Uma nova frente fria, reforçada por um corredor de umidade e ventos intensos, coloca o Rio Grande do Sul em alerta para tempestades com granizo, rajadas acima de 90 km/h e até risco de tornados. Enquanto isso, o Centro-Oeste e grande parte do Sudeste seguem sob tempo seco e baixa umidade, cenário que exige atenção do setor agropecuário.
Depois de alguns dias de estabilidade, o tempo volta a mudar de forma significativa no Sul do Brasil. A combinação entre uma frente fria, uma área de baixa pressão sobre a Argentina e o fortalecimento do Jato de Baixos Níveis (JBN) cria um ambiente favorável para a formação de temporais severos, principalmente no Rio Grande do Sul, onde produtores rurais devem redobrar a atenção com lavouras, estruturas e rebanhos.
Ao mesmo tempo, o bloqueio atmosférico mantém o tempo firme em grande parte do Sudeste e do Centro-Oeste, favorecendo temperaturas elevadas durante a tarde e índices críticos de umidade relativa do ar. No Nordeste, a circulação marítima continua provocando chuva na faixa leste, enquanto a Região Norte permanece sob influência do calor e da alta disponibilidade de umidade, favorecendo pancadas de chuva.
Rio Grande do Sul entra em alerta para tempestades severas
O Rio Grande do Sul deve enfrentar um dos episódios meteorológicos mais intensos deste inverno. De acordo com a previsão, a combinação entre a atuação de um cavado meteorológico e um trem de ondas atmosféricas favorecerá a formação de três ciclones extratropicais sobre a Região Sul a partir desta quinta-feira (16). O cenário aumenta significativamente o potencial para chuva persistente e volumosa, com acumulados que podem ultrapassar 200 milímetros em grande parte do estado e superar 300 milímetros no norte gaúcho, elevando o risco de alagamentos, transbordamento de rios, deslizamentos e outros impactos associados aos temporais.
Segundo a Climatempo, a quinta-feira (16) marca o início de um período de forte instabilidade no Rio Grande do Sul. A expectativa é de chuvas intensas, rajadas de vento superiores a 90 km/h, queda de granizo e tempestades severas entre a Campanha, Oeste, Sudoeste, Centro e Sul do estado.
Além disso, há potencial para elevados acumulados de chuva, principalmente no extremo sudoeste, parte da Campanha e no litoral sul gaúcho. Os meteorologistas também alertam para a possibilidade de microexplosões atmosféricas e até tornados isolados nas áreas mais afetadas. Antes da chegada das tempestades, o vento norte ainda favorece temperaturas próximas dos 30°C.
O INMET reforça o cenário e informa que, entre quinta (16) e sexta-feira (17), praticamente todo o Rio Grande do Sul ficará sob aviso para tempestades, enquanto os ventos também ganham intensidade em Santa Catarina e no Paraná devido ao fortalecimento do Jato de Baixos Níveis.

Sudeste segue seco e com baixa umidade
Enquanto o Sul enfrenta o avanço das instabilidades, o Sudeste permanece sob influência de um bloqueio atmosférico.
A previsão indica predomínio de sol, ausência de chuva significativa e queda da umidade relativa do ar, especialmente no interior paulista, Triângulo Mineiro e norte de Minas Gerais, onde os índices podem ficar entre 12% e 20%, níveis considerados críticos.
O INMET também destaca condições para formação de geada em áreas elevadas do Sul de Minas, Campos do Jordão (SP) e regiões serranas do Rio de Janeiro durante as primeiras horas da manhã.
Centro-Oeste mantém calor e tempo seco
No Centro-Oeste, o cenário pouco muda para Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, onde predomina o tempo firme.
A exceção fica para o norte e oeste de Mato Grosso, onde a influência da umidade amazônica favorece pancadas isoladas de chuva, que podem ganhar força na sexta-feira.
O INMET também emitiu alertas para baixa umidade do ar em Goiás, Distrito Federal e parte de Mato Grosso do Sul, além de avisos para ventos fortes no oeste de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Nordeste continua com chuva na faixa leste
A circulação marítima mantém a chuva concentrada entre o litoral e o Agreste do Nordeste.
Os maiores volumes são esperados entre Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde há risco de chuva moderada a forte. O INMET mantém avisos de perigo potencial para chuvas intensas e vendavais em diversos trechos da costa nordestina.
Norte segue com calor e pancadas de chuva
Na Região Norte, o padrão continua semelhante aos últimos dias.
O calor combinado com elevada umidade favorece pancadas de chuva entre Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Amapá, algumas acompanhadas por trovoadas. Já no Tocantins e em parte do Pará, o tempo permanece mais seco, com predomínio de sol.

O que muda para o agro?
Para o produtor rural, os próximos dias exigem atenção especial em diferentes regiões do país.
- Rio Grande do Sul: risco elevado para granizo, vendavais e chuvas intensas, com potencial para danos em lavouras de inverno, estruturas rurais e operações de campo.
- Centro-Oeste e Sudeste: baixa umidade aumenta o estresse hídrico das culturas, eleva o risco de incêndios e exige atenção no manejo de animais e pastagens.
- Nordeste: chuvas seguem beneficiando áreas da faixa litorânea, enquanto o interior permanece com tempo seco.
- Norte: a manutenção das pancadas favorece áreas agrícolas, mas exige monitoramento para operações em campo.
A atuação do Jato de Baixos Níveis, responsável por transportar calor e umidade da Amazônia em direção ao Sul do continente, será um dos principais motores das mudanças no tempo ao longo desta semana, sustentando o avanço das tempestades sobre o Rio Grande do Sul e a intensificação dos ventos em parte do Centro-Oeste e da Região Sul.
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