupo Ambar Amaral e leva para a criação de cavalos a experiência acumulada pela família em diferentes segmentos do agronegócio.
O projeto já conta com um plantel formado por animais de genética consagrada da raça Quarto de Milha, especialmente selecionados para modalidades de velocidade e desempenho. Entre os nomes apresentados pelo Haras estão Streak Up Dash, Fiesta Up, Star Bryan, Rockin Gold Paris, HP Tres Ladybugs, Slash Trouble, Wendy Vista, Fiestinha Ta Fame, Frenetic Fame e Shine Gotta.
A presença desses animais e linhagens revela que o investimento não se limita à construção de uma grande estrutura física. O Haras também trabalha na formação de uma base genética voltada à produção de competidores, matrizes e futuros reprodutores capazes de atender a um mercado cada vez mais técnico e disputado.
Alguns dos animais ligados ao projeto já aparecem em competições, rankings e ofertas de genética. Rockin Gold Paris, por exemplo, é identificada em registros de desempenho como pertencente ao Haras Ambar Amaral, enquanto HP Tres Ladybugs também possui participações registradas em provas oficiais da raça.
O avanço do haras também ganhou força por meio da parceria com o cantor e criador Zé Neto, da dupla Zé Neto & Cristiano. Juntos, eles lançaram um projeto de fomento dedicado ao garanhão Streak Up Dash, filho de Dash Ta Fame em Fiesta Up, com previsão de distribuir R$ 6 milhões em premiações para seus descendentes entre 2030 e 2035. O programa contempla provas como Potro do Futuro, Congresso, Campeonato Nacional e outros grandes eventos da ABQM, alcançando competidores das categorias Aberta, Amador e Jovem.
Com a futura arena, o empreendimento deixa de estar concentrado apenas na seleção, criação e preparação dos cavalos e passa a oferecer também um espaço próprio para competições, treinamentos, leilões, encontros técnicos e apresentação de animais.
A combinação entre genética reconhecida, estrutura moderna, manejo especializado e capacidade para receber eventos nacionais reforça a intenção do Haras Ambar Amaral de ocupar uma posição de destaque no universo do Quarto de Milha. O projeto poderá aproximar criadores, competidores, treinadores, veterinários, compradores e empresas ligadas à cadeia equestre, transformando Santa Fé do Sul em um novo ponto de encontro para o setor.
Grupo familiar com raízes no agronegócio
O novo complexo é resultado da diversificação construída pelo Grupo Ambar Amaral, atualmente conduzido pelos irmãos Antonio Ramon do Amaral Neto e Felipe Georges Ambar do Amaral.
A trajetória empresarial da família começou há cerca de quatro décadas, inicialmente ligada à pecuária. Com raízes em Santa Fé do Sul e atuação agropecuária também no Centro-Oeste, o grupo ampliou gradualmente seus investimentos e passou a atuar em diferentes etapas da produção de alimentos.
Hoje, as atividades informadas pelo grupo incluem a piscicultura e o frigorífico Brazilian Fish, a indústria de rações Raguife, a Agropecuária Nelore Ambar Amaral, a indústria de alimentos Brazilian Fish, a produção de fertilizantes Biotil e, mais recentemente, o Haras Ambar Amaral.
Essa integração ficou especialmente conhecida na cadeia da tilápia. Em publicação institucional sobre uma parceria técnica, a INVE Aquaculture descreveu o Grupo Ambar Amaral como um produtor integrado, reunindo produção aquícola, fabricação de rações e processamento de pescado na região de Santa Fé do Sul.
Ao ingressar de forma mais ampla no universo dos cavalos, a família repete uma estratégia já adotada em outros segmentos: combinar produção, genética, nutrição, estrutura técnica e visão empresarial de longo prazo.
Investimento também mira o desenvolvimento regional
A escolha de Santa Fé do Sul para receber o empreendimento reforça a relação histórica da família com o município. Foi na cidade que os patriarcas das famílias Ambar e Amaral estabeleceram suas raízes, formaram suas famílias e iniciaram os projetos que, posteriormente, deram origem ao grupo empresarial.
Agora, a arena poderá criar uma nova frente de movimentação econômica para a região. Grandes competições equestres demandam hospedagem, alimentação, combustível, transporte, serviços veterinários, manutenção, comércio de equipamentos, contratação de mão de obra e fornecedores especializados.
Eventos com vários dias de duração também levam famílias inteiras às cidades-sede, ampliando o movimento em hotéis, restaurantes e estabelecimentos comerciais.
A efetiva dimensão desse impacto dependerá do calendário de provas, da capacidade de público e do número de competidores que o espaço poderá receber — informações que ainda deverão ser divulgadas à medida que as obras avancem.
Ainda assim, o tamanho anunciado e a infraestrutura prevista colocam o projeto entre os mais ambiciosos já apresentados para o segmento equestre na região.
“Fazer outras famílias felizes”
Apesar da grandiosidade da obra, Antonio Ramon encerrou a apresentação com uma motivação pessoal. Para ele, o empreendimento não deverá ser apenas um local de competições, mas um espaço de convivência e aproximação entre famílias.
O cavalo ocupa esse papel na trajetória dos próprios empreendedores. Agora, a intenção é proporcionar a outras pessoas experiências semelhantes.
“Eu espero, com essa estrutura, fazer outras famílias felizes, como o cavalo fez a minha família feliz”, declarou.
É justamente essa combinação de esporte, negócio, paixão e convivência que sustenta a aposta dos irmãos. Quando estiver concluída, a arena do Haras Ambar Amaral deverá reunir sob o mesmo teto competições de alto nível, estrutura para os animais e condições para receber competidores e público de diversas regiões.
As obras já começaram. E, pelo tamanho apresentado, o novo empreendimento promete não apenas transformar a paisagem de Santa Fé do Sul, mas abrir uma nova fase para o calendário equestre do extremo noroeste paulista.
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